O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Porque existo?!


Hoje…
Eu só queria
Perceber o motivo porque existo!
Descobrir caminhos
Que me levem à verdade…
Ou não?!
Metamorfosear-me
No vento que passa
E na chuva que cai.
No sol e no mar.
E navegar!...
Navegar sem rumo aparente.
Sem passado,
Sem futuro,
Nem presente.
Rumo ao longínquo horizonte.
Desta existência
Que procuro…
Ou não?!



Bravo

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Incoerências do Amor


Amor...amor...
sentimento tão contraditório
Quando se crê que ele existe
ele não se faz notório. 



Ianê Mello

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... E a Nau Segue.


Estava frio e triste!... era madrugada...
Pensava nela. Ela era o meu tudo!
O mundo desabou. Fiquei mudo!
Vi, no momento, que eu era um nada...

Caiu novamente à noite calada...
O vento entoa sua marcha de luto!
Meus pensamentos voam... voam..., contudo
A rotina segue sua cavalgada..

Os dias já nascem tardiamente;
Uma saudade soa de repente;
As lágrimas são a alma comovida!

Uma nuvem caiu sobre os meus olhos;
Não a vejo no meio dos abrolhos;
No entanto, no pântano há vida!...

Machado de Carlos

Publicado no Recanto das Letras
Código do texto: T1922715




O amor


O amor
É sinónimo de vazio.
Tudo o que antes parecia importante
Deixa de o ser!
O passado e o futuro,
Convergem para o presente.
Nada!... Mas nada faz sentido!
As pernas carregam, cambaleantes,
A cabeça e o tronco
Embriagados pelas emoções do momento.
As palavras!...
As palavras tornam-se flechas,
Que rasgam o ar em todas as direcções
Na procura do desejado alvo.
Aqui, o cupido!
Deixa de fazer sentido.
Tudo se resume
A um abstracto de emoções.
À ponta do cordel
Do novelo do amor.
O começo de um caminho
No labirinto da vida.
E também o doce momento
Onde tudo recomeça.


Bravo



À deriva



Amar é...
A maré dos meus sonhos.
Na solidão, só me dão...
Desilusões e tristezas.
No oceano da vida
Sou apenas um náufrago
A esperar um barco
Que descreva um arco
Me tome nos braços
E me leve a ti.



Jairo Cerqueira
 
 
 
 

Diálogos Poéticos - Colaboradores: Ianê (imagem e poema), Machado de Carlos(Soneto), Bravo, Jairo Cerqueira  . 

domingo, 2 de maio de 2010

Nada/ In-quarto/ Profusão de cores e sentimentos/ Abrigo


Inspire-se nessa pintura de Van Gogh. Deixe a mente fluir...
Conte-nos os sentimentos por ela provocados: em prosa, em poesia, como quiser... livremente

Vamos começar?...



















Pintura de Vincent Van Gogh




NADA




Meu ser era nada. Encheste meu coração!...
Como nada me deixaste assim, sem fala;
Examinei o nada, em vão procurei ala por ala;
Do nada e em tudo, não achei explicação.


Foste tudo. Hoje és nada. Por que cantá-la?
Neste mundo de nada, construí tua mansão
No endereço do nada, outra dimensão;
Nadei nas águas do nada, a voz se cala...


Tentei achar no nada, tua voz, teu tudo...
O nada fez sofrer, dele faço meu estudo;
Que valor tem o nada, se nada é perdê-la?


Busquei no nada a essência da matéria,
O nada gélido e a existência funérea...
Nada!... Nada!... Nada!... O nada é minha estrela!...


Machado de Carlos

Publicado no Recanto das Letras
Código do texto: T2062618






In-quarto

escuro, obscuro
colorido Neste Instante
Escrevi todas minhas memorias    
nunca estive PRESENTE NA cama sonolento

nunca estive em coma
NA cama nunca estive
Bebi vinho
Morri Na Lama

Minhas bobagens ouviam Olhos
Meu Ouvido Verdades viam

Meu Corpo esguio
Minha cama rodopia
declamando frases
Ninguém entendia Que

Ali viajei de submarino
cavalos MonteI
embriaguei-me de amor

Hoje Já Não Estou ali ...


Mateus Luciano






É o meu mundo
O mundo da solidão
Da alegria
Do prazer.
O mundo de tudo
E de nada.
Um castelo
Uma mansão
Uma prisão
De onde posso sair
Mas onde desejo voltar.
Bravo



Profusão de cores e sentimentos



De cores tantas
azuis e laranjas
mas sobretudo
a solidão é sombra
negra em meu peito.

Sou só e estou só
nesta cama neste quarto
só me resta abrir a janela

Dalva



ABRIGO

Neste quarto de vibrantes cores
há segredos escondidos
Há prantos ao anoitecer
na solidão da Lua
Em sua simplicidade abriga
a complexidade do ser
que nele se refugia
a cada anoitecer
Abriga lembranças, saudades,
noites mal dormidas
no vazio sem amor
Guardará em si também sorrisos
de momentos  bem vividos,
talvez em noites de amor
Povoado de sonhos
quando o dia adormece 
e na cama resguardado
esse corpo desfalece
e se entrega aos doces braços 
do sono acalentador
No merecido descanso
da labuta diária
Das dores e dos amores
Da vida que  lá fora deixou
quando cerrada a porta
e este ser que aqui encontra
o seu verdadeiro abrigo,
seu refúgio dos perigos
finalmente fecha os olhos
e tranquilo adormece.


Ianê Mello



Talvez o nada. Acima disso a vida.
O modo de existir esquizofrênico.
Entro em meu quarto como entrasse em mim.
E neste ser paradoxal encontro
A lógica que me sustém pregada
À parede da mudez altiva, que
Nada me diz do que fazer. O que sinto
É a solidão me cutucando o espírito
E me fazendo a voz duma existência.

RODRIGO DELLA SANTINA


É só o meu quarto, mas é o mundo que eu conheço...
Não me censura, não me ofende, não me insulta..
Está habituado à minha solidão, aos meus monólogos tristes, aos meus gritos de desespero...
Faz com que me sinta segura...


Marta




Diálogo Poético: Machado de Carlos, Mateus Luciano, Bravo, Dalva,Ianê Mello, Rodrigo Della Santina, Marta



segunda-feira, 26 de abril de 2010

O primeiro desenho





Tema do diálogo: 
desenhos da natureza














O céu é de tão alto para muito mais
O sol é de tão intenso para mais luz
O céu gasta vãos com aviões e fumaça
O sol brinca de apagando-e-acendendo
O céu apanhou todos os azuis para ser
O sol engoliu luminárias e ficou aceso
O céu é pai das nuvens e das distâncias
O sol alimenta as manhãs e as estradas
O céu tem as paredes e os corredores
O sol está no abajur em cima do alto
O céu vai a todo lugar sem mexer o pé
O sol aquece tudo cá sem adormecer

O céu sobrevoa os desenhos do mundo
O sol vai mais baixo para pintar os dias
O céu gasta todo tempo sendo um vazio
O sol junta tudo e transforma em cores
O céu é de subir cada vez mais assim
O sol é de descer para encontrar chão
O céu tem tanta idade que nunca anda
O sol só vale o tempo de sua claridade
O céu não faz por esperar que aconteça
O sol descreve compromissos e horários
O céu é um arco por cima das cabeças
O sol é um fogo por dentro de tudo

O céu só há por haver sol
O sol por vagar nesse céu
O céu vai mais fora que as estrelas
O sol vem mais dentro que as células
Céu que por fora corpo
Sol que por dentro alma


Ricardo Fabião



Febo, após a Aurora, mancha o céu de um 
                                                               [amarelo-ouro.
Passa orgulhoso, queixo erguido, peito austero,
Como um escudo espartano.

Embaixo, na terra dos prometeus,
Uma criança humana brinca,
Feliz de sua mortalidade.



RODRIGO DELLA SANTINA



E senhor do 'ceu' sucesso
O Sol, galopante e soberano
Contemplando as regiões cerúleas
Segue em busca das montanhas
Para anunciar que está perto
O chegar das estrelas.


Jairo de Salinas




Sonha-se com o céu....
Inveja-se a tranquilidade do azul, 
com que podemos escrever o nosso nome...


Marta



Deito-me
Nas nuvens brancas
Que acariciam o sol
E deixo-me levar
Em rodopios de azul.

Lá em baixo
Deixo a escuridão.

Bravo





Diálogo Poético - Colaboradores: Ricardo Fabião, Rodrigo Della Santina, Jairo de Salinas, Marta, Bravo

 

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O Pássaro em Mim

O que esta pintura lhe desperta?

Vamos dialogar sobre isso?





Nua ... exposta
Em meu corpo de mulher
Presa a princípios
Tolhida por preconceitos tolos 
Trancada em meu próprio corpo
... minha prisão domiciliar
Traço meus próprios limites
e temo ultrapassá-los
Nasci para voar como pássaro
Mas o medo me impede
E o pássaro que em mim habita
Abre suas asas 
Quer voar
Ser livre...
A imagem refletida me revela
A essência que em meu interno
 por vergonha se esconde 
E eu me vejo como sou 
E por um breve momento  
Sou pássaro.

Ianê Mello 



Pássaro Encantado



Amanhã verei a menina bonita?!
- Vem minha sabiá, dê-me tua coragem
Liberta-me. Seguiremos viagem...
Até quando pagarei esta vindita?

Preciso tanto de tuas asas benditas
Vencerei esta neve. Chegarei à margem
Meu pranto agora se fez mensagem
Até quando esta provação prescrita?

Como criança choro pelo teu amor
Como a planta clama ao sol pela cor.
- Não sei voar por esta noite calma.

Fito a tua foto, aumenta a solidão
Lembro os tempos azuis - Dói coração!
- Volte, pássaro. Meu encanto. Minha Alma!... 



Machado de Carlos




Há, em mim, um pássaro ferido,
de asas partidas,
em sonhos de voar.
Passarinho desse tempo,
-cruel tempo-
que só consegue engaiolar.

Há, em mim, um pássaro triste
que busca força para cantar
Que se revela, a cada dia,
pássaro sedento,
no seu sonho de voar.

Espera paciente
recompor as suas asas,
elevá-las,
alçar voo
e o céu alcançar.



Lice Soares


No voar
Do pássaro
Existe a liberdade
Do sonho
Nestas muralhas
Onde choro
Só ouço
O lamento do corvo.



Bravo




"Eu tiro a roupa, não entregue à  sedução
Do cisne. Eu tiro a roupa porque a dor de ser
O que sou me impele a isso. A sombra se antepõe
E me revela a obra que almejo e não terei".

 


RODRIGO DELLA SANTINA



Desato meus nós,
me lanço ao chão.
Em um quadro suspenso
minhas asas desenham a liberade.
E assim em fulgurante sono, flutuo...



Sandra Botelho 


Asas



Sempre foi livre esse meu amor
E mesmo assim nunca partiu
Nas linhas do horizonte se despiu
Não havia saudades
Só a sombras das tuas curvas
E as asas dos teus desejos
Se abriu
E nelas me ancorei e sou
Servil


Ulisses reis®
 
 
 Diálogo Poético - Colaboradores: Ianê Mello, Machado de Carlos,
Lice Soares, Bravo, Rodrigo Della Santina,Sandra Botelho


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