O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Patente


Patente

Eu mascarado e inerte
Não acho que tenha verve
Sou ostra com uma perola
Mesmo que seja um grão

Na escuridão é grande
No espaço não é órfão
Parece letra de musica
Um bêbado equilibrista

Não sonho com mil noites
Nas Arábias o na liberdade
Como Yakissoba de garfo
E nem pelos cabelos arrasto

Mas se o joelho esfola
Vamos rezar sentado
Nunca anjo nem no eclipse
Não sou soldado raso

Ulisses Reis®

 
Na metáfora escondo
o meu medo de amar.

Talheres, gemidos
sobrepostos na mesa
faminta, a alma se rebela
e... revela o quanto
castiçais não iluminam mais
nenhum sonho bom.

É outono ainda...

folhas secas, palavras ocas
em nossa boca
não nasce mais manhã.

Lou Albergaria

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Majestade






Nesta erótica cidade
Você vem e é agilidade
No manuseio de boca
Muita capacidade
Com a língua acuidade
Como posso não sentir
Vaidade
Pois tens carinho e é beldade
Com esse simples ser
Autenticidade
Quero toda tua erótica
Apetibilidade
Teu gosto pela vida
Ferocidade
No sentimento felicidade
Onde teu sorriso marca
De toda divindade
Mas o que mais me aguça
Eroticidade
Que freqüentemente mostra
A verdade
Do sentir a libido disponibilidade
E toda a mágica luxuria
Que não esconde deidade
Você me fascina ludicidade
Espero que um dia venha mais
Para ler e ser a minha
Fertilidade


Ulisses Reis®

domingo, 17 de outubro de 2010

Saudoso




Que a beleza de tua áurea
Seja em mim clara e bela
Que você esteja presente
E eu amor a ti ardente
Quero mais a felicidade
Mesmo na nossa idade
Teu sorriso me ilumine
E me deixe assim sublime
Quero desejo e tua sedução
Para meu corpo em aflição
Que faça de mim tua cama
Que deite e faça tua fama
E depois um macarrão
E voltemos a nossa união
Estou saudoso de ti

Ulisses Reis®

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Voo cego





Há dias que no céu me vejo,
sou passarinho sem ninho.
Voar é apenas desejo,...
Ícaro a tentar sozinho.
Delírios de homem alado,
em um sonho proibido.
Finco meus pés ao chão,
e voar já não consigo.
Cai a chuva a lavar minh´alma,
solidão é já partida.
A noite traz a lua alva,
renasce o sol,.. renovada
Vida!!!


Reinato Oliveira




São dias de vôo cego
Onde ando sem apego
No chão não tem desejo
Soa nos ares e nas estrelas
Mas nos dias de vôo cego
Eu que sempre te almejo
Viajo até tua’lma
E lá no fundo me vejo
Nos dias de vôo cego
Nada mais, só você desejo!


Ulisses Reis®

terça-feira, 12 de outubro de 2010

É urgente



E tempo
É o que nós não temos.
Somos um segundo
No universo da existência.
Uma luz fugaz
Nesse buraco negro
Onde tudo termina.
Por tudo isto
É urgente
Que as palavras
Se tornem carne.
E a carne
Se torne prazer.


Bravo





Não fales do tempo que resta...
Fala-me de ti...
Sabe de mim...
Beija-me, ama-me, deseja-me....
Não quero estar presa aos ponteiros do relógio; não se quero se tens apenas 10 minutos...
Quero memorizar todos os detalhes desses 10 minutos...
E saborear cada beijo, cada carícia, cada gemido 100 vezes a multiplicar por milhões e milhões de minutos...





Marta


Minha Urgência

Urgente em mim
É um ser demente
Que fingi existência
Pois isso é resistência
Ao que não alcança
E faz em si falência
Perde a luz e esperança
Deixa passar uma ausência
Do esperado o ser alado
Anjo delgado cheio de curvas
E que nas nuvens tem olhar
Para eu aqui voltar ao prazer
De viver com a esperança
E saber que um dia se alcança
Mas na urgência vem a demência
E eu fico sem audiência

Ulisses Reis®

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Como o fluir de um rio


Jonh Collier " The Water Nymph "

 

 

Gostaria de poder chorar
e em minhas lágrimas derramar
todo o pranto
em meu peito congelado
em momentos de espanto.
...........................................

 

 
Ianê Mello

 

Não Chores


Quando passamos pela noite fria,
E o gelo cai sobre a nossa morada;
Precisamos vicejar a alvorada,
No entanto a dor ainda nos alicia...

Amor, esqueça a passagem sombria;
Deste mundo não levaremos nada!
Olvida aquela hora mal amada.
— Tu és forte p’ra vencer a ventania!

Quando o coração estiver palpitando;
Contempla uma rosa feliz se abrindo,
E, lento, o perfume se revelando...

Verás o lado da vida, que é lindo!
Esquecerás o passado, — Cantando!
Seguirás o teu caminho, — Sorrindo!...

Machado de Carlos
Publicado no Recanto das Letras


Festejar

Derramar só teu bálsamo
Nada de lagrimas por um falso
Deixe-as para alegria que vira
Sim estamos no outono
Frio e vinho vá degustar
Que a verdade das uvas
Baco de ajude a esquentar
E assim teu sorriso e brilho
Quero mais é ver espantar
E com teus olhos espargir
O teu carinho difundir
Não, não vais chorar
Vai sim levantar teu olhar
E festejar


Ulisses Reis®


Deleite

Deslizantes águas do rio
Escapolem aos olhos meus
E seguem sem deixar rastros.
Tal qual o vento que passa
E dialeticamente ultrapassa
As cinzas das horas mortas.
Assim sou eu em teus braços
Esqueço a dor e o fracasso...
Teus seios me abrem portas.
Jairo Cerqueira


Tenho que chorar...
Expulsar esta dor...
ter paz no pensamento....
Deixem, deixem que chore....
Não me torturem.....
Não, não me digam nada...
Apenas deixem que eu grite....
Depois, talvez aceite esse abraço e chore baixinho no teu ombro....


Marta




Diálogo Poético - Colaboradores : Ianê Mello (imagem e poema) , Machado de Carlos, Ulisses Reis, Jairo Cerqueira, Marta


 

terça-feira, 25 de maio de 2010

AH, O AMOR....


Necessito um Amor
que não precise saber
que dia é hoje
Ou que horas são

Se o time do coração

perdeu ou ganhou.

Necessito um Amor

que se afunde em meu peito

sem precisar abrir

minhas pétalas

Ou sugar-lhe o Néctar.

Necessito um Amor

que pouse mansamente

aconchegue-se

com seu calor, sorriso e querência

olhar devotado em admiração.

Necessito um Amor
que me Deseje
não apenas na Moldura
Nem queira me fazer tua Escultura.
Acaricie minha pele
enevoada e translúcida
em beijos delicados de Ternura.
Anoitecida em Pecado
Amanhecida em Concha
Num Abraço interminável
que Me derreta
toda essa encouraçada Armadura.
Não há Nada mais Redentor
que 'pecar' com quem se Ama...
Mas receio que o Amor não queira mais me Amar.


Lou Albergaria



Amor


Meu amor é incondicional
Tem momentos de ficcional
Mas sempre muito emocional
Daqueles sem razão visceral
Que consome e revela o animal
Que mostra meu interior fractal
Que deixa meu dia amoral
E mostra tudo que tenho um astral
Preciso de você sem dor abdominal
Que venha para ser minha catedral


Ulisses Reis® 




Fome De Amor

Pintura de Salvador Dali


A fome que sinto
não é de comida
É de amor...
Que me rói 
o estômago
me corrói as vísceras
Nada preenche
nada basta
nessa falta de tudo
que me arrasta
ao fundo 
mais profundo
de mim mesma
E essa ânsia 
que me queima o estômago
me consome as entranhas
me rasga
me dilacera
Coração e ventre
Ferida aberta
Aberta ferida


Ianê Mello



Diálogo Poéticos - Colaboradores: Lou Albergaria , Ulisses Reis , Ianê Mello

terça-feira, 11 de maio de 2010

MUSOS E MUSAS - MUSGOS E MOSCAS



Óh, grandes e 'incalculáveis'
Musos e Musas
de uma Vida
eloquente, fremente
que circuncida toda a demência
e tangencia
a obviedade ausente.

Não aprecio apenas
fotografias, coiotes
e gases poluentes
da Metrópole insandecida
por seus fluidos
em carne latente.

Tenho muitos musos e musas
musgos e moscas

Muros Ausentes.

Apenas uma singela cerquinha de arame
separa-me do tesão que me desnuda
e arrepia-me até à semente.

Nada que qualquer unha encravada
não arrebente.

Mas é preciso ter "culhões"
de soberbos calibres
para adentrar minha jaula
e não ser antes do fim

Devorado

Ou ficar, ali mesmo, acorrentado
para sempre...



Lou Albergaria



Muso

Minha ternura é minha força
Minha passagem de euforia
Fiz o que pude para vencer
Mas minha vitória era para
O teu prazer
Na Sierra fui o rei
Depois voltei a ser fora da lei
Conquistei corações entre vocês
Na minha moto me construí
Vi a miséria latina sem fim
E com amores tive batalhas
Não só nos confins
Sou camiseta e boina
Sou eu um emblema
Para alguns ainda problemas

Ulisses Reis®


Diálogos Poético - Colaboradores:Lou Albergaria, Ulisses Reis®

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O SOL QUE NUNCA SE APAGA



Escrevo porque transbordo
como se as palavras começassem a escorrer de mim
pelas minhas pernas...

Uma secreção que não cessa
abundante e fluida
límpida;
parece seiva elaborada que desce pelo caule
para nutrir folhas e galhos

Ou clara de ovo em brasa
quente,
como se jorrasse do centro da Terra
Para acender essa energia vital
e abastecer de chamas
o fogo da minha essência.




Mais um poema do livro PESSOAS E ESQUINAS.



Prazer G.

Minha bela, quente e doce Vênus:
Voei!... Visão genial!... Pousei em teu corpo!...
— Animal eu sou!... Devorei teus lábios
Pintei tua aquarela com tintas íntimas...

Quimeras!... Uma lubrificação intensa!
Misturas de corpos... etc, etc e tal
Estímulos freqüentes, prazer genial
Oh escondida! libertei-te ao vê-la!...

Sim, sim, sim... Tu és meu mundo, menina!
Mergulho neste clímax... profundo...
— Fora tabus! — Que viagem gostosa!

... num monólogo acaricio tua rosa;
tua ilha; na base, na haste e na coroa
!... Incríveis momentos de maravilhas!...

Machado de Carlos




Invictus

Comigo o sol nunca se põem
Pois sou irmão de luz
Trago dentro de mim todo calor
De um ser que é iluminado
Pois pense e cria
Juntando palavras a fio
Para que teu dia nunca seja frio
Trago carinho para aquecer
Nunca de ti vou esquecer
E a luz para teu caminho
Não vai se perder
Se de eu precisar, faço ferver
Teu sangue com caricias
Tua temperatura vai erguer
E tua libido terá prazer
Eu sol vim te ver

Ulisses Reis®



Diálogo Poético   - Colaborador: Machado de Carlos, Ulisses Reis®  


quinta-feira, 29 de abril de 2010

O COIOTE


Não sinto você uma pessoa.

Sinto você um sentimento
soprado pela maresia
de algum final de tarde
céu alaranjado de alegria
e quente...
ou, simplesmente,
soprado por algum arcanjo.

Derrama seu orgasmo sobre o mundo
e no escuro impenetrável
da minha alma...

Lou Albergaria



Medroso

Hoje sinto que me conhece
Melhor e com esperança
Deixa que eu avance
Pois tenho meu tempo
Sei que é difícil
Mas não sou impossível
Só lobo perdido
Isso já lhe disse é audível
Quase gritante lobo carente
Medo sempre habita
Mas você mostra que
Tudo pode e deve mudar
Mesmo desgarrado e fugitivo
Pode na montanha estacionar
E nos teus cabelos embrenhar
Mas tudo muito sereno
Neste instante percebe
Que eu espreito devagar
Sinta nas poesias como
Soa meu querer estar
Pois sou meio ou muito
Cauteloso, você diria medroso
De você aceito este adjetivo
Contundente e não muito precioso
Mas sei que teu afeto é
Para poucos afortunados
E que teu poder é pura sedução
E tem aqui neste valoroso ardor
Nunca deixei a construção
Só mudei o arquiteto
Do chão ao teto


Ulisses Reis®


Delírio

Ah, e se meus portões forem abertos,
E se essa ânsia estender-se ao máximo,
E se depois ele sair do seu esconderijo,
E se me tomar onde separo meus vãos,
E se me subir à cabeça e eu mais descer,
E se assim eu mais permitir de me perder,
E se não houver tempo de mais respirar,
E se explodir o chão perto de mim,
E se todas as palavras caírem para dentro,
E se tudo que guardo for embora junto,
E se nessa aventura de juntarmos um,
E se for tão rapidamente que se apague,
E se minhas frases não tiverem força,
E se depois um nada me tomar a mão...
E se você não aparece eu invento tudo
E se há não matéria nesse meu delírio
Há somente noite, dedos e segredos,
E silêncio.



Ricardo Fabião


Dialogo Poético - Colaboradores: Lou Albergaria, Ulissses Reis, Ricardo Fabião

Cores e versos





Quero
Ao menos
Um dia
Que seja
Todo feito
De cores
E versos

Um dia
Sem temas
Sem assuntos
Sem eventos
Adversos

Os pensamentos
Submersos
Num mar de chá
De canela
E maçã

Um dia
Assim...
Meio Amsterdã


Arte e texto: Zélia Guardiano



Tenho


O que tenho é puro alimento
Basta para mim com aviamento
Me abasteço nas sete cores
Que saudades ter os mesmo amores
Ainda não aprendi sou multicores
Saio e caminho pelos corredores
Onde ainda tenho marcas
E em certo ponto dores
Mais sei sentir o vento
Ele sim é um alento
Aquele que traz um maravilhoso
Movimento
Amo as ruelas de Ouro Preto
Mesmo na escuridão
Lá almas vagueiam são uma
Multidão
Nunca serei completo
Me sinto ainda um deserto
Sou um ser demente na procura
Do certo
Ainda bem que temos sede
Isso é viver não só de concreto
Mas querendo mais, não o exato
Mas o que me faz muito pensar
Tudo aquilo que é incerto
Que me remete a discutir
Não nasci para ser somente
Um pequeno inseto




Ulisses Reis®




Diálogo Poético - Colaboradores: Zélia Guardiano (arte e poema), Ulisses Reis

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Quando Jaz um sentimento




Bate o coração dentro do peito
Desafiando a lucidez de uma razão           
Explode loucamente e desse jeito
Acaba de uma vez seu sofrimento. 
Descompassando cada vez suas pancadas
Digladiando com a massa cerebral,
Bate o coração dentro do peito
Anunciando o seu estado terminal.
           
 Triturado por um cérebro pensante
 Jazendo derrotado e amargurado
 Vendo o túmulo que está ao teu aguardo
 Levanta a seguinte indagação...

_ Fosse esta briga com um cérebro idiota
Estaria eu caminhando para a morte?



Jairo Cerqueira  2004



Jazeis


Aqui escutando jazz
Que como o amor
Vem sincopado
E cheio de improviso
Jazer olhando o teto
Ainda me inflama
Sentimento e jazz
Nos dois
Mudanças rápidas
De tom e humor
E meu coração
Bate no ritmo
Do viver
Tem percussão
Mesmo jazida




Ulisses reis®




Diálogos poéticos: Jairo Cerqueira, Ulisses reis

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