O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




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quarta-feira, 10 de março de 2010

Brincadeira de criança


O que é, o que é...
que tange, mas ultrapassa
que queima, mas não fere
mata, mas anima
que encobre, mas devassa...

O que é , o que é...
que corre, mas aproxima
que seca e umedece
expurga, mas recolhe
equilibra e entontece...

O que é, o que é...
que chama e despede
chora, mas agrada
solta, mas agarra
enxuga e mata a sede...

O que é, o que é
que bate e penetra
corta, mas costura
abala e segura
odeia, mas atura...

O que é , o que é...


Joe Brazuca

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Solidão



















Machado de Carlos







Entre o vinho e a espada existe o sangue
que pode ser derramado por justa causa,
talvez numa mesa de bar, numa briga entre ébrios,
como uma mera defesa... matar ou morrer
ou pela das mais injustas
num duelo de egos que se contrapõe,
por uma disputa vã, por uma febre terçã
O homem e sua febre de poder, de querer dominar
Mata e morre... sem pestanejar
A vida perde o sentido
quando o que vale é o título
reservado pela arrogância
de quem  se sente menor
É sangue no balcão do bar
ou a taça de vinho derramada?
A morte está à espreita
e a vida é pra ser cuidada
Afaste a espada das mãos,
a vida vale mais que isso,
que essa disputa insana
pra ver quem tem o ego maior
O que importa o ego, afinal,
no fim de tudo viramos pó!.

Ianê Mello





Diálogo Poético - Colaboradores: Machado de Carlos , Ianê Mello


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Ponto de Vista

Salvador Dali - Adolescente


Lucidez ou loucura
o que essa imagem lhe sugere?
Se é loucura, pra que a cura,
se quando a vejo minh'alma engrandece!

Quantos símbolos ela esconde
Detalhes de tamanha riqueza
Que quanto mais a olhamos
mais percebemos sua beleza

No mar um corpo de mulher
sentada em sua beira o contempla
E um menino próximo a ela
parece fixo em sua presença

Das águas deste mesmo mar
vislumbro o rosto de uma mulher
Seus grandes olhos a fitar
Sua boca num sorriso de quem quer
quem sabe alguém encantar

Quem saberá dizer
o que pensava Dali
ao pintar esse belo quadro?
E quem pode querer
ter a certeza absoluta
de tê-lo interpretado?

Na verdade, o que importa
é o fascínio que ele exerce
por fugir ao convencional
Seu fascínio está no surreal
e na busca de um significado
que foge à um padrão normal.





Ianê Mello

 
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Hoje o mar
Levanta-se, num abraço,
Vem me abraçar.
E eu, submergida
em suas ondas,
Paro a lhe contemplar
E também me torno mar.
Em desatino e desvario,
Abraço todos os rios,
Quero, verdadeiramente,
Ser somente mar.
Hoje, o mar me abraçou
E, ao sentir o seu temular,
Desabo-me em puro sonho
E aprendo a ser só mar.

Lice Soares


Diálogo Poético - Colaboradores: Ianê Mello, Lice Soares

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