O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




terça-feira, 15 de março de 2011

PALAVRAS SUSPENSAS





Universo em desencanto
faz entoar o canto
do poeta trovador
Em versos, em rimas
desatina palavras suspensas
atira dores ao vento
com o bater de suas asas
Penas de águia,
olhar ao longe.
além do horizonte...
sempre além...
Em suas mãos brotam sonhos
Arco-íris matizados
em adjetivos, substantivos
Singular plural
Coletivo universal
Arquetípico sentir
O poeta cumpre assim
seu papel fundamental:
intérprete do humano


Ianê Mello


O miserável


Eu vejo um miserável.
É um velho. Como a borra do café.
Espera o sino bater, bater nove vezes
E senta à igreja, na escadaria.
Tira do bolso um garfo e enche o estômago de perfumes.

É um velho.

Agora vai descendo a rua.
Balança os braços. Não pensa em nada.
Nem na noite que lhe envolve o corpo.
É um velho. E balança os braços.
Como um títere suspenso.

RODRIGO DELLA SANTINA

segunda-feira, 14 de março de 2011

Pó de Poesia

Parabèns à todos os poetas pelo dia de hoje. Mantenhamos sempre acesa a chama da poesia.

Com meu carinho.




Poeira
Poesia
Palavras na poeira
Poesia em palavras
Palavras em pó

P
O
E
S
I
A

Palavras no vento
Palavras ao relento
Palavras... palavras...



Ianê Mello



quinta-feira, 10 de março de 2011

Criatura


Ergue tua cabeça, criatura,
Sê completa em tua imperfeição!
Descobre teus olhos, tira-lhes as pálpebras que os
        cobrem, e vê, quase que inteiramente, diluindo-se
               célere, como no movimento browniano, a vida
                                                                       miserável ante a ti.
Vê e ajoelha: o miserável és tu.

Ó, criatura, não balbucies,
Não tremas inutilmente os lábios;
Guarda o teu espanto, a tua dor, teu desespero;
Guarda o teu medo e tua vontade de chorar.

Não deixes roupas sujas sobre a cama.
Não deixes sobre a cama roupas sujas.
Limpa tua casa como se a vida fosse justa e tudo no
           mundo te fosse indiferente ou desimportante.

Calça os teus sapatos de trabalhar,
Veste a tua calça de trabalhar,
Põe tua camisa e teu chapéu de trabalhar
E sê como és, ó criatura.

Mas ergue tua cabeça,
Tua cabeça ergue,
Não para sentires orgulho,
Mas para te enojares de ti sabiamente.

RODRIGO DELLA SANTINA
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