O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Dialogo Poético: Beto Palaio e Ianê Mello





AMOR, SEMPRE O AMOR


Viver dançar amar: ou um ramo da solidão a dois, ou um incesto de amor dolorido, ou sonhos de um tango doce e rasgado...

Amor que arde nas entranhas
amor cavalgado em noites sem dormir
amor colorido em arrebóis
amor desbravado entre os lençóis

Desleixo desejos arrepios: ou um estremecimento ardente, ou um suspirar em entregas, ou um arremate em gozo...

Arrepios em pelos fartos
adocicados sabores
gotejares úmidos
fluidos em sentires

Amor finito apaixonado: ou o final de um ato sagrado, ou a paz de guerreiros insanos, ou o inicio de um recomeço...

Urdiduras em teias
emaranhados em nós
tecituras amanhecidas
em auroras douradas de sóis

Lágrima paixão dor: ou respingos de néctar sorvido, ou regato de lágrimas no anseio, ou ponta de plenitude no estio...

Nevascas intempestivas
em cruezas de dúvidas esquecidas
resgates em mar bravio
corpos ilhados no azul

Romance paz languidez: ou desejos plenamente atendidos, ou sono que enrodilha e cega, ou despertar de corpos enlaçados...

Na manhã que descortina
prazeres saciados
em nesgas de sol por entre as frestas
nas paredes do quarto amarelecidas

Confissão despropósito recomeço: ou o duplo criador enrodilhado, ou as mãos que descansam na procura, ou o despertar insaciável da véspera...

Zen, bem, meditativo êxtase
silêncios improrrogáveis
em palavras que despertam
no amor que explode em versos


Beto Palaio e Ianê Mello


*
Pintura de Wladimir Kush


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