O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Poemas a duas mãos

by Escher

Brancas trevas

O pincel me obscurece a mão
E a pena canta-me essa sombra,
Como canta o poeta sem a Musa.
Mas a pena não é a solução,
Nem o poeta,
Nem o seu pranto.

A solução é a dor,
A perene,
A santa,
A que esquenta as mãos frias
No fogo escuro do meu peito
E faz do meu pranto um milagre.

(Fabiana Alves e Rodrigo Della Santina)


O canto do pássaro

O pássaro, muito esperado, sussurra para o poeta
                                                                                impenetrável
A vida tormentosa, e indefinivelmente canta a espada
                                                                                   indissolúvel.

(Fabiana Alves e Rodrigo Della Santina)


Os três elementos


A valentia substancial aborrece a alienação admirável;
O ritual, rasgado, ratifica o vaso rústico;
E o boneco brilhante brinca nos bosques bizarros.

(Fabiana Alves e Rodrigo Della Santina)

FABIANA ALVES e RODRIGO DELLA SANTINA

9 comentários:

R.B.Côvo disse...

Gostei desse trabalho conjunto. Trabalho, não, desculpem, escrever é um prazer. Abraço.

Rodrigo Della Santina disse...

Obrigado, RB! Ambos agradecemos o gosto. E pode ser trabalho, sim, não tem problema.
Abraço,

Mgomes - Santa Cruz disse...

Olá: lindo poema escrito a duas mãos gostei mesmo que tivesse sido escrito só por uma mão.
Beijos e abraços.
Santa Cruz

Elias Balthazar disse...

Interessante a fusão poética e ótimo os versos resultados

O que me toca:

canto do pássaro

O pássaro, muito esperado, sussurra para o poeta
impenetrável
A vida tormentosa, e indefinivelmente canta a espada
indissolúvel.

(Fabiana Alves e Rodrigo Della Santina)

Rodrigo Della Santina disse...

Obrigado, Mgomes, obrigado, Elias... Agradeço em meu nome e no dela a lisonja que nos dedicaram. E ficamos contentes por nossos versos terem tocado-lhes!
Grande abraço,

Graça Pereira disse...

As mãos misturam-se na ventura
De muitas palavras cruzar
Afastam toda a amargura
E não nos querem ver chorar!

Beijo e uma boa semana.
Graça

Daniel Hiver disse...

Gostei de ficar aqui imaginando como deve ser espartana essa valentia substancial que aborrece a alienação admirável...
Perfeito!

Rodrigo Della Santina disse...

Olá, Daniel! Olá, Graça! Muito obrigado pela leitura de vocês! Ficamos deveras contentes e gratos por terem gostado de nosso singelos versos...
Grande abraço,

Marcelino disse...

Os textos ficaram tão bem casadinhos que parecem compostos por uma só alma poética. Parabéns!

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