O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Diálogo Poético: Ianê Mello e Joaquim Vale Cruz





POEMINHA DE CARNAVAL

Acabou o carnaval
em cinzas se transformou
despe tua fantasia
tira a máscara da falsa alegria
vem brincar de viver

Ianê Mello

***

O CARNAVAL DESTA VIDA


O carnaval desta vida
é uma mentira comprida
é uma ilusão mascarada
é uma mão cheia de sonhos
promete dias risonhos
e no fim…acaba em nada…

Mas há que remar com força
antes que a vontade torça
e acabe por se quebrar
afinal a vida é bela
vamos lá pugnar por ela
pois vale a pena lutar…

Joaquim Vale Cruz

(13.02.13)

*
Pintura de Carybé

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Dialogo Poético : Ianê Mello e Joaquim Vale Cruz




NAUFRÁGIO

Ousou amá-la como quem ama sem fronteiras
despindo-se do medo de entregar-se
Ousou amá-la como quem ama sem pressa
içadas as velas em mares profundos navegou

Ousou amá-la mais que tudo e além
abandonando-se ao encanto de pertencer
Ousou amá-la e por amá-la tanto
olhos em pranto assistiu sua partida


Ianê Mello

Afoguei-me nos teus olhos cheios de pranto
na partida, com tanta dor, daquele cais
tudo por te querer e te ter amado tanto
tudo por temer por minha ausência, não te ter mais

Mas porque mais que tudo eu te amava
e no meu desejo de tanto, tanto te querer
aqui e além cada vez de ti eu mais gostava
e por esse gostar só vim de amor, a padecer

Ousei navegar num mar profundo sem canseiras
despindo-me de todo o medo ou mau pressagio
e navegando a todo o pano e sem fronteiras
em teu corpo encontrei, por fim, doce naufrágio…


Joaquim Vale Cruz

*

 
Pintura de Alex Alemany

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Diálogo Poético: Ianê Mello e Joaquim Valle Cruz




A VIDA ARDE


como conter a sede
e afogar a dor?
a vida é sangue e sal
ferida aberta
carne exposta
olhos baços
mãos sós
fatigado corpo
enrodilhado em si
frio  de amores  vagos
escassos  perfumes
em noites  insones
inquieta  procura
silencioso  amanhecer
a  vida é vidro e corte
fuga  eterna e insana
do  que se chama morte


Ianê Mello


***

A vida é sangue é sal
ferida aberta
em corpo que por sinal
já mal desperta

É carne exposta à dor
contendo a sede
de olhos baços, sem cor
olhando adrede

É corpo fatigado
e mãos tão sós
em si enrodilhado
e sem ter voz

É frio de vagos amores
perfumes escassos
em noites de maus humores
pobres de abraços


E nesta inquieta procura
buscando um norte
a vida é tenaz tortura
e por fim, é morte !!!


Joaquim Valle Cruz

(26.01.13)

*

Fotografia de Anka Zhuravleva


domingo, 20 de janeiro de 2013

Diálogo Poético: Iane Mello e Joaquim Vale Cruz





CAIS DE MIM


A dor repouso num canto
o pranto enxugo com a mão
em poesia transborda o cantar
no encontro do verbo na ação

e de tanto desaguar em rio
sou mar de anseios perdida
mulher  entregue ao cio

só de (a)mares sinto a vida


Ianê Mello

(16.01.13)

*

Arte de Luiza Maciel Nogueira


***



Só de amar e por amar sinto a vida
tal qual mulher entregue ao cio
pois esta vida é para mim uma corrida
e cada dia seu, um eterno desafio

Sou perdido em largo mar de anseios
quando meus prantos enxugo com a mão
pois o amor para mim, tem tais enleios
que sem receios lhe entrego o coração

Por isso em poesia transborda o meu cantar
neste cais de mim em que quero aportar
para encontrar o verbo em plena ação

E assim sendo num canto a dor repouso
pois se acordá-la algum dia ouso
de certo a encontrarei nas ondas da paixão.

JVC – Fb - 2013-01-19

Joaquim Valle Cruz

domingo, 25 de novembro de 2012

DURAS LINHAS SÃO AS LINHAS





O pombo se assustou comigo

A glória de escrever bateu asas com ele

Se escrever é versejar, sombrio é não versejar

Não está vindo nada na minha cabeça

A poesia por vezes bate asas como o pombo

Mergulha no ostracismo das contas a pagar

Finca de canivete na madeira mole do acaso

Tanto risca que me confunde inteira

Traços borrados na indecisão do vir a ser

Ontem comecei a escrever algo e não acabei

Tem dias que dá certo, tem dias que não dá certo

Mas tem mesmo esses dias em que a poesia voa

Como o pombo que se assustou comigo.


IANÊ MELLO E BETO PALAIO


*
Pintura: Nicola Slattery - Caçando o pombo - 2011
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