O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




domingo, 28 de novembro de 2010

AMOR EM ALQUIMIA

Pintura de André Massam

Carreguei-a no colo
A noviça era de ouro
Fogo no amor assoprei
O corpo dela fundiu-se
Totalmente em mim
Agora o mesmo ouro
Em nós tesouro infindo

 
Universo cósmico
Constelações estelares
Seres que se interligam
se complementam
e se fundem num só
Alquimia do amor


Temos o que colher
Sob parreiras de uvas
Cachos de doces ofertas
Beijos em puberdade
Nascentes seios fontes
Mãos deságuam caricias
Lábios aquecem o sol


Como Adão e Eva
saboreamos a maçã,
o fruto proibido,
e sob a macieira
deitamos nossos corpos
nus, em plena liberdade
enquanto a natureza
nos contempla

Ao fundir sublime metal
Espada polida e desperta
Corpo de ambas as folhas
Raízes, loas de sul a norte
Consome em nós o gozo
Do afeto reconquistado
Amor no cadinho sideral


Fusão mais que perfeita
Comunhão de almas
ancestrais
Corpos enraizados
na terra que os abriga,
mãe primeira, de todos
os seres viventes
Amor por ela abençoado



Beto Palaio e Ianê Mello


Na Alquimia do Amor
Há tanto fogo e ardor
P’ra conseguir a fusão
...De dois corpos nus e despertos
Em perfeita comunhão…
E o calor surge então
Sempre sujeito ao desejo
Que se transforma num beijo
Num cadinho sideral
Nesse afecto conquistado
Por baixo de um céu estrelado
Que cobre o bem e o mal
Numa fusão tão perfeita
De corpos enraizados
Nessa Terra que os abriga
De ventos e tempestades
E desse inferno de Hades …


No princípio, veio a treva
E logo Adão e Eva
Chegaram ao Paraíso
Mas o seu pouco siso
Ou a força do desejo
Acabaram todo o pejo
Que naquele jardim havia
E logo os dois à porfia
Em disputas e carinhos
E porque estavam sozinhos
Se entregaram ao Amor
Com tal e imenso ardor
Que nesse mesmo dia
Começou essa alquimia
Numa fusão sem igual
De corpos entrelaçados
Nesse doce amor carnal
Em que o prazer tão real
Fundiu por fim esse Graal
E assim nasceu o Amor…


Joaquim Vale Cruz

6 comentários:

Anna disse...

papel e caneta
quatro mãos
dois corações
comunhão inspira
a alquimia do amor
a natureza conspira
rasga-se a alma do poeta!...

Gostei imensamente daqui, voltarei mais vezes.
Ótimo domingo e excelente inicio de semana.
bjus em seu coração

Ebrael disse...

Um dos adágios alquímicos determina: "Solve et coagula" (Dilui e concentra). Você citou o "coagula" (fusão). Fiquei curioso em como você descreveria o "solve" (separação) do amor...

Bjs! Lindo poema, como você!

Sinais no Mundo... disse...

Um Santo Advento na Paz de Jesus , Maria e José...

Que nos reencontremos na Gruta de Belém!

Ianê Mello disse...

Obrigada, Anna. te esperarei.

Bjs no seu tbm.

Ianê Mello disse...

Agradeço a visita, Ebrael.

Creio que sim.
Um abraço.

Ianê Mello disse...

Sinais do mundo, agradeço sua PARTICIPAÇÃO.

Abraço fraterno.

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