O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ausência

"Barco" de Fabiana Alves

Você diz sem dor, mas é a dor que me entorpece
A vida, que estilhaça os meus sentidos. Antes
Eu tinha um desespero altivo, uma importante
Forma de me suster o espírito. Acontece

Que o tormento é premissa grega. E se ele esquece
Um momento de seu ofício, após garante
Que se nos cumpra o mesmo. Assim mudou-se o
                                                                                [instante;
E a Voz do rei de Tebas ora me estremece

As pernas e me queima os pés. Agora cada
Lado da estrada, cada sombra deste ser
Intemporal se curva ante a fortuna amarga

E me transforma a vida neste malmequer...
Pois já não sei de nada; já não sinto nada;
Nem quero sentir nada; e não sei bem por que.

RODRIGO DELLA SANTINA



Diálogo Poético- Colaboradores: Fabiana Alves (foto), Rodrigo Della Santina

7 comentários:

Marta disse...

Ausência nem sempre é solidão...
Ausência é o olhar vazio de quem já não sabe o porquê das coisas.
É a dor de quem o lê e se sente perdida, porque as palavras esgotam-se.
Ficam opacas, densas, enrolam-se na língua....
Ausência é estar neste mundo, fisicamente, mas espiritualmente, estar no outro lado do rio da vida...

Beijos e abraços
Marta

Efigênia Coutinho disse...

E me transforma a vida neste malmequer...
Pois já não sei de nada; já não sinto nada;
Nem quero sentir nada; e não sei bem por que.

RODRIGO DELLA SANTINA

BRAVO!!!
Valeu ler voces hoje.
Venham torcer junto
comigo na COPA 2010,
Efigenia

Maria Carolina S, disse...

Lindo poema!!
A dor espreita a vida como o vento balança as folhas, é algo inevitavel e ao mesmo tempo magnífico!
Primeira vez no blog ... adorei

Rodrigo Della Santina disse...

Cara Marta, sim: a ausência um esgotamento. Fico contente e grato pela visita!

Cara Efigênia, muito obrigado: fico deveras contente que tenha apreciado meu soneto e lhe causado alguma sensação.

Cara Maria, que bom que sua primeira impressão do blog tenha sido positiva. Fico feliz com isso; inda mais por ter sido sobre um poema meu.

Grande abraço às três,
Rodrigo

ღPat.ღ disse...

A dor pela ausência é capaz de machucar ao ponto de anestesiar a alma.
Lindo poema,

Beijo.

Ianê Mello disse...

O tempo... o tempo tudo supera. Até a dor mais artróz. Bjs.

Rodrigo Della Santina disse...

Obrigado, Pat e Ianê, pela apreciação do soneto. Sim, a ausência fere profundamente. E com relação ao tempo como remédio, há um poema meu ("Demissível"), postado em meu blog o mês passado, que, embora não descreva a dor nas mesmas consoantes que este, roga e aguarda esperançosamente a ação do tempo. Fiquem à vontade para lê-lo e, se ele puder tanto, apreciá-lo.
Grande abraço a vocês,

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