O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




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sexta-feira, 9 de julho de 2010

Um Corpo de Mulher/ Nudez






Tua tez clara , alva como a neve
faz imaginar ao toque  maciez sem par
Seu corpo desnudo, insinuando suas formas
A mão nos cabelos vermelhos como fogo
Figura de mulher que prende o olhar


Mulher que sou admiro essa beleza
embora não a nível do desejo
Imagino um homem a observá-la
e minha imaginação dá voltas
Posso sentir o cheiro do amor no ar
... Ah.... como desejo ser amada assim.



Ianê Mello
NUDEZ



Há uma nudez
que assombra…
e, no ópio dos meus olhos,...
há castanhos delírios,
insanos desejos
ocultos na retina…

Há a nudez
que fulmina!
Tinge de vermelho o meu peito
e circula exultante no fluxo do sangue…

Há a nudez que ilumina…
quando chegas, dissolvem-se as trevas.
Os sonhos tecem luz!

Albino Santos


(Do meu livro "A Evocação do teu nome)
Diálogo Poético - Colaboradores: Ianê Mello, Albino Santos

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O Pássaro em Mim

O que esta pintura lhe desperta?

Vamos dialogar sobre isso?





Nua ... exposta
Em meu corpo de mulher
Presa a princípios
Tolhida por preconceitos tolos 
Trancada em meu próprio corpo
... minha prisão domiciliar
Traço meus próprios limites
e temo ultrapassá-los
Nasci para voar como pássaro
Mas o medo me impede
E o pássaro que em mim habita
Abre suas asas 
Quer voar
Ser livre...
A imagem refletida me revela
A essência que em meu interno
 por vergonha se esconde 
E eu me vejo como sou 
E por um breve momento  
Sou pássaro.

Ianê Mello 



Pássaro Encantado



Amanhã verei a menina bonita?!
- Vem minha sabiá, dê-me tua coragem
Liberta-me. Seguiremos viagem...
Até quando pagarei esta vindita?

Preciso tanto de tuas asas benditas
Vencerei esta neve. Chegarei à margem
Meu pranto agora se fez mensagem
Até quando esta provação prescrita?

Como criança choro pelo teu amor
Como a planta clama ao sol pela cor.
- Não sei voar por esta noite calma.

Fito a tua foto, aumenta a solidão
Lembro os tempos azuis - Dói coração!
- Volte, pássaro. Meu encanto. Minha Alma!..



Machado de Carlos




Há, em mim, um pássaro ferido,
de asas partidas,
em sonhos de voar.
Passarinho desse tempo,
-cruel tempo-
que só consegue engaiolar.

Há, em mim, um pássaro triste
que busca força para cantar
Que se revela, a cada dia,
pássaro sedento,
no seu sonho de voar.

Espera paciente
recompor as suas asas,
elevá-las,
alçar voo
e o céu alcançar.



Lice Soares


No voar
Do pássaro
Existe a liberdade
Do sonho
Nestas muralhas
Onde choro
Só ouço
O lamento do corvo.



Bravo




"Eu tiro a roupa, não entregue à  sedução
Do cisne. Eu tiro a roupa porque a dor de ser
O que sou me impele a isso. A sombra se antepõe
E me revela a obra que almejo e não terei".

 


RODRIGO DELLA SANTINA



Desato meus nós,
me lanço ao chão.
Em um quadro suspenso
minhas asas desenham a liberade.
E assim em fulgurante sono, flutuo...



Sandra Botelho 


Asas



Sempre foi livre esse meu amor
E mesmo assim nunca partiu
Nas linhas do horizonte se despiu
Não havia saudades
Só a sombras das tuas curvas
E as asas dos teus desejos
Se abriu
E nelas me ancorei e sou
Servil


Ulisses reis®
 
 
 Diálogo Poético - Colaboradores: Ianê Mello, Machado de Carlos,
Lice Soares, Bravo, Rodrigo Della Santina,Sandra Botelho


sábado, 17 de abril de 2010

Livre Arbítrio ou Destino






Poderia ser o que quisesse
ou parte de meu destino
já estava traçado?
Quem sabe "escrito nas estrelas" ?
Até que ponto vai meu livre arbítrio?
Minha vida é o que dela faço
ou não depende das linhas que traço,
dos caminhos que percorro,
das atitudes que tomo ou deixo de tomar.

A vida é uma incógnita...
Surpreendente e por vezes incompreensível


Qual o meu lugar nesse mundo,
O que aqui faço e para que aqui estou?
Se aqui não estivesse  a terra continuaria  a girar
As flores a brotar, o sangue a ser derramado
Os corações a amar e a embrutecer
Qual o meu papel, minha função no caos 
que por vezes se instala
Cruzar os braços e ver desmoronar
sei que não consigo

Quero e necessito de Paz
Mas que poder tenho de mudar o " status quo"?

Que poder eu tenho???

Quantas andorinhas me acompanhariam nesse voo?


Ianê Mello


A Reencarnação

A alma sofria nos charcos dos umbrais,
Era casulo: - Ovoide perdido!
Não havia norte para os sentidos...
Em suma: - A morte das mortes mentais!...

O amor chegou com ondas desiguais...
A alma gemelar sofria sem ruídos...
Deus ouvira todos os seus pedidos:
E a Lei se fez ouvir em tempos reais!...


O envoltório vem... Vive... E Envelhece...
O cerne de veludo é tua veste!
O tempo inoperante é ilusão!...

Vivamos o amor neste presente,
Ele é fonte de luz onipotente;
Sem ele o retorno é a solução!

Machado de Carlos







Diálogo Poético - Colaboradores: Ianê Mello, Machado de Carlos



sexta-feira, 12 de março de 2010

"La Implorante"


Camille Claudel "La Implorante"



Fria
Imóvel
Estátua de bronze
Belamente lapidada
Pelas mãos de exímia escultora
Para contemplar-se
e embevecer o olhar

Bela, mas fria
Sem vida
Sem sentimento
Sem alma
 
Quando observamos atentamente,
com os olhos da alma,
nela descobrimos
um mundo de sentimentos
expressos por mãos humanas
Mãos que a esculpiram
e quando o fizeram, ali depositaram 
suas emoções, sua própria alma

Observamos então
que essa figura feminina
em posição de total submissão
parece algo pedir,
mais precisamente suplicar
com seus braços estendidos num apelo

Mas é apenas uma estátua
e estátuas não sentem dor,
não sentem amor,
não sentem raiva
Nada sentem...
Nada

Só ali permanecem
para os olhos de quem aprecia
Nós é que lhe damos vida
na medida em que tentamos decifrá-la

Na perfeição da escultura
torna-se quase humana
e nos desperta emoções
Nossas emoções guardadas
em nosso coração trancadas

Mas, na verdade, é 
apenas uma estátua...
Apenas uma beleza morta.

 

Camille Claudel, 1.899. La Edad Madura, bronce. Detalle de la joven implorante. Museo Rodin.



Ianê Mello

terça-feira, 9 de março de 2010

O aprendizado do caminhar / Uma palavra para mil silêncios





Assim a vida caminha,
passo a passo,
no compasso único de cada ser
Uns caminham lentamente,
buscando segurança em cada passo
Outros, mais afoitos, apressam o passo
e por vezes se perdem no caminhar
Faz-se necessário achar o ritmo,
a cadência harmônica neste caminhar
Cada passo pode mudar uma vida
Sejamos, pois, cautelosos
e tenhamos a sabedoria de compreender
o momento de avançar com cautela,
o momento de acelerar 
e o momento de desacelerar o passo
O momento exato de retroceder 
Sim, pois o passo não tem uma única direção
não pode ser sempre em frente
sem medir as consequências,
sem pesar os limites de cada um
Sempre existem vários caminhos,
possibilidades diversas neste caminhar
se apresentam a cada instante
Temos que ter os olhos bem abertos para ver
e sentir o que nos diz nosso coração
Aprendamos como o tigre,
que com toda coragem que possui,
recua o passo quando pressente o perigo
Observa... sente o momento certo 
e aí sim, volta a avançar.



Ianê Mello




Uma palavra para mil silêncios


Estando já meu último passo...
 
Não quero deixar só saberes
Que dizem tão pouco de nós
Não quero cobrar só deveres
Que tendem calar nossa voz
Não quero deixar só dizeres
Que silenciam no voar dos anos
Não quero propor só fazeres
Que cercam haveres humanos
Bom seria não ter que falar
Nem explicar…
Deixar-se apenas acordar
E perceber-se no outro
Deixar-se apenas tentar
E entender-se com outro
Deixar-se apenas respirar
E completar-se de outro...
Não quero erguer as bandeiras
Nem guardá-las
Não quero construir as maneiras
Nem evitá-las
Não quero desmontar as ladeiras
Nem levantá-las
Só basta um caminho, uma chance
Uma mão que se alcance
Para que haja possibilidade de sermos nós
Haja necessidade de rompermos os nós
Para sermos raízes, base e solidez
Para crermos matizes, tons, lucidez
Em terreno qualquer o que cada um é
Indo até onde e como puder…
Peço que não calculem a vida
Há muito que viver perdeu as fórmulas
Há muito que crescer além das fábulas
Há muito que enxergar mudou de século
Há muito não há que sermos máquinas
Há pouco a se dizer…
Há mais o que silenciar.


Ricardo Fabião




Diálogo Poético - Colaboradores: Ianê Mello e Ricardo Fabião

domingo, 7 de março de 2010

PALAVRAS TATUADAS/ LIRA PERDIDA / ATHENE NOCTUA* / LIMITE



 

As palavras se esvaziaram de mim
e sem elas me sinto nua
Quero vestir-me de palavras novas
Quero sentí-las tatuadas em minha pele.




Ianê Mello

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LIRA PERDIDA

Na página adiante, a fria alvura
É um mar de tão branca secura
Que por tal palavra me faltasse
Na letra ausente eu me afogasse

E tateio, adivinhando a tessitura
Se dela inda estivesse à procura
Qual se a mim mesmo buscasse
Num travo à língua, um impasse

É que falta a cor, se oculta a face
O próprio verbo criador descura
Qual se do fiat lux se ausentasse

E clama a metalingüística lisura
Na folha maculada, em sua alvura
Que eu a mim mesmo edificasse


Francisco de Sousa Vieira Filho 
['sede oleiros de vosso próprio barro.']

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ATHENE NOCTUA*

Ah, poesia, linguagem caprichosa!
Do bom-ócio grego, o farto ventre
Dúbia e faceira, mansa e chorosa
Qual se nos achega quase sempre

Em sua dança geniosa não se curva
E se ao bel sabor o sentimento turva
Mal se presta a falar o que só pode
Cantar o coração em cifrado códice

Suas belas asas não deixa vergar
A quem só dela foge, se a pretende
Esforço vão, a vil noção conceituar

E em seus profundos olhos tende
Se co'a Filosofia alça vôo acúleo
A desbravar o horizonte cerúleo


Francisco de Sousa Vieira Filho

FONTE: VIEIRA FILHO, Francisco de Sousa. Lira Antiga Bardo Triste. Teresina - PI: Gráfica e Editoria O Dia, 2009. v. 500. p. 14.
* Athene Noctua era a coruja de Atenas, símbolo da Filosofia.



Limite 





num gesto desesperado
retirou da bolsa a última palavra...
lançou-a contra as cercas da própria alma;
escaparam dois gritos e um poema


Ricardo Fabião




A imagem acima foi extraída do endereço: http://humorgrafe.blogspot.com
Chama-se "A fuga"; seu autor é Agim Sulaj


Diálogo Poético - Colaboradores: Ianê Mello, Francisco de Sousa Vieira Filho e Ricardo Fabião

sábado, 6 de março de 2010

Divina Comédia





A divina comédia humana
que um dia recebemos como herança
quando éramos ainda crianças
e nada sabíamos do mundo.
Como uma dádiva divina acolhemos
em nossas mãos pequeninas
(Presente tão encantador)
e por ela fomos levados,
dia após dia,
na inocência de quem crê.
Com o coração puro
nos entregamos aos feitiços
e às armadilhas da vida
interpretando os papéis
que a nós eram destinados.

Ao bem fomos apresentados
pela ternura de nossos pais
(quando esta houvera).
Tornando-nos crédulos no amor
que nos confortava em seu berço.
Nos sentindo protegidos,
sem nada a temer,
fomos crescendo na certeza
de que a bondade existia.

O tempo foi passando
e com ele a certeza
pouco a pouco fraquejando
cedendo lugar à dúvida.


O mal, então , se apresentou.
Súbito, traiçoeiro e ameaçador.
Revelando o outro lado
da bondade que conhecíamos.
Com ele, a insegurança se instalou
e a paz que então reinava,
pouco a pouco, desmoronou.


A angústia se fez visível
no temor ao inimigo
e em cada gesto contido
que o medo nos imprimia.
A lucidez tomou conta
da ilusão que antes existia
Do amor como sentimento único
que a natureza exprimia.


A dureza dessa revelação
se fez sentir na alma
e com ela a pureza
escorreu por entre os dedos.
A maturidade tomou a vez
da inocência perdida
e assim nos tornamos
cada vez mais humanos,
com todas as virtudes e vícios
que um humano pode ter.


Viver, então, tornou-se
uma eterna e incansável luta
entre o bem e o mal.
Contrários que co-habitam
em nosso ser cheio de contradições.
O conflito que essa dualidade gera
nos faz desejar o perfeito equilíbrio
entre esses dois contrários-
- nossa " área de conforto",
que nutre e revigora
o amor que nos deu a vida.

Ianê Mello 



Diálogo Poético - Colaboradores: Ianê Mello

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