O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




quinta-feira, 4 de novembro de 2010

OBSCURIDADE

OBSCURIDADE

Pintura de Munch


Enquanto numa noite
Despedi-mo-nos num dilúvio
Uma desfeita a corroer nosso mundo
Onde ríamos das folhas do calendário
Em que o tempo escorreu como areia
achei cruel o apego e seus grandes olhos
por que ergue-se da margem agora?
do ar puro, à porta, a suspeita
para as trevas do não sou seu dono
Qual troféu que lhe busque
galopando você, amor, e os pulsos.


Onde nos perdemos um do outro
nos olhos que já não se olhavam
mãos que não mais se tocavam
bocas que não se uniam num beijo
Tantas palavras ofensivas trocamos
entre noites mal dormidas
onde a nossa cama não mais era
um ninho de amor e encontro
nos corpos que não se tocavam mais
frios , lado a lado, sem um carinho.


Antes que te impregnassem
Nos obscuros pinheiros do dispensar
o devassado que ora se aproveita
bem tarde na certeza
dos tempos que estão árduos
cruéis demais para se ir longe
sem a sua companhia 
No mundo piscoso do ausente 
E toda procura já estava em você
reunindo as fontes, ceder mal caberia
nem voltar, trazendo restos do ocaso.


Nós que éramos o mundo inteiro
entre amores e carícias plenas de paixão
nos desviamos da rota
para o obscuro do nada mal resolvido
em cadeias de amor próprio ferido
sangramos até não mais poder suportar
quando volta já não mais havia
nos embrenhamos em florestas cada vez mais densas
e lá nos perdemos entre as folhagens
você e eu distantes demais pra sermos unos.


As vezes tratávamos do inevitável
Com requintes de crucificação 
relativismo no ar que dividíamos
ao desfilar por aqui o acolá
a viajar, do ponto ao incidente.
Novamente nessas asas
confortantes da veracidade
os momentos que se oferecia
a rosa que lhe assemelha,
flor e fruto.


E a chegada do fim se antecipou
entre feridas e dores sem perdão
entre  sonhos que se dissiparam no vazio 
vazio da solidão a dois que corroía os restos de amor
espalhados pelo chão da casa como trapos velhos
diminutos em suas precariedades e tão frágeis
já não mais resistiam a tantas intempéries
Jaz então posto que não mais flameja
em ardentes brasas como outrora
Finito é o amor que um dia julgou-se eterno.


Beto Palaio e Ianê Mello



Na obscuridade das nossas vidas
Por acumular tantas feridas
...A separação foi decretada
E o amor que existia
Foi tornado chama fria
Por nós ambos apagada
A cruel separação
Magoou-nos o coração
Deixando as almas vazias
E numa noite de adeus
Nem nos viramos p’rós céus
Pois o fim tinha chegado…
As bocas já não se queriam
Os olhos já não se abriam
Entre nós havia dor
E onde antes havia amor
Chegou a separação…
E a grande desilusão
Foi tomar conta de nós.
No lar já não havia flores
Todas secas pelas dores
Das nossas feridas abertas
Numa crucifixação letal
Em que só havia o mal
Do amor-próprio ferido
Numa luta sem sentido
O amor que em nós havia
Nenhum de nós o sentia
Nem sequer sentia a chama
Que havia naquela cama
Que antes era um jardim
Onde em noites de luar
Só se ouvia o suspirar
De dois corpos em fusão
Em doce e terna união
Fazendo juras de amor
Mas nós descemos à Terra
Na cama só havia guerra
E o carinho já era
Tão longe da Primavera
Que um dia nos tocou
Agora tudo findou,
Não há mais beijos, nem abraços
Nem eu já ouço os teus passos
Pois este querer acabou
E dele mais nada ficou
Que tristes deilusões
Que outrora foram paixões
Porque o nosso amor secou !

Joaquim Vale Cruz

2 comentários:

Palavrácido disse...

Fico extremamente enobrecido ao ler seu poema, cabe a mim ressaltar o quão belo é!
Quantas palavras dignas de aplausos, e pode ter certeza que meus pensamentos o fazem por mim. Gostei particularmente, desta parte:

"Nós que éramos o mundo inteiro
entre amores e carícias plenas de paixão"

Quero viver um amor assim. Onde eu sou o amor inteiro, o mundo inteiro para uma pessoa. Eu quero fazer isso valer a pena. Obrigado pelas palavras dignissima amiga, já estou a te seguir.

Grandes beijos, e que
os anjos, lhe protejam na luz.

Atenciosamente,
Dan

Zélia Guardiano disse...

Bravo!
Vocês formam um par imbatível!
Lindíssimo poema...
Abraços

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