O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Mulher Dividida

O que expressar em palavras dessa belíssima pintura de nosso companheiro das artes, Adofo Payes.
Obrigada, amigo, por essa contribuição maravilhosa à nossa inspiração.

O desafio está lançado....





Mulher...
Foste brindada pela vida
com o dom da maternidade
Pouca beleza não há
em ter referido dom
Mas quantas vezes partida
nos sentimos por detê-lo
Quantas vezes divididas
entre o certo e o errado
Tarefa difícil, ser mãe e mulher
e conservar-se íntegra em teus princípios
e lembar-se que um ser tu és,
com vontade e desejos,
por vezes tão ocultos e
de somenos importância
Quantas vezes nos quedamos
aos desejos de nossos filhos
E por amá-los como os amamos
esquecemos os nossos próprios
Nos partimos e repartimos
em amores tão diversos...
Mulher e mãe...
E o que somos nós
nessa dedicação sem fim
Quando olhamos para trás,
filhos crescidos e criados
E nós, perdidas em desejos de outrorta
que por vezes já nem sequer desejamos mais.






Ianê Mello


 

"Imaginei por um momento um mundo sem Henry. E jurei que no dia que perder Henry, eu matarei minha vulnerabilidade, minha capacidade para o verdadeiro amor, meus sentimentos, com a devassidão mais frenética. Depois de Henry não quero mais amor. {…} Depois de não ver Henry por cinco dias por causa de mil obrigações, não pude suportar. Pedi a ele para se encontrar comigo durante uma hora entre dois compromissos. Conversamos por um momento, então fomos para um quarto do hotel mais próximo. Que necessidade profunda dele. Só quando estou em seus braços as coisas parecem direitas. Depois de uma hora com ele, pude continuar o meu dia, fazendo coisas que não quero fazer, vendo pessoas que não me interessam."
ANAIS NIN
Há pessoas que amam com senso de REALIDADE
sufocante e miserável
uma malha fina sobre as ancas
para camuflar o AMOR sem TESÃO
SEM orgasmo...
Há pessoas que amam com senso de FANTASIA
desfilando pela Avenida
quase nenhuma SOBRIEDADE
nada lhe aperta a VIRILHA
APENAS o DESEJO
latente de VIVER
EM insana LIBERDADE
Ainda que a FANTASIA se fragmente
em milhões de alucinações
O QUE IMPORTA MESMO É A DELICIOSA VONTADE DE AMAR...
e SENTIR cada um de seus DELÍRIOS
ME partindo SEM DOR.


por Lou Albergaria


De tão dividida me sinto quebrada
me vejo aos pedaços
são tantos cacos
não sei como colar
e me encontrar.
Ando pelo mundo assustada,
perdida
sem rumo na vida
tentando insistir,
tentando existir.
Tentando.

Drica

Diálogos Poéticos - Colaboradores : Adolfo Paez(pintura),Ianê Mello e Lou Albergaria, Drica

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O Pássaro em Mim

O que esta pintura lhe desperta?

Vamos dialogar sobre isso?





Nua ... exposta
Em meu corpo de mulher
Presa a princípios
Tolhida por preconceitos tolos 
Trancada em meu próprio corpo
... minha prisão domiciliar
Traço meus próprios limites
e temo ultrapassá-los
Nasci para voar como pássaro
Mas o medo me impede
E o pássaro que em mim habita
Abre suas asas 
Quer voar
Ser livre...
A imagem refletida me revela
A essência que em meu interno
 por vergonha se esconde 
E eu me vejo como sou 
E por um breve momento  
Sou pássaro.

Ianê Mello 



Pássaro Encantado



Amanhã verei a menina bonita?!
- Vem minha sabiá, dê-me tua coragem
Liberta-me. Seguiremos viagem...
Até quando pagarei esta vindita?

Preciso tanto de tuas asas benditas
Vencerei esta neve. Chegarei à margem
Meu pranto agora se fez mensagem
Até quando esta provação prescrita?

Como criança choro pelo teu amor
Como a planta clama ao sol pela cor.
- Não sei voar por esta noite calma.

Fito a tua foto, aumenta a solidão
Lembro os tempos azuis - Dói coração!
- Volte, pássaro. Meu encanto. Minha Alma!... 



Machado de Carlos




Há, em mim, um pássaro ferido,
de asas partidas,
em sonhos de voar.
Passarinho desse tempo,
-cruel tempo-
que só consegue engaiolar.

Há, em mim, um pássaro triste
que busca força para cantar
Que se revela, a cada dia,
pássaro sedento,
no seu sonho de voar.

Espera paciente
recompor as suas asas,
elevá-las,
alçar voo
e o céu alcançar.



Lice Soares


No voar
Do pássaro
Existe a liberdade
Do sonho
Nestas muralhas
Onde choro
Só ouço
O lamento do corvo.



Bravo




"Eu tiro a roupa, não entregue à  sedução
Do cisne. Eu tiro a roupa porque a dor de ser
O que sou me impele a isso. A sombra se antepõe
E me revela a obra que almejo e não terei".

 


RODRIGO DELLA SANTINA



Desato meus nós,
me lanço ao chão.
Em um quadro suspenso
minhas asas desenham a liberade.
E assim em fulgurante sono, flutuo...



Sandra Botelho 


Asas



Sempre foi livre esse meu amor
E mesmo assim nunca partiu
Nas linhas do horizonte se despiu
Não havia saudades
Só a sombras das tuas curvas
E as asas dos teus desejos
Se abriu
E nelas me ancorei e sou
Servil


Ulisses reis®
 
 
 Diálogo Poético - Colaboradores: Ianê Mello, Machado de Carlos,
Lice Soares, Bravo, Rodrigo Della Santina,Sandra Botelho


domingo, 21 de março de 2010

À Espera do amado

Vamos lá....novo desafio.
O que esta pintura lhe sugere?
 Vamos escrever um verso, um poema ou uma prosa?





Minha alma se perde nas ondas do mar.
Nelas me envolvo no seu ir e vir.
Esperando docemente minha dor passar.


Pérola


Enquanto na areia eu danço
O corpo nu pela lua iluminado
Dançando a dança do amor
Espero por você, meu doce amado.


Ianê Mello


Diálogo Poético - Colaboradores: Pérola, Ianê Mello





Desafio Poético

Gostaria de propor outro desafio. 
O que você vê nessa pintura de Dali?


Façamos um diálogo poético tendo como inspiração essa linda pintura.





             Salvador Dali "Adolescense"



 Por que olhas com esses olhos cálidos,
a mirar além de mim o horizonte
Não vês que preciso do teu olhar no meu
Não vês que através de ti
minha existência se completa
Não quero ser na tua vida 
apenas a sombra de uma saudade
Na tua vida quero ser
um ser humano de verdade
Olhemos juntos o horizonte aberto
Atravessemos a fronteira da vaidade
Sejamos nós mesmos,
um para o outro,
a reconstrução do amor que unifica,
do amor que nos leva a verdade
Ao eterno infinito de nós dois



Ianê Mello




Meia presença



Como não havia uma moldura para tua imagem,
resolvi espalhar-te ao redor da minha aldeia.
Há quem diga que até hoje dormes na encosta;
ou deslizas até o verde-azul das primeiras ondas,
e não retornas para um sorriso...

Parece que sussurras barcarolas ao meu ouvido,
e já sem sair daqui estou muito distante de mim;
acompanhando-te em tua misteriosa aventura.
Mas as raízes podem mais coisa que o desejo:
Eu fico; e mais distância de mim eu sofro.
 
Sou homem simples de destino muito estreito;
não sou de ir aos lugares que levam horas até lá;
tudo meu é de minuto, é de muito próximo até.
É de muita dúvida e não saber ao certo significar.
Passo duas voltas de chave nas palavras e calo.

Às vezes estou a doer do amor que me ensinaste,
tentando com meu silêncio as frases que decorei.
Repetindo no ar tantos beijos que não arrisquei.
Não tenho certeza se te aprisionei em meu mundo,
ou se do teu já não junto forças de me libertar.
Quem és que só sinto e não te encontro?

Verdade é que ciência de mim não mais possuo,
que me ateste que foste sonho, e nunca vieste;
ou que me deixaste e a loucura me apanhou...
Fico cá, de cara com o olhar que eu desenhei;
esse que não deixará que me falte o sol, o céu.

Ricardo Fabião


Diálogo Poético - Colaboradores: Ianê Mello, Ricardo Fabião


 

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Desafio Poético : Vamos criar a partir dessa imagem?


.


Idéia
Fonte
Natureza
Paisagem
Eis a alma do poeta,
instrumento do cantar.



Lice Soares




A mente mente 
Buscando a felicidade 
aprisiona o tempo 
condena sonhos 
e engarrafa a liberdade...




Rossana Masiero




O tempo que se escoa
como areia na ampuleta
e nele a nossa vida
desfeita em sonhos,
em nossa liberdade despedaçada
na prisão do tempo encarcerada.
E os sonhos tão sonhados
pintamos em aquarelas
em nossa mente que divaga
e em palavras nos perdemos
porque queremos ser Tudo
e naufragamos no Nada.
No vazio da ilusão
buscamos algum alento
e o que nos resta senão
mais um desapontamento.
No Tudo que nós buscamos
não vemos o essencial.
A resposta está tão perto
e percorremos mundos
só encontrando desertos.

Enquanto a procuramos fora
esquecemos de olhar pra dentro.



Ianê Mello 
 


Na ampulheta o tempo preciso
O tempo da mente é atemporal, se mente
É para satisfazer o interior daquele ser
É ilusão ou maya, mas tente enganar a mente



Mirse Maria






Diálogo Poético - Colaboradores: Lice Soares, Rossana Masiero, Mirse Maria





quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Face Oculta

Gostaria de propor a vocês para a nossa primeira postagem, uma poesia interativa.
Vai ser como montar um quebra-cabeças.
Vamos tentar fazer uma poesia em conjunto até que cheguemos a um final que faça sentido ao juntarmos todas as peças.
Gostaram da idéia? Então vamos lá. Mãos à obra.
Irei iniciar e depois é com vocês.
A imagem proposta é essa pintura de Magritte " La reproducion Interdite".
Dêem asas à imaginação...


OBS: Quem quiser, mesmo não participando da postagem, pode ir dando sua opinião no decorrer desse diálogo poético, através dos comentários.  

(Magritte)



Olho no espelho e vejo eu de costas pra mim mesmo.

Olho no espelho e não vejo minha imagem refletida.
Fico a indagar quem será esse outro que vislumbro.

Um outro que, por certo, em mim mesmo não me fundo.
E não me encontro nele, ainda que a silhueta se assemelhe.

Talvez seja minha face oculta retida
A verdadeira face, que chamo de [uno]

Este uno inverso e paralelo
que anelo em outro mundo nulo.

Tantos desejos anexos na substituta face
que temo não encontrar o meu rosto original.

Seriam eles ilusões para o meu disfarce,
Ou impressões alheias edificadas por algum mau?


Poesia Interativa - Colaboradores (pela ordem de postagem):
Cadinho Roco, Ianê Mello, Marcelo Novaes, Mirse Maria, Felipe Carriço, Iara, Laramaral

 
*** Diálogo Poético. Colaborador: Marcelino Rodrigues ***

Num março de alegrias
lembrei-me de um triste janeiro
Rosas brancas habitam em roda das rosas vermelhas
Meu rosto cansado enxerga
aquele rosto outro no espelho
E choro lembrando quando
vivíamos num mesmo planeta
E choro pensando quão bom
seria estar ainda
aqui
com ele.




Marcelino Rodrigues
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