O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Plano de viagem




As malas
Estão
Prontas
[Desde
Sempre]
Encostadas
Num
Canto
Do meu
Pensamento


O mapa-múndi
Aberto
Sobre a mesa


Muitos
Lugares
Me chamam
[Incessantemente]
Em vão:
A viagem
Tem de ser
Para dentro


Zelia Guardiano




Na minha mente, à procura do exótico...
Numa escultura na areia da praia,
num mergulho à procura do que não existe...
A tranquilidade com que me olho...
O amor que tenho pela vida...
O Mapa assinala os locais, nunca as pessoas....



Marta




Chegou enfim o dia da viagem
As malas no pórtico a nos esperar
Mãe e pai aflitos por um beijo
E nosso pensamento longe
Seguindo já uma estrada difusa

Que até hoje viajamos sem cessar.


Beto Palaio




No corredor
a bagagem de uma vida
em simples malas 
que se perdem no chão
e no vazio 
de uma existência de amor
Representantes do fim
e do começo
Vida que se reparte 
em compartimentos estanques
entre o corredor
e a porta de saída
que um dia serviu de entrada 
para algo muito maior
E o tempo nessa fachada 
se encarregou de destruir.


Ianê Mello

7 comentários:

Marta disse...

Na minha mente, à procura do exótico...
Numa escultura na areia da praia,
num mergulho à procura do que não existe...
A tranquilidade com que me olho...
O amor que tenho pela vida...
O Mapa assinala os locais, nunca as pessoas....

Beijos e abraços
Marta

Ianê Mello disse...

Amiga Zelia,
demorou para aparecer, querida, mas quando veio o fez em grande estilo.

Lindo poema!
Obrigada.
Grande bj, amiga.

José Sousa disse...

Concordo plenamente! O mapa assinala as o locais nunca o mundo!
I isso faz toda a diferença!
Gostei!

Com um beio
José

Beto Palaio disse...

Zélia,

Seu poema sinceramente me emocionou...

Estamos com essa viagem sempre nos acenando...

Ah, quantos mapa-mundis são realmente completos?

Zélia Guardiano disse...

Obrigada, Marta!
Mito, muito obrigada, Ianê!
Suas palavras são sempre amáveis...
Obrigada, José!
Obrigada, Beto, poeta-mor!

Ianê Mello disse...

Parabéns, Marta e Beto, pelas lindas contribuições.

Grande bj.

Ana Tapadas disse...

Gostei do diálogo, em particular do poema da Zélia!
Bj

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