Olho para o lado,
Contemplo ao redor.
Chora o meu poema,
No pranto dos desabrigados,
No choro dos desamparados,
na dor dos esfomeados, em todos os necessitados,
Chora o meu poema, só.
E busco versos contritos,
Espalham-se,então, gritos aflitos,
a misturarem-se, em coro,
No choro do meu poema, só.
Chora o choro dolorido,
Em desamparo,
quase falido,
sem rumo, perdido,
Meu poema 21.
E das entranhas feridas, deste século partido,
Em busca de vida, de Amor,
soa o meu poema:
Senhor Deus, salvai este poema
E tornai-o poesia cálida,
nos corações indiferentes,
descrentes e frios,
cobertos de egoísmo,
ausentes de Amor.
Lice Soares
O Homem Bom
Alma querida esqueça os desenganos,
Enobreça, pois, o teu pensamento!...
Na parábola do Samaritano
Encontramos muitos ensinamentos...
... olhares malogrados e de desdém!...
... afastou-se o sacerdote... o levita.
De fardo enfraquecido e sem vintém,
Valia menos o irmão doentio que a escrita!
À frente do companheiro abatido,
Pára, e, incontinênti se compadece;
Disse-lhe frase dócil!... — Vem comigo!
Curou as feridas em ritmo de prece.
Com termos de inexprimível beleza
Explicava o Jovem de Nazaré...
Caminhava sobre águas com leveza!
Transpunha montes com a força da fé!...
Para obter os méritos na seara
E entesourar a luz da vida eterna,
A indicação é simples e muito clara:
— Somente o amor é o recurso hodierno!...
Machado de Carlos
Diálogo Poético - Colaboradores: Lice Sores, Machado de Carlos
