O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




domingo, 25 de setembro de 2011

Vozes em Madrigal - domingo de poesia-Vamos brincar de criançar-metamorfoses




Ser criança

Criança, é uma flor em botão
que desabrocha lentamente 
enquanto vai colhendo experiência
por onde passa, 
é um metamorfosear 
transmutando energia 
em sabedoria e conhecimento,
É sorrir de alegria correndo atrás
de bolinhas de sabão
é pular corda até cansar
é jogar amarelinha,
é gargalhar de cosquinhas
mostrando janela de dente
fazer peripécias, contar histórias
ter medo de lobo mal
sonhar com o príncipe encantado
olhar as nuvens dando asas a imaginação.

Enice de Faria



Do Passado

Eu sou aquela que nunca fui
mas queria ter sido
olharzinho enlevado
boquinha mimosa
princesinha formosa
ai neném

Giselle Serejo


Sou essa

índiazinha do vento norte
toma banho de rio ao nascer do sol e corre dos jacares
brinca com taratrugas
come fruta do pé
tem casinha de boneca debaixo da árvore
e sonha..ser a feiticeira da sua tribo
sonha..sonha...

Giselle Serejo




De hoje

Sou a que esfrega a pele
para ver se rebrota..
a criança
as vezes ela vem
outras fica de birra
diz que não vem
estou esfregando..até sair sangue
até conseguir evoluir.

Giselle Serejo




Sim é essa também sou

Tem a cara da neta na minha..
minha emoção se fez maior
do meu sonho eu fantasio
quando em mim penso em Luiza..Maria Luiza ..
tão longe e tão perto
viro vovó da pequena
vale tanto a pena.

Giselle Serejo




Hoje menina-velha

Só por hoje sinto as circunstâncias..
estou velha para parir
então faço parto para que outras nasçam por mim...

Giselle Serejo


Metamorfases

Cedo hoje saí primaveril de dentro do ventre da mamãe
cantigas de ninar me esperavam rindo de minha nudez
singela, pura e banquela
estou tão feliz..sou eu-menininha.


Pequena nudez

Delicado grão sem olhos
por pouco tempo...
metamorfoseando-se vai seguir
construir mundo imaginários
por enquanto dorme.

Giselle Serejo 




Bolinha de gude, tec tec...
amarelinha, pula, pula,
cabra cega, ué, cadê?

É tão fácil ser feliz, 
as crianças se contentam!!!!

Sorrir e descobrir o mundo...
Não abandonem sua
criança, essa sim, que tá aí dentro sentadinha,
esperando pra brincar e sorrir!!!

Rosana Mitraud


Ai que saudade...
que eu tenho do tempo,
em que brincar era a vida.
Quando a boneca era filha,
e a bola girava,
esse era meu mundo!!

Agora, ai que saudade ....

Rosana Mitraud




CIRANDA

sorriso pesado
lábios de pedra
não consigo
me abrir
olho pela janela
lá vem ela
esta vontade
de sumir
de quebrar mitos
dessagrar ritos
de me esvair
e se no fundo
só sobra
este mundo
eu quero
uma roda
em que
eu brinque
de ciranda
azul lavanda
até o céu dourar
e o sol beijar
um colibri

INFÂNCIA

um colibri no quintal
flores amarelas
passado com fome
gosto de sal

na pele
o suor se esparrama
dos olhos
cai a escama
de todo o mal

rubra boca
vinho tinto
saudade louca
do que
já não sinto
e se sinto
minto
a vontade de
rodar ciranda
com as roupas
no varal

Cristina Desouza


ZULMA GÁLVEZ MORAZÁN,menina linda,
garifuna,
once anos e once soles de pavor,
día e noite lava e frota nos farrapos ,
tac-tac!,plas-plas!.

Noite e día ,lava,frega ,tende,
mentras no seu lombo esfameado
o sol pousa os seus sonhos de color.

ZULMA GÁLVEZ MORAZÁN,menina linda,
garifuna,nom sabe de escolas,
mentras lava nos farrapos sonha
em peitear umha boneca de trapo.

tac-tac!,plas-plas!

Antom Laia Lopes


EMOÇÕES EM SOPROS 

Escolhi pequenas porções de manhã
Para brincar de domingo
Como num conto de fadas
Onde arco-íris passeia livre
e orvalhos nas folhas matam a sede
Quando pássaros falam conosco em seu canto
e formigas trabalham sem temer os pés
Porque compreendemos a alma do mundo
que se entrega lúdica em nossas mãos
Qual herói de histórias de criança
que cai do alto e se levanta sorrindo vida.

Sílvia Mello

sola sapato
rei rainha
sou cigarra e formiguinha
sentadas num guardanapo

borboleta e tartaruga
lebre veloz e saltão
sou princesa sou anão
bruxa velha com verruga

bato as asas de mansinho
perlimpimpim chego ao céu
com estrelinha no chapéu
o boi vira passarinho

sarabico bico bico
já sou grande já cresci
um dois três eu já vos vi
vai-te embora mafarrico

ó papão andor andor
de cima do meu telhado
quero dormir sossegado
no colo do meu amor

antónio castanheira



eu, fazedor de artes
infância vestida
de terras e plantas
brincava de felicidade
no sítio do papai!

Ydeo Oga

o gato preto

eu tinha um gato preto
manhoso e brincalhão
companheiro
da minha infância

diziam para mim...
ele tem sete vidas!

menino arteiro que era
mil vezes tentei
mil vezes ele escapou
ah! ele tem sete mil vidas
isso sim... 

ydeo oga


Caminho suave

Tem crianças que aprendem a gostar de livros com os pais.
Não lembro uma única vez de ter ouvido minha mãe lendo algo para mim.
Tenho outro tipo de recordação dela em minha infância, mas essa está em branco. 
A escola fez isso por mim.
Aprendi a ler em uma linda escola na cidade de Aluminio/SP.
Isso esta pintado em minha mente em todos os seus detalhes como um bonito quadro de Van Gogh. 
E eu como se estivesse em pé, olhando a paisagem do campo.
Era um momento único
Quebraram a monotonia de minha existência 
Tem sido sempre assim, sempre quando minha solidão parece insuportável.
È para a infância que vou em busca de socorro
Os anos que transcorreram: Nunca esqueci. 
A grande lousa e a professora colocando figuras com as vogais.
Com o tempo outras cartilhas foram surgindo e mudaram as regras.
Para mim foram sempre essas: A de abelha, E de elefante, I de igreja, O de ovo e U de uva”.
Não eram simples adesivos, tomavam formas, criavam vidas.
Sempre amei a escola, não as badernas que hoje elas se transformaram. 
Amei o mundo sagrado que elas me levavam.

Márcia Lailin

(Adolfo Paez)

ESPERANÇA NUM OLHAR DE CRIANÇA

Olhar perdido nos trilhos
de uma estrada de barro e sol
Crianças em suas ilusões
com seus olhares já não tão puros
mas que em suas almas conservam
a pureza de outrora

A esperança acesa como chama
no brilho desses olhares,
nas vestes simples, 
despidas de qualquer vaidade

Em seus corações a coragem,
sentimento que revigora
e a eterna esperança
de um dia melhor por vir

Quanta beleza no olhar dessas crianças
que se perdem no horizonte
até onde a vista alcança
e muito, muito mais além
do que a dura realidade lhes mostra

Ianê Mello


OLHOS DE CRIANÇA


Nas profundezas do mar
encontro seu olhar
calmo e manso
comos as águas
De um profundo
e infinito azul
Olhos que inspiram
aos mais belos versos

Infinitos em sua pureza
de sua alma de criança
Nos remetem à beleza
dos tempos de nossa infância
Tempo da delicadeza
e de inocência sem fim
Resgatar esse sentir
é desejo que carrego sempre
bem guardado dentro de mim


Ianê Mello


 Simplicidade .....

Quando amanhece o dia ,
repleto de paz e alegria ,
vejo pessoas em forma de arco-íris,
e pela íris de meu olhar ,
percebo que simples é amar ,
e ver através do olhar 
colorido ,
tal qual confete , 
olhar de criança feliz ,
menino e menina aprendiz ,
mas que na sua simplicidade,
brincam e falam verdades ,
que no meu olhar colorido 
esqueço um mundo sofrido 
e este ,passa a ser belo e divertido 
olhar com tamanha esperança ,
nesta brincadeira que não cansa ,
e que no meu mundo adulto 
hoje me adentro e Vivo 
através de um olhar de criança ....

simples assim.....

 Viviane Aquinno



BREVE LUZ, REMINISCÊNCIA...

Noite quente de verão.
Estou no quintal de outrora,
no começo, breve história
no jardim do meu coração.
A cantoria ensurdecedora
das cigarras mistura-se ao som
das estridentes crianças,
com as quais me vejo, então.
De repente, na escuridão,
luzes dançantes, vaga-lumes,
escuro-lumes...
Luzes que vem e que vão.
E nós, serelepes crianças,
acendemos nossos lampiões,
lampiões da nossa alegria,
círios acesos,
vidros cheios de luzes,
luzes de olhos,
olhos de vaga-lumes...
Brinquedos ingênuos, encantados, 
conto de fadas, pirilampos.
E as luzes, no raiar do dia,
Já quase sem energias
derradeiros lumes luziam...
Luzentes fantasmas
do jardim da minha saudade,
do jardim da minha infância.

jiz







EMOÇÃO EM SOPROS

Quando eu era menina
brincava de gente grande
Quando gente grande me tornei
tinha ares de menina
Um dia acordei e percebi
que precisava deixar de ser menina
Doeu mais que aquele querer
crescer rápido sem poder
(quando ainda era, de fato, menina)
Hoje entendo que sempre resta
aquela porção que é feminina
Um pouco de menina
em alma de mulher.

Sílvia Mello

2 comentários:

Valéria Sorohan disse...

Ficou lindo esse potpourri de poemas sobre a infância.

Um beijooO*

Ianê Mello disse...

Obrigada Valeria. Bem vinda! Bjs.

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