O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




domingo, 4 de dezembro de 2011

A pomba


Por cima do telhado para além do muro voa a pomba.
Quando retorna traz no bico um galho.
Pousa no varal das roupas alcança o interior da árvore.

Repete o movimento ininterruptamente.
Não sente-se cansada: o galho no bico
É a sua mais justa recompensa.

RODRIGO DELLA SANTINA

sábado, 3 de dezembro de 2011

Amores Gris







Nossos olhos não mais se vêem
Cobertos nossos rostos pelo véu da indiferença
E no vazio que entre nós se instalou
enchi de versos sua presença



Para me sentir mais perto construí
pontes de palavras pelo chão
Estreitando a distância que se fez
nos corpos lado a lado no colchão



E na penumbra da ausência distraída
brinquei de me enganar que era feliz
e numa ternura descabida
teci com palavras amores gris


Ianê Mello

 
Amor cinzento é o meu
Amor anoso
Amor que floresceu
E me deu gozo


Em interregno anos vivi
Desde a infância
Mas tudo eu resolvi
Com a distância


Parecia só haver em nós indiferença
Num vazio que em ambos se instalou
Mas com cartas supri sua presença
E a chama anos passados por fim voltou


O mar nos separou por algum tempo
Que foi de angústia e também de ilusão
Mas com o regresso, terminou esse tormento
E a calma nos voltou ao coração


Esse amor então se transformou em maravilhas
Em frutos que enchem de encanto as nossas vidas
São eles o carinho e a ternura de duas filhas
E de dois netos que tornam nossas vidas coloridas


Joaquim Vale Cruz 




Créditos de Imagem: Pintura de René Magritte - Os amantes.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

MULHER PÁSSARO






Há muito tempo procuro
por minhas asas

sei que as tenho
desde que nasci
...
acredito que posso voar

agora
meu coração
sinto pulsar
em minhas mãos

minha alma flutua
... leve

sinto que renascerei
das cinzas

em breve, o céu...

sou uma mulher-pássaro
e mulheres-pássaros podem voar...

O céu é meu limite...



Ianê Mello, inspirado na música Bird Girl - Antony and The Johnsons



Tu és a Fénix renascida
Cujas asas foram feitas para voar
E ao olhar-te a gente fica embevecida
Tal é o teu encanto, o teu sorriso, o teu olhar


Mas ao sentir o pulsar de teu coração lindo
Que faz tua alma flutuar
Vemos o céu que é teu limite, porque é infindo
Como é infindo o teu encanto, no rimar



Joaquim Vale Cruz









Créditos de Imagem :  Pintura de Rene Magritte.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Em Oração









O mar guarda segredos
em ondas que vem e vão
em meus olhos
infinitos se descortinam
minha alma lançada ao mar
em total solidão
.... estou só
nessa imensidão azul
de iodo e sal
sou grão de areia
pequenino e frágil
elevo meus olhos
aos céus e peço 
em oração:
- Ser divino de luz
tenho pés de barro
dê-me asas para voar
e com a ponta de meus dedos
permita-me tocar a face das estrelas
derramo meus olhos 
marejados
nessas profundas águas
nessa fonte de desejos
desvelo-me da dor
meu corpo flutua
e minha alma pura
nua....
se liberta
e voa...

Ianê Mello, inspirado na música Dante's Prayer - Loreena McKennitt.




O mar guarda segredos
Guarda enredos
No mar sem fundo
Me confundo
No seu vai e vem
Eu vejo alguém
Vejo a dor
Vejo o amor
Vejo a sorte
Vejo a morte
E a solidão
Da sua imensidão
Tantos caminhos
Sem carinhos
Nele percorri
Mas sobrevivi
Fonte de vida
A mais querida
Dali todos viemos
Por ele tantos padecemos
Quantos junto a ele se amaram
E se deixaram
Mas sempre nele se encontra inspiração
E tantos nele afogaram a paixão
E na sua nudez tantos se afogaram
E libertaram
Por isso gosto tanto de ti ….OH ! MAR……..


Joaquim Vale Cruz

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Encontro Poético em Vidráguas - Adriane Lima e Ianê Mello (25.11.11)




Poema Prisioneiro




Não...
Nem sempre entendo
por linhas tortas
por verbos arrastados
por palavras generalizadas


Quero o real
derramado pela vida afora
indicando o que é sentido
por ouvidos atrevidos
especulações de amor errado
versos bandidos
meros recados


Chega de filosofia
de comer na mão
de quem só se sacia
de mistérios e encantos
de pura magia


Escrever,como quem faz
regras a sí mesmo a esmo
Escrever,como quem faz
pão a quem tem fome
Escrever,como quem é
livre de gestos ou
palavras...


embora algumas
permaneçam enjauladas
na garganta e pela força
santa,não encaixam na
escrita nesta hora


liberta-las?
muito embora
ato necessário
não é hora...


palavras pretenciosas
palavras escancaradas
palavras emudecidas
palavras misteriosas


palavra...
verbo sem ato
de existir de fato
uma palavra que
convença


palavra sentença
nula de emoção
nua em noite
de escuridão
onde serei sempre
refém de meu poema vão




Adriane Lima


Créditos de Imagem: Sergey Ignatenko








Palavra Liberta






palavras...palavras...
nem sempre exatas
imprecisas palavras
palavras comedidas
palavras sufocadas
palavras enjauladas
palavras perdidas
palavras mutiladas
palavras nutridas
palavras em botão
palavras sim
palavras não
palavras de bom tom
palavras semitonadas
palavras desafinadas
palavras soltas
palavras asas


....


Ave PALAVRA!!!!!!






Ianê Mello




Créditos de ImagemBorodin Alexey

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