O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




sexta-feira, 23 de abril de 2010

O que enfim, chamamos de amor? / Mão dupla




O que enfim, chamamos de amor?

O que enfim chamamos de amor?
O beijo perfumado do amado
O abraço ofegante e apertado
A esmola ofertada ao pedinte
Ou o retorno a cada ato de bondade?

Se o amor existe mesmo
Não deve ser perfumado
Caridoso, bondoso ou compreensivo.

Se o amor existe mesmo
Não está na estética, na cútis
Nos cabelos, no bem, ou mal sucedido.

Se o amor existe mesmo...
Ah! Se ele realmente existe...
É invisível aos olhos dos tolos
Dos arrogantes, dos rancorosos
É o mais belo entre os “horrorosos”.

Está mais na fome que no saciar
Pois, com o estômago cheio é bem mais fácil amar.

O amor dos corações flechados por cupidos
Dos casais casando e cansando apaixonados
Esse sentimento não chega a ser desprezível
Mas não faz sentido chamá-lo de amor

O amor está acima de todas as patologias cerebrais
Portanto, como a maioria da humanidade vive em estado terminal...
Esse “amor patológico” nada mais é que uma embriagues ofegante
É um conjunto de emoções que o transmuta para o ódio

Só se pode amar nu

E o mundo está cheio de amantes ultrajadamente trajados
Para os sensatos, o amor verdadeiro é inalcançável.
O que se pode é evoluir e aproximar-se cada vez mais do ideal.
Ainda assim, por mais que se evolua nunca se chegará ao ápice.
Pois, na sociedade em que vivemos, toda nudez será castigada.



 Jairo Cerqueira




Mão dupla


Se queres que eu sangre,
que eu doa,
que eu agonize,
que eu me lance,
que eu levite,
dê gargalhadas,
que eu me encontre,
alcance as alturas,
que eu siga para saber,
e volte sabendo menos,
que me perca em cálculos,
e seja feliz por mim apenas,
que eu dance,
e sufoque,
que eu exploda,
e insista,
que me assuste,
sem chão,
sem norte,
tudo isso sobre um vivendo-e-morrendo intensamente,
dê-me um só segundo de mundo a dois... 





O amor é sinônimo de sentimento.
Quem ama chora. Sorri.
É solidário.
O amor contraria o egoísmo.
Aquele que ama se doa.
Sofre por alguém que se foi.
Sente Saudade.
Imagine aquele que não tem amor;
O que ele faz neste mundo?



Machado de Carlos



Diálogo poético - Colaboradores : Jairo Cerqueira, Ricardo Fabião, Machado de Carlos


18 comentários:

ღPat.ღ disse...

E nem mais...

Olha, é a primeira vez que leio um Amor tão transparente.
Parabéns Poeta,

cumprimentos,

Rodrigo Della Santina disse...

Parabéns a todos pelos poemas, pelas contribuições. Aqui nada direi, mas deixei minha parte poética no tema anterior, do body art. Parabéns novamente a todos os poetas!

Ianê Mello disse...

Parabéns pelos lindos poemas, Jairo e Ricardo.

Grande beijo.

Anna disse...

O Amor é uma palavra subjetiva. Somente quem ama sabe o que é o amor. Aqui, o assunto se perde. Parece que o nível do diálogo fugiu um pouco da regra. Eles pensam que amar é passar noitadas e noitadas de sexo e álcool. Acho que a discussão deveria ser melhorada, mais sublime. Penso que os moderadores deveriam escolher melhor as postagens dos participantes.
Olha que eu gostava, admirava muito os diálogos anteriores. Perguntem aos senhores Nardonis da vida o que é o amor! Jesus amava o sacrifício não abandonou a palavra amor dos seus semblantes. Perdoe-me Sra. Ianê!

Ianê Mello disse...

Anna,

respeito sua opinião, assim como respeito as postagens de meus
colaboradores.

Não tenho a intenção de cercear a livre expressão, nem de filtrar as postagens de acordo com um julgamento que se basearia apenas na minha opinião.
Só não permitirei postagens nitidamente obcenas ou ofensivas.

Criei esse blog pra que se dê o diálogo e dialogar é respeitar a opinião alheia, mesmo que diferente da sua própria.

Agradeço a participação e convido-a a escrever um poema que expresse a sua forma de ver o amor, que, se assim desejar, aqui poderá ser publicado.

Grande abraço.

Ricardo Fabião disse...

Anna, primeiramente, você se contradisse. Se você abre sua argumentação afirmando que o amor é uma palavra subjetiva, é porque ele será sempre interpretado de forma muito particular por cada um que dele fizer uso.
Se é subjetivo está sob 'a visão' do 'sujeito', ou seja, daquele que produz o texto. Por isso se diz que poesia é um texto subjetivo; porque não ela tem intenção de ser conceitual ou explicativa.

No caso das postagens acima, relendo-as, percebo que a minha é a que mais foge ao sentido do "amor sublime" mencionado em seu comentário.

O amor ao qual me refiro no poema postado é essa "confusão" de sensações e comportamentos comuns aos que se dizem amantes, amados e apaixonados.

O que fundamentalmente você precisa entender, como leitora de poemas e obras literárias, é que eles não são feitos para endossar razões e ideários de leitor. A literatura não é continução da realidade; existe separadamente.

Não busque espelhos nos textos poéticos porque eles não foram feitos para agradar ninguém.

Não defendo aqui uma conceituação sobre amor, mesmo porque, se é uma palavra subjetiva, não há como enquadrá-la em uma única definição.

São sensações, sentimentos, cada um sente à sua maneira.

É preciso que você entenda que nem todos tem a mesma experiência amorosa.
Alguns, sobre o amor, só têm tristes recordações.
Foi amor? Foi paixão? Foi enrolação? Uma enganação? Aventura? Invençao?
Não sei...
Sei que as pessoas usam o termo "amor" para identificar esse tipo de relação.

Agora, se você precisa realmente ler textos que mencionam apenas o amor "sublime", evite os textos literários; procure os textos religiosos. Eles certamente atenderão aos seus anseios. São retilíneos, previsíveis, e costumam contemplar apenas um lado das questões analisadas.
Faça isso.

Termino.
Ricardo.

Rodrigo Della Santina disse...

Entendo o que a Anna disse e acho que ela tem sua razão, já que se fala de opiniões e conceitos subjetivos. Mas, tratando isso de modo direto, deixando de lado um pouco a subjetividade, creio que se confunde (e não me retrinjo a aqui) amor com paixão. Este um desvario de sentimentos (para ser curto) e aquele algo mais sublime, mais calmo, consciente, como em O Banquete, de Platão. Nesse ponto, o que disse Anna faz total e correto sentido.
Abraço,

Lice Soares disse...

"Só se pode amar nu"

Dá-me uma verdade maior?
Não, não há.
Parabéns.

Ricardo Fabião disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ricardo Fabião disse...

Acredito que não seja intenção da organizadora do blog analisar ou interferir na subjetividade de cada um dos participantes. Quando um dia isso for feito ela perderá muito dos seus colaboradores, que costumam postar aquilo que lhes "parece" estar relacionado ao tema.
Se as pessoas quiserem comentar sobre o texto (poeticamente, estilisticamente) é bastante válido. O leitor participante pode, inclusive, para expressar seu ponto de vista adverso, postar também um texto. Isso sem argumentar tão enfaticamente contra a visão do colega.
Aqui não há lugar para conceitos ou explicações. É um blog artístico.
Que ocorram discordâncias de opiniões é natural.
Mas não se pode invadir a subjetividade alheia, tentando fazer valer a sua.
No meu caso, eu quis retratar um amor de duas mãos. Com satisfação e sofrimento. E É UM TEXTO POÉTICO, NÃO É TESE DE DOUTORADO. NÂO TEM QUE SER VERDADEIRO OU PROVAR ALGO.

Mas peço ao senhor Rodrigo que leia atentamente as palavras de Anna.
"Penso que os moderadores deveriam escolher melhor as postagens dos participantes.
Olha que eu gostava, admirava muito os diálogos anteriores. Perguntem aos senhores Nardonis da vida o que é o amor!"

Penso que quem desvirtuou o assunto foi ela. Quem falou em noitada? Álcool? Assassinato?

Quanto à Jesus, sim, ele se sacrificou pelo seu amor, sangrou, doeu, agonizou, insistiu, sobre um vivendo-e-morrendo intensamente... (termos usados em meu poema) Poucos sofrerão como ele em nome de um amor.
E os amados por ele correspondem este sentimento à altura? Amam Jesus do mesmo jeito que ele os amou?
O amor, mesmo o mais sublime, tem seus momentos de conflito, porque implica ajustamento de uma pessoa à outra.

MAS, ainda repito que mencionei no meu poema outras acepções acerca deste sentimento.

Ah, e não vou insistir nesta discussão; se os senhores quiserem continuar pesando na mesma balança "o que deve ser" e "liberdade criadora" aproveitem, pois encerro aqui meus argumentos...

Termino.
Ricardo.

ღPat.ღ disse...

Apareceram mais poemas... e muito bons! Parabéns aos Poetas deste canto.

Aprendi que devemos interpretar o que as pessoas escrevem do nosso jeito, ao nosso modo. Tentar adivinhar as intenções e emoções de quem escreve é naufrágio na certa. Por isto, cada vez que leio um poema, ou um simples bilhete... faço a interpretação do que aquelas palavras me fizeram sentir. Se é assim o mais 'correto' eu não sei, só sei que deu e muito certo.

cumprimentos,

Ianê Mello disse...

Quero parabenizar à todos os colaboradores pelas lindas postagens com que sempre contribuem.

Não nos deixemos perder em provocações.

Esse blog é para dialogarmos livremente e sem isso ele perde a finalidade com que o criei.

Vamos em frente...

Dialoguemos...

Grande beijo à todos.

Rodrigo Della Santina disse...

Meu caro Ricardo, não sei por que ficou tão alterado com uma simples discussão de opinião. Como você mesmo disse, cada um pode comentar o que quiser, discordando ou concordando com o texto postado. Enfaticamente ou não. Afinal, é a opinião de alguém. Se ele, o texto, é poético ou não, isso não se discute (já que o que se discutiu foi a temática), afinal a proposta é poesia, apenas concordei com a opinião (que achei pertinente) da cara Anna quanto ao tema amor e sua definição. Nada mais.
Fique com Deus,
Abraço,

Ricardo Fabião disse...

Rodrigo, a Anna disse que estávamos fugindo ao tema... mas o que é fugir ao tema, se cada tem uma significação para "amor"?
Você entendeu o meu posicionamento?
Ela disse que deveriam 'filtrar' as postagens pois havíamos fugido.

Olha um exemplo:
numa postagem anterior acerca de uma mulher toda desenhada com motivos egípcios, veja como foi sua postagem:

"Minha alma é jovem como um poeta inato:
Guarda em seu íntimo a necessidade
Austera de contemplar-se a si, fazendo
O todo não ser mais que a própria parte."

(para mim, foi a postagem mais rica de imagens e sentidos desse diálogo... exatamente por não ter sido tão previsível quanto ao tema)

Alguém, no entanto, analisando as outras postagens, poderia dizer que a sua postagem não fala sobre a mulher ou sobre os desenhos em seu corpo. Estaria certamente interferindo na sua liberdade de criação. Por que não elogiar o seu estilo, suas metáforas, sua poética?

Em nenhum momento pensei em sua postagem como algo que não tivesse atendido à postagem-central. Ora, é um texto poético, e, sinceramente, não tenho que dizer ao autor da postagem que ele fugiu ao tema ou não. Ele é poeta, sabe porque está postando aquilo. Isso aqui é inquestionável.
Foi sua visão sobre o tema, e foi muito significativa para enriquecer o propósito do blog.

Anna disse que nós fugimos, e não foi nenhum pouco sutil quanto a isso.

"Olha que eu gostava, admirava muito os diálogos anteriores. Perguntem aos senhores Nardonis da vida o que é o amor! Jesus amava o sacrifício não abandonou a palavra amor dos seus semblantes. Perdoe-me Sra. Ianê!"

De qualquer modo,
não fiquei chateado com você por tê-la defendido, mas (isso não é para você) quero ser respeitado quanto às minhas postagens, como respeito a dos outros.

Meus comentários são sempre em torno da linguagem e da poética, nunca sobre o conteúdo, porque sua ligação com o tema central é subjetividade do autor.

Abraço sincero.
Fique também com Deus.

Ricardo.

26 de abril de 2010 13:02

Rodrigo disse...

Entedido, meu caro. Eu apenas defendi a questão da definição do amor - o que pode não ter a ver com a sua defesa -, pois entendi que Anna acreditara que os textos postados acerca do tema em questão não falavam necessariamente de amor, e sim de paixão ou coisa que o valha. E foi nisto que concordei com ela; não exatamente quanto à expressão poética (os poemas) dos colaboradores, incluindo você, mas quanto ao tema, como definição filosófica, para explicitar melhor. Mas entendi o que me você me disse.
Quero agora agradecer ao elogio proferido acerca do meu crime poético: muito obrigado: deveras gratificante e estimulante e desejar-lhe que fique com Deus.
Um abraço,
Rodrigo

Jairo de Salinas disse...

Uma roda de hermenêutica jamais definirá o destino de um texto. Pelo contrário, ela aumentará, pela força e poder dos raciocínios, a quantidade de caminhos.
"Um texto é uma máquina preguiçosa que pede a cada leitor que lhe auxilie". (Umberto Eco)
Parabenizo a todos pelas participações. Penso que isso seja fundamental e, estritamente necessário para os integrantes desse espaço.
Vlw, pessoal!

Rodrigo Della Santina disse...

Que o blog continue progredindo e poetando! Não?
Abraços,

Ianê Mello disse...

É isso mesmo, meus amigos, continuemos nosso diálogo poético, com total liberdade de expressão, que sempre foi o objetivo desse blog, por mim criado.

Respeitemos as diferenças e divergências de opinião, usando-as para o nosso crescimento e amadurecimento de atitudes e idéias.

Grande abraço à todos.

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