O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




quinta-feira, 29 de abril de 2010

Liberdade!... Onde está?


Liberdade!
Onde está!?
Fala-se dela mas…
Cego é aquele
Que pensa estar livre.
Liberdade
É uma utopia
É um modo de vida.
Só se está livre
Em pensamento.
Liberdade!...
Onde está!?

Bravo









Está na utopia do 'Livre Arbítrio
Na ilusão da 'Livre escolha'
Na falsa idéia de democracia.
E a natureza, senhora de tudo
Segue dando as cartas
E gargalhando a toa
De toda estupidez humana
Ante às leis causais.

Jairo Cerqueira


Atores, nunca autores.
Fingimos que decidimos
nossas dores, os amores.
Traçado está o caminho
a linha de nosso destino.

Drica


Diálogos Poéticos - Colaboradores : Bravo(imagem e poema),Pintura do Sr. do Vale" De dentro pra fora de fora pra dentro, Jairo Cerqueira, Drica

Cores e versos





Quero
Ao menos
Um dia
Que seja
Todo feito
De cores
E versos

Um dia
Sem temas
Sem assuntos
Sem eventos
Adversos

Os pensamentos
Submersos
Num mar de chá
De canela
E maçã

Um dia
Assim...
Meio Amsterdã


Arte e texto: Zélia Guardiano



Tenho


O que tenho é puro alimento
Basta para mim com aviamento
Me abasteço nas sete cores
Que saudades ter os mesmo amores
Ainda não aprendi sou multicores
Saio e caminho pelos corredores
Onde ainda tenho marcas
E em certo ponto dores
Mais sei sentir o vento
Ele sim é um alento
Aquele que traz um maravilhoso
Movimento
Amo as ruelas de Ouro Preto
Mesmo na escuridão
Lá almas vagueiam são uma
Multidão
Nunca serei completo
Me sinto ainda um deserto
Sou um ser demente na procura
Do certo
Ainda bem que temos sede
Isso é viver não só de concreto
Mas querendo mais, não o exato
Mas o que me faz muito pensar
Tudo aquilo que é incerto
Que me remete a discutir
Não nasci para ser somente
Um pequeno inseto




Ulisses Reis®




Diálogo Poético - Colaboradores: Zélia Guardiano (arte e poema), Ulisses Reis

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Quando Jaz um sentimento




Bate o coração dentro do peito
Desafiando a lucidez de uma razão           
Explode loucamente e desse jeito
Acaba de uma vez seu sofrimento. 
Descompassando cada vez suas pancadas
Digladiando com a massa cerebral,
Bate o coração dentro do peito
Anunciando o seu estado terminal.
           
 Triturado por um cérebro pensante
 Jazendo derrotado e amargurado
 Vendo o túmulo que está ao teu aguardo
 Levanta a seguinte indagação...

_ Fosse esta briga com um cérebro idiota
Estaria eu caminhando para a morte?



Jairo Cerqueira  2004



Jazeis


Aqui escutando jazz
Que como o amor
Vem sincopado
E cheio de improviso
Jazer olhando o teto
Ainda me inflama
Sentimento e jazz
Nos dois
Mudanças rápidas
De tom e humor
E meu coração
Bate no ritmo
Do viver
Tem percussão
Mesmo jazida




Ulisses reis®




Diálogos poéticos: Jairo Cerqueira, Ulisses reis

Cão de rua









Cachorro perdido
Velho e fedido
Ela afaga
Gosta de bicho
Olha e desolha
Fica e namora
Cão de rua
Sem casa e amor
Faz do lixo sabor
Sem dono nem casa
Fica de cá pra lá
Lambendo a língua
Quer comida
Carinho de alguém
Orelha em pé
Cachorro de fé

Ulisses Reis®



terça-feira, 27 de abril de 2010

Raça de cães!... / O desvio


Raça de cães maltrapilhos
Que se erguem das cinzas
No meio da neblina
De uma selva nua.
Subjugando
O ser humano
A uma vida escrava.
Deixando somente
Restos mortais
De um sonho de liberdade.


Bravo



Raça de cães, andarilhos,
Homens-cães, tanto faz
Ora usam da força física
ora subjugam na mente
de um ser [in]defeso
mulher, normalmente,
a inocência tão somente.
Ferem a psiquê, tolhem
com técnicas, sem éticas
E derrubam, ACABAM
com um ser, podres raças
que erguem uma taça ao
prazer de ver no outro
já subjugado, o sofrer.


Mirze Souza




O desvio
    

  
  Eles eram milhares, uns sobre outros, com aquele escuro pesado dentro dos olhos. As ruas estavam tomadas, os sorrisos tomados, as possibilidades... 
    Passei calado com uma poesia escondida sob a pele, lentamente para que ela não acordasse ali. Eles me viram mas não sabiam meu desvio. Não puderam entender que guardo mundos, que arrisco minhas noites em rima e verso. Isso é muita estrada para o nada que carregam por dentro. Tomei a primeira esquina e saí...     
    Adiante, retirei do bolso uma luz já meio apagada e colei-a no céu para virar lua acesa. Ficou metade viva apenas, amarrotada de tanto esquecimento, mas era ainda uma lua que se via. - Pronto, a humanidade tem meia luz para uma chance. Do outro bolso puxei um velho sonho e o deitei em algum lugar. Dormi dentro dele e apaguei as chaves que retornavam... mas lá fora deixei a lua para guiar outro desvio.



Ricardo Fabião



Víboras peçonhentas
Mal amadas e ressentidas
Que na fraqueza dos que oprimem
Se fortalecem sem ver virtudes.
Na lágrima amarga da ilusão
Forjam o sorriso enganador
E enganam as dores que sentem à noite
Na solidão que lhes cobrem os rostos
Sugando o sangue dos que lhes beijam.


Jairo de Salinas
 


Diálogo Poético - Colaboradores: Bravo, Mirse,Ricardo Fabião, Jairo de Salinas. 


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