O excesso de luz cega a vista.
O excesso de som ensurdece o ouvido.
Condimentos em demais estragam o gosto.
O ímpeto das paixões perturba o coração.
A cobiça do impossível destrói a ética.
Por isso, o sábio em sua alma
Determina a medida de cada coisa.
Todas as coisas visíveis lhe são apenas
Setas que apontam para o Invisível.
(Tao-Te King, Lao-Tsé)
quinta-feira, 22 de abril de 2010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
O Pássaro em Mim
O que esta pintura lhe desperta?
Vamos dialogar sobre isso?
Nua ... exposta
Em meu corpo de mulher
Presa a princípios
Tolhida por preconceitos tolos
Trancada em meu próprio corpo
... minha prisão domiciliar
Traço meus próprios limites
e temo ultrapassá-los
Nasci para voar como pássaro
Mas o medo me impede
E o pássaro que em mim habita
Abre suas asas
Quer voar
Ser livre...
A imagem refletida me revela
A essência que em meu interno
por vergonha se esconde
E eu me vejo como sou
E por um breve momento
Sou pássaro.
Ianê Mello
Pássaro Encantado
Machado de Carlos
Lice Soares
No voar
Do pássaro
Existe a liberdade
Do sonho
Nestas muralhas
Onde choro
Só ouço
O lamento do corvo.
Pássaro Encantado
Amanhã verei a menina bonita?!
- Vem minha sabiá, dê-me tua coragem
Liberta-me. Seguiremos viagem...
Até quando pagarei esta vindita?
Preciso tanto de tuas asas benditas
Vencerei esta neve. Chegarei à margem
Meu pranto agora se fez mensagem
Até quando esta provação prescrita?
Como criança choro pelo teu amor
Como a planta clama ao sol pela cor.
- Não sei voar por esta noite calma.
Fito a tua foto, aumenta a solidão
Lembro os tempos azuis - Dói coração!
- Volte, pássaro. Meu encanto. Minha Alma!...
Machado de Carlos
Há, em mim, um pássaro ferido,
de asas partidas,
em sonhos de voar.
Passarinho desse tempo,
-cruel tempo-
que só consegue engaiolar.
Há, em mim, um pássaro triste
que busca força para cantar
Que se revela, a cada dia,
pássaro sedento,
no seu sonho de voar.
Espera paciente
recompor as suas asas,
elevá-las,
alçar voo
e o céu alcançar.
Lice Soares
Do pássaro
Existe a liberdade
Do sonho
Nestas muralhas
Onde choro
Só ouço
O lamento do corvo.
Bravo
"Eu tiro a roupa, não entregue à sedução
Do cisne. Eu tiro a roupa porque a dor de ser
O que sou me impele a isso. A sombra se antepõe
E me revela a obra que almejo e não terei".
Desato meus nós,
me lanço ao chão.
Em um quadro suspenso
minhas asas desenham a liberade.
"Eu tiro a roupa, não entregue à sedução
Do cisne. Eu tiro a roupa porque a dor de ser
O que sou me impele a isso. A sombra se antepõe
E me revela a obra que almejo e não terei".
RODRIGO DELLA SANTINA
Desato meus nós,
me lanço ao chão.
Em um quadro suspenso
minhas asas desenham a liberade.
E assim em fulgurante sono, flutuo...
Sandra Botelho
Sandra Botelho
Asas
Sempre foi livre esse meu amor
E mesmo assim nunca partiu
Nas linhas do horizonte se despiu
Não havia saudades
Só a sombras das tuas curvas
E as asas dos teus desejos
Se abriu
E nelas me ancorei e sou
Servil
Ulisses reis®
Diálogo Poético - Colaboradores: Ianê Mello, Machado de Carlos,
Lice Soares, Bravo, Rodrigo Della Santina,Sandra Botelho
Dor
Ah! Esta dor fora de tom! Onde está a tua rosa?
Curto as notas do Roberto – O tédio da gente!
Onde o remédio certo com teu olhar ardente?
— Cadê o batom da tua boca maravilhosa?
Uma visão!... Miragem!... Coisa mentirosa;
Mostra-me de perto. Fico tão somente,
no rumo certo. Vejo a ilusão silente;
Tua imagem, um creiom, fruto duma grosa!...
O meu som, agora em estado desumano,
Eleva-me!... Um concerto... — E os desenganos?
Este dom estonteante em meu peito arde...
— Ah, vento! Leva a aspiração que queremos;
A vida agora é marrom. Rezo ao Supremo;
Esforço-me ao ver-te!...O agora já está tarde!...
Machado de Carlos
atrás da porta
ouço o canto
rangendo as palavras
com um som enferrujado
cantando sem ser cantado
eu já sei, que há silêncio
já sei que há
corações,ultrapassados
deixados de lado
por não mais amar
sei da dor que doeu
a montanha deve ser atravessada
deve ser desvendada
escavada até o que se chama
coração
Mateus Luciano
Mateus Luciano, Ianê Mello(pintura)
Meu Poema 21
Olho para o lado,
Contemplo ao redor.
Chora o meu poema,
No pranto dos desabrigados,
No choro dos desamparados,
na dor dos esfomeados, em todos os necessitados,
Chora o meu poema, só.
E busco versos contritos,
Espalham-se,então, gritos aflitos,
a misturarem-se, em coro,
No choro do meu poema, só.
Chora o choro dolorido,
Em desamparo,
quase falido,
sem rumo, perdido,
Meu poema 21.
E das entranhas feridas, deste século partido,
Em busca de vida, de Amor,
soa o meu poema:
Senhor Deus, salvai este poema
E tornai-o poesia cálida,
nos corações indiferentes,
descrentes e frios,
cobertos de egoísmo,
ausentes de Amor.
Lice Soares
O Homem Bom
Alma querida esqueça os desenganos,
Enobreça, pois, o teu pensamento!...
Na parábola do Samaritano
Encontramos muitos ensinamentos...
... olhares malogrados e de desdém!...
... afastou-se o sacerdote... o levita.
De fardo enfraquecido e sem vintém,
Valia menos o irmão doentio que a escrita!
À frente do companheiro abatido,
Pára, e, incontinênti se compadece;
Disse-lhe frase dócil!... — Vem comigo!
Curou as feridas em ritmo de prece.
Com termos de inexprimível beleza
Explicava o Jovem de Nazaré...
Caminhava sobre águas com leveza!
Transpunha montes com a força da fé!...
Para obter os méritos na seara
E entesourar a luz da vida eterna,
A indicação é simples e muito clara:
— Somente o amor é o recurso hodierno!...
Machado de Carlos
Diálogo Poético - Colaboradores: Lice Sores, Machado de Carlos
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