O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




sexta-feira, 12 de março de 2010

"La Implorante"


Camille Claudel "La Implorante"



Fria
Imóvel
Estátua de bronze
Belamente lapidada
Pelas mãos de exímia escultora
Para contemplar-se
e embevecer o olhar

Bela, mas fria
Sem vida
Sem sentimento
Sem alma
 
Quando observamos atentamente,
com os olhos da alma,
nela descobrimos
um mundo de sentimentos
expressos por mãos humanas
Mãos que a esculpiram
e quando o fizeram, ali depositaram 
suas emoções, sua própria alma

Observamos então
que essa figura feminina
em posição de total submissão
parece algo pedir,
mais precisamente suplicar
com seus braços estendidos num apelo

Mas é apenas uma estátua
e estátuas não sentem dor,
não sentem amor,
não sentem raiva
Nada sentem...
Nada

Só ali permanecem
para os olhos de quem aprecia
Nós é que lhe damos vida
na medida em que tentamos decifrá-la

Na perfeição da escultura
torna-se quase humana
e nos desperta emoções
Nossas emoções guardadas
em nosso coração trancadas

Mas, na verdade, é 
apenas uma estátua...
Apenas uma beleza morta.

 

Camille Claudel, 1.899. La Edad Madura, bronce. Detalle de la joven implorante. Museo Rodin.



Ianê Mello

12 comentários:

O NOVO POETA disse...

maravilhoso seu blog e seus trabalhos.

Ianê Mello disse...

Obrigada.

Seja bem vindo.

Volte sempre.

Um abraço.

jefhcardoso disse...

É só uma estátua e nada sente, mas nela esta impressa a alma do artista. Faz-se eterno em bronze.

Ianê, um forte abraço de seu amigo de blogosfera, Jefhcardoso.

Cris disse...

Essa obra de arte pode nos dizer muita coisa... braços abertos para o mundo! Beijos amigo

Grupo Cero VersoB disse...

Olá,
Gostei muito da proposta do blog, belo trabalho. Muito bela obra de arte de Camille Clodel;
abraços poéticos,

Pérola disse...

Sabe amiga,possa ser q eu esteja falando besteira. Mas diante de tanta coisa q vejo,q leio e perplexa com os acontecimentos.Eu to achando q conviver com uma estátua tá melhor do q se tivéssemos com alguns humanos.Aliás,eles estão a superando se vc quizer saber.
Temos q estar aptos as mudanças embora assustadoras rs.
beijokas.

avarandados do anoitecer disse...

Sempre encontro coisas ótimas por aqui!

parabéns

abrçaos!

Wanderley Elian Lima disse...

Olá Ianê
Já tive a oportunidade de ver as obras de Camille, são tão tinhas quanto esse poema.
Beijos

Ana Tapadas disse...

Belo poema!

Ianê Mello disse...

Agradeço à todos pelos comentários e pelo carinho.

Aos que ainda não conhecia, desejo as boas vindas e que retornem sempre.

Grande beijo à todos.

Vieira Calado disse...

Olhe, a propósito do pensamento chinês... eu costumo dizer que as "luzes de Paris", são responsáveis pelos meus problemas actuais, de visão... (vivi seis anos em Paris)

mas ninguém percebe... a graça.

Bjs

Ianê Mello disse...

Vieira Calado,

agradeço a presença.

Te mandei um convite para participar do "Diálogos" por e.mail.

Bj

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