O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




sexta-feira, 20 de julho de 2012

A NOITE É PASSADA



O café entornou na pia
nada é permanente
farelos de pão sobre a toalha
murmúrios de vozes se fazem ouvir
enquanto a  noite cai mansamente

O tic-tac do relógio
marcas de mim
ao correr das horas
sombras projetadas nas paredes
memórias esquecidas

No mistério dessa noite
tendo o sono como companhia
de olhos fechados em fugas
sonatas de notas difusas

O passado e o futuro declinam
ao momento presente
o pão que se desfaz
o café que se esvai

Nas teias da meia-noite
a aranha tece eterno bordado
seu ir e vir enrodilhando
destinos que se entrelaçam
e desaparecem na noite passada.



Ianê Mello e Beto Palaio





sábado, 14 de julho de 2012

O canto



Canta passarinho sobre o galho cortado
Seu canto é lamento
Sua casa
Destruída
Só lhe resta cantar
sobre o galho cortado

Canta, pois, passarinho
Minha alma é sem lar...

RODRIGO DELLA SANTINA

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Uma folha



Deita-se
Na superfície
Do rio
Uma velha folha

É como um barco à deriva.

Fico olhando-a ir-se com todo o meu coração...

RODRIGO DELLA SANTINA

terça-feira, 10 de abril de 2012

Diálogo Poético: Ianê Mello e Joaquim Vale Cruz





ARTIMANHAS DO AMOR 


Suor e lágrimas
mescla de fluídos
cheiros
sentires
...
cheios de vazios
corpo e emoção

o amor brincou comigo
fui criança
...
mais uma vez

a correr pelos campos
sorriso no rosto
cabelos ao vento

crédula de tudo
zonza de vertigem
verdades secretas

a vida em cores
vibrante arco-íris de luz

o relógio
do tempo
parou

como fogueira
em brasa
ardeu
...
intensamente

agora
...
só cinzas



Ianê Mello



As artimanhas do amor
muitas vezes causam dor
e também lágrimas e suor
Mesclam, sentires, cheiros e fluidos
Cheios de vazios, corpo e emoção sentidos
Que tanto nos queimam, tal é o seu ardor…

E se o amor brincou comigo, ainda criança
também ele em mim deixou a esperança
quando corria pelos campos, sorrindo, cabelo ao vento
Que a vida tinha cores vibrantes e muita luz
e um arco-iris , tão belo que nos seduz
e que o amor, se é dor, é também contentamento

E ao acreditar em tudo, zonzo de vertigem
e nas verdades secretas da sua origem
O relógio do tempo, em mim jamais parou
E como fogueira, em brasa ardeu sem fim
e intensamente ainda está dentro de mim
E de suas artimanhas, nem só a cinza ficou…

JVC 

*
Foto de Anka Zhuravleva

domingo, 1 de abril de 2012

Um gato



No meio
Da rua
Depois do trabalho

— Um gato

(Antigamente livre).

RODRIGO DELLA SANTINA
Related Posts with Thumbnails