Eu vejo um miserável.
É um velho. Como a borra do café.
Espera o sino bater, bater nove vezes
E senta à igreja, na escadaria.
Tira do bolso um garfo e enche o estômago de perfumes.
É um velho.
Agora vai descendo a rua.
Balança os braços. Não pensa em nada.
Nem na noite que lhe envolve o corpo.
É um velho. E balança os braços.
Como um títere suspenso.
RODRIGO DELLA SANTINA
2 comentários:
Belo poema sobre a fragilidade dos nossos velhos...da vida que se desrespeita...
Bjs
Obrigado, Ana! Que bom que gostou de meus versos.
Grande abraço,
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