Abre-se uma janela para o pátio
uma criança corre de um mendigo
brincadeira apenas, é o que sugere,
embora a cena seja intrigante,
ambos estão se divertindo
Corre, corre...
Corre que a vida é breve
ser criança é ser leve
como pluma
que voa ao vento
A poesia é apenas escadaria
Para quem detesta cortinas
Pois alguém pode espreitar
Com uma adaga de corte
Atenta ao espelho redondo
Ela achou triste o seu rosto
Poesia e criança
Uma corre pela rua
outra na página em branco
Livres ambas o são
num existir paralelo
Tão rápido cresceu seu filho
que vivia só para si
e planejava mudança
saindo da casa materna
para se perder no mar
marinheiro de porto a porto
Essa mulher, esse filho
esse rosto empalidecido
marcas de um tempo
que não tem retorno
ao voar o pássaro do ninho
que um dia o acolheu
Ela ficou só, com os livros
e passou a ter medos novos
Medo de ficar velha
Medo de ficar sozinha
Medo de rua escura
Medo de pessoas estranhas
Medo, medo, medo
Medo de ventanias
Medo de temporais
Medo das ondas bravias
Medo dos frágeis navios
Medo de naufrágio no mar
Beto Palaio e Ianê Mello
4 comentários:
Estou só e tenho medo...
Só consigo desabafar com o mar...
Chorar em frente dele não é vergonha...
Porque nunca deixei de estar só...
Sempre o soube....nunca o admiti...
Agora que envelheci....que sei que o meu filho morreu algures nesse mar que amava tanto como eu...
Só posso mesmo falar com ele.....
Beijos e abraços
Marta
Marta,
compreendo bem (se fala de alguma passagem de sua vida).
Fique em paz .
Grande bj.
Impecável, como sempre, tudo por aqui ! Beijo.
Obrigada, Cria, sempre presente.
Bjs
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