O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




segunda-feira, 1 de março de 2010

A agenda




Decidiu que iria ao dentista,
que aprenderia alemão,
que não faria outras dietas,
que teria um animal de estimação,
que veria os filmes da temporada,
que tomaria sorvetes coloridos,
que assistiria ao pôr-do-sol,
que distribuiria perdão aos inimigos,
que finalmente enfrentaria as dívidas,
que faria tudo de corpo inteiro,
que orações suplicaria
para cumprir todos seus planos.

Calculou que a vida é preciosa,
percebeu que há sempre uma saída,
que com outro olhar se vê outro mundo,
resolveu que retomaria velhos amigos,
revisitaria livros já lidos,
concluiu que tomaria outra estrada,
vislumbrou uma nova chance,
relembrou conselhos e carinhos,
pensou noites de música e festa,
imaginou beijos, abraços e crianças,
agendou tardes de sol para décadas,
decidiu que viveria, se pudesse...

Mas não havia tempo
nem possibilidade de retorno,
logo mais viria o choque quadrado do chão,
um corpo deixado em altura vezes velocidade...
então tudo seria desfeito, todas as datas.
Findaria o instante dos nove andares
sobre o silêncio caído, esquecido;
permaneceria uma incerteza de gente,
em lá e cá de desenho torto, contorcido,
nem mesmo um sonho inteiro para uma pá.

Ali tudo calado em azul que se colheu caindo;
amores e amigos, braços e pernas misturados,
deixados ao apetite voraz do tempo, o cinza...
ao lado do branco da agenda não cumprida.




Ricardo Fabião



Perdi minha voz
Perdi meu prumo
Perdi meu centro
Perdi meu rumo
Perdi minha letra
no branco papel
O meu caminho
Minha brincadeira de Carrosel
Perdi  a mim mesma
Perdi meu ninho
Perdi aquele abraço,
aquele carinho
Aquela palavra amiga
Aquele colo de aconchego
Perdi o que me dava prazer
e troquei por bagatelas sem sentido
E agora, como ter de volta o já perdido?
Tantos planos e promessas
Tanto sonho  e compromisso
Mas agora... agora não posso,
não tenho tempo
Estou muito ocupada
Mas a vida não espera
A vida corre sem dó
Numa velocidade estonteante
O presente já é passado, 
num único instante
E o futuro, mal se sabe
o que nos reserva
Sim, os sonhos têm que ser vividos agora
Esse momento é a hora
Não  deixe pra depois
Pode ser que esse depois não exista
E a vida nos foi dada para ser vivida.


Ianê Mello









 Dialogo Poético - Colaboradores: Ricardo Fabião, Ianê Mello

5 comentários:

Ricardo Fabião disse...

De quantas dores e sabores se constroem nossas palavras? Excelente
continuação, Ianê!

Abraço.
Ricardo.

Ianê Mello disse...

Ricardo,

adorei nosso diálogo poético!

Façamos outros.

Abraço.

Cris disse...

Bem se sabe que tem sempre uma saída pra tudo... menos pra morte... então há que viver, nem que seja por caminhos não planejados...
Beijos

Ianê Mello disse...

Exato, Cris.

Bjs.

Pérola disse...

Amei a sua visita,muito obrigado pelo prazer de me seguir.Fiquei muito contente.
Uma noite feliz amiga.
Beijokas.

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