O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




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sábado, 27 de março de 2010

Cuida Que O Amor É Teu
























Não seria tarde para aquelas coisas?
Tarde da noite;
Tarde na vida;
Tarde demais?
Seria?
E o amor?
Passou ao longe?
Ficou na adolescência,
Antes da ciência do bem e do outro?
Ficou?
Onde é que ficou o raio do amor?
Se é que ficou.
Mas quem diabo disse que já era tarde para aquelas coisas?
Que diabo falou que era tarde da noite;
Tarde na vida;
Tarde demais?
Ora! Não dê ouvidos ao Diabo;
Ele fala demasiado
Fala pelos cotovelos
Pelas ventas
E pelas nádegas
E nunca é para o bem que fala
Ame agora
Não importa que achem cedo ou tarde
Tarde da noite
Tarde na vida
Tarde demais
Ame mais... e mais.

Obs. Esta foto foi mais uma feita de minha modesta câmera, durante um passeio com minha família pela bela Ribeirão Preto. Trata-se da Igreja De São Sebastião. Usei a foto apenas para deixar a postagem mais bela. Ela nada tem haver com o conteúdo do texto.



jefhcardoso
 
 

domingo, 7 de março de 2010

Será O Benedicto?

























Mas será o Benedicto erudito?
Burocrático como um grande formulário;
Chato como a bula do remédio;
Entediante como a fila em que se pagam as contas.
Será?

Mas será o Benedicto orgulhoso?
Um tanto balzaquiano e machadiano, sim.
Apreciador de Mozart,
Saraus e piano.
Será?

Mas será o Benedicto fleumático?
Elegante como defunto no velório;
Frio como morto;
Rígido como o próprio rigor mortis.
Será?

Mas será o Benedicto sábio?
Sabedor da sabedoria do ignaro;
Ignaro do saber do tolo;
Mestre dos mestres dos sábios.
Será?

Será o Benedicto gênio?
Conhecedor da história de todos os tempos;
Palestrante sobre os homens de cerâmica,
Da olaria mesopotâmica.
"Mãs"... será?


Jefhcardoso




Obs. Postado originalmente no http://jefhcardoso.blogspot.com este poema de minha autoria conta com a fotografia de meu modelo fotográfico preferido, Davi Santarosa. Em meu blog ha uma foto para cada estrofe, o que gerou 5 postagens, algo que não fiz aqui para não tomar tanto espaço.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Hora da Partida







Respiro fundo,
falta me o ar
Vivo como quem corre sem alcançar
Fujo do instinto no oculto do altar
Ajoelho e rezo, mergulho nú.
Mar Rasgo minha roupa
e derrubo o tear
Vasta é a vereda,
seguir ou ficar
Facho de luz sob a água a pairar
A frente o mundo que encaro a nadar



Felipe Carriço


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Pode ser que na hora H eu desista
mas meus olhos me esconderão a verdade
O rosto coberto por fino tecido
como fina a tecitura de uma vida
Se meus olhos vislumbrassem o que estou a cometer
minha coragem se faria fraca
e meu arrependimento eterno
A água que envolve meu corpo,
fria como a morte que busco,
ao mesmo tempo acalenta essa dor
a dor de não poder mais Ser
O tempo me chegou...
essa é a hora
Preciso ir-me, sem mais demora
Da vida já sorvi o último gole
e o gosto era amargo como fel
Não lamentem minha partida
Foi bem pensada e sentida
O que da vida obtive foi o que pude
No mais, nada me ilude.


Ianê Mello


O leve tecido
que o rosto toma por veste
Não verga a luz da entrega
Que a alma há muito se reveste
Alçarei meu voo, em linha direta
A mesma paz que me deu à luz
Me recobrirá em outra festa.

Mirze Souza




Cavo a falha louca
calam-me a boca
calem minha voz
que em mãos
estraçalham
beijo, lume e vãos
prevejo pedras
mergulho medo
tombo infame, quedas
abismo pasmo
estampo marasmo
que outr’aventura
nunca haverá
mesmo
sob tortura
nada afinará
a formosura
d’um futuro
sortilégio
apuro egrégio...


Joe Brazuca


Tu sofres mulher
Tu não mais sofres mulher
Tu jamais deveras sofrida mulher
Tu deverias ter aceitado a vastidão do ser que é.
Cega e sufocada, porém duas rosas lhe brotam da mente emaranhada
Jefhcardoso

Diálogo Poético - Colaboradores: Felipe Carriço, Ianê Mello, Mirze Souza,Joebrazuca, Jefhcardoso
 



OBS:

Esta figura é uma fotografia baseada em Os Amantes, que Magritte pintou, segundo alguns especialistas em sua biografia, como forma de representação lúdica da morte da própria mãe, que se suicidou pulando em um rio e foi encontrada com uma camisa sobre o rosto.




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