O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Desafio Poético - " Prosa Interativa "


Estava passando ali por um mero acaso. Habitualmente aquele não seria meu caminho.
Mas segui, levada pela curiosidade, querendo descobrir o motivo que me levara à abrupta mudança de rumo.
Às vezes vale a pena percorrer caminhos desconhecidos para descobrir aonde podem nos levar.
O céu estava encoberto por nuvens escuras. Uma tempestade devia estar a caminho.
Avistei, então, uma casa antiga. Tinha um aspecto abandonado e sombrio.
...........................................................Ianê Mello


Parei por um instante, a imaginar quem poderia morar naquela casa. Haveria, realmente, alguém morando lá? Estaria lá, naquele momento? Seria apenas um morador ou haveria mais gente? Como seriam?
Minha imaginação não me dava tréguas.
Resolvi, então, investigar. Dei o primeiro passo, cauteloso, em direção à casa. De repente, parei. Curiosidade e temor tomavam conta de mim. Tudo era tão silencioso... Apenas o barulho de um pássaro a sobrevoar-me a cabeça. Meu Deus, que lugar é esse, misto de beleza e mistério? Beleza? Como uma casa velha e abandonada pode transmitir beleza? Mas tinha.Porque mesmo o abandono, não tirava daquele cenário uma certa beleza que eu não sabia explicar de onde vinha.
A verdade é que eu não podria ficar ali parada o tempo inteiro. A tempestade parecia cada vez mais próxima e eu precisa tomar uma decisão: seguir, ignorando a casa, ou adentrá-la e descobrir o seu mistério.
...........................................................Lice Soares


Precisava desvendá-lo ou não me sairia da cabeça essa idéia. Afinal, uma casa assim, com aspecto tão sinistro, nos faz lembrar dos livros de mistério de Agatha Cristhie ou que sabe um filme de terror. Ui, chegou a me dar um arrepio de pavor!
Uma casa velha, com as janelas todas fechadas, exceto uma no sótão, meio que entreaberta.
Não se via movimento nenhum por ali. Não se ouviam vozes nem ruídos. Tudo era de um silêncio sepulcral.
Será que havia algum habitante. Alguém estaria usando-a como esconderijo. Talvez algum fugitivo perigoso. Tinha que tomar cuidado. Poderia correr riscos ao me aproximar muito e alguém me ver.
Mas a curiosidade falava mais alto e cada vez mais eu me aproximava.
O céu cada vez ficava mais escuro e começava a trovejar. Tinha que me decidir logo ou o temporal me manteria ali e eu não teria mais como ir embora.
...............................................................Ianê Mello


Ouvi um ruído, como se fosse um choro de criança. A coragem fazia meu coração disparar e vencer o medo. Aproximei-me da casa lentamente. A porta entreaberta e um facho de luz me
fez enxergar na casa escura, uma cesta. Dentro chorava um recém nascido e tremia de frio. à volta não havia ninguém. Abri uma das janelas e vi ao lado uma mamadeira com o alimento.
Cobri a criança, embalei-a e alimentei-a. Onde estaria a mãe ou alguém responsável. O que fazer
caso aparecesse alguém? A tempestade começou a cair. Trovões, raios ...... Não tinha noção do tempo que estava ali. A criança dormia sossegada em meu colo.
............................................................Mirse Maria


Eu me via pelos olhos da criança, como naquelas sensações de outras vidas. Enquanto eu a abraçava, sentia a casa se fechando a minha volta, mas ao invés de claustrofobia, senti-me acolhida, como se enquanto eu aconchegava a criança, a casa também o fazia comigo. Comecei, então, a deixar-me embalar nas cantigas da minha mãe, as montanhas lá fora eram os seus seios, e os tapetes, a sua cama, onde eu deitava e passava noites a rir ou chorar contando-lhe meus amores e meus desafetos. Ali, todos elementos eram eu, eram minha vida, minhas memórias... e eu me segurando a me acalentar, a cuidar de mim, como sempre precisei e nunca o fiz. Era eu, mas em país de outras maravilhas, das que já passei e das que nem pensei em sonhar.
.............................................. Lara Amaral


Comecei a compreender, então, o porquê de estar ali e o mistério, pouco a pouco, foi a mim se revelando.
Aquela criança em meus braços, totalmente desprotegida e entregue que eu acalentava e alimentava me fez relembrar de memórias há muito esquecidas. Fez relembrar-me de mim mesma e todos os sentimentos de minha infância foram retornando à minha mente, como um velho filme que não assistia mais.
Então, tudo se fez claro para mim. Estava reencontrando a criança em mim esquecida, nos velhos porões da memória.
Em quantos momentos me senti assim, precisando que alguém me acolhesse em seus braços e neles me aninhasse. Em quantos momentos precisei sentir-me realmente amada. Em quantos momentos, sozinha, chorei...
Agora, ali, completamente tomada pela emoção, abracei ainda mais àquela criança frágil em meus braços e senti do meu rosto rolar uma lágrima. Com ternura, enxuguei-a com as costas da mão e de meus lábios senti brotar um sorriso.
........................................................Ianê Mello 





Prosa Interativa - Colaboradores: Ianê Mello, Lice Soares, Mirse Maria, Lara Amaral



7 comentários:

Isidro Jesus Cedrés González disse...

Muchas veces una persona cambia de camino sin saber porqué,
Otras dice cosas que nunca pensó en decir.
Y otras, las menos, desviándose del camino inicial, encuentra la solución a su problema.
Amiga, así es la vida, no como una se la imagina.
Un abrazo.
Jecego.

Maria Bonfá disse...

Lice lindo seu conto.. vc escreve com leveza e mantem a atenção do leitor.. parabens agora fiquei curiosa.. quero a continuação.. beijão

Ianê Mello disse...

Agradecemos aos amigos.

Bjs.

Ianê Mello disse...

Muito bom, Lice!

Valeu...vamos ver quem continua.

Vamos lá, colaboradores...


Beijos

Lice Soares disse...

Ianê,
A coisa aqui está ficando boa, hein?
Olha vim te pedir ajuda: como faço para colar o selo nos meus blogues? Não sei como fazer isso. rsrsrs
Bjs.

Lara Amaral disse...

Consegui aparecer um pouquinho. Sempre lindo aqui, essas criações em conjunto.

Beijos.

Ianê Mello disse...

Maravilha,

Lice, Mirse e Lara.

Ficou excelente.

Será que acabamos... vejamos.

Lice,

é só copiar o código que está abaixo do selo do blog, clicar no seu blog em Personalizar, depois Layout e clicar adicionar um gadge. Quando abrir outra página, clique em HTML, cole o código e salve.

Beijos à todas e obrigada.

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