O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




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sábado, 21 de julho de 2012

GOSTOSURAS E TRAVESSURAS




Mais se encanta o entendimento
conhecendo melhor a poesia
ciência e erro sem fim
toda gramática nela penetra
o melhor propósito em orações
gostosuras que a métrica propõe


Travessuras que em versos
cirandeiam antigas cantigas
inocência da criança perdida
que em poemas revela seu encanto
e num espanto de alegria explode
em risos que atravessam o passado


Há no amor um despropósito
com a clara manhã desperta
em sóis que refletem nuances
corpos num palpitar de rendas
teias na eleição do caminho
gostosuras que dormitam no ninho


Amor que se perde em travessuras
para encontrar-se no desenlace do carinho
em pétalas de rosas que se abrem
em floresceres de proibidos frutos
desejosos os amantes em plenas carícias
na noite que se finda em estrelas


Aqui  se oferece o pão do mundo
no pavilhão de caça da arte
 em toda parte o amor alcança
quer ao filósofo ou a criança nobre
pobre de quem ao poema não se excita
gostosuras que adoçam a alma aflita


Em travessuras o amor se despe
eterna brincadeira de sentidos
a corações apaixonados enternece
a mãos que propõe o acalanto
almas que se entregam ao infinito
e nele regozijam o seu canto


Beto Palaio e Ianê Mello


*



sexta-feira, 20 de julho de 2012

GRITOS E SUSSURROS




Por um caminho arborizado
estrada lamacenta
rua sem saída
causava aflição
nas horas desiguais
noite e dia em um grito

Sussurra a noite vazia
entre verdejantes campos
enquanto a alma desatina
cantares em desencanto
num esgar de sorriso e
no pranto
que deságua lento

Existe algo que ama
transforma vultos em pedra
salinizando sentires
no veloz silêncio que corre
o canto religioso do grito

Pela noite adentro
envoltos em névoa e luz
espantos e  sentimentos
acobertados pelo medo
em sussurros inaudíveis
que se perdem

Se ao menos um murmúrio
olhasse para a estátua
da embriagada manhã
transformada em grito
bruscamente ofuscada
em sombreados que adormecem o dia



Beto Palaio e Ianê Mello


*  Foto de autoria desconhecida

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

AMOR DE ANUNCIAÇÃO

Orrik "Angels in love"


Tudo em você me atrai 
sou teu, 
sinto que te pertenço
tenho em mim seu gosto
sua pele me toca como
se fosse minha segunda
pele.

Tua pele morena
que me aquece e provoca
desejos em todo meu corpo
sou tua
agora e sempre
teu corpo completa o meu
côncavo e convexo.

Te amo
E estou cada vez mais
apaixonado pela sua
candura.
Cada vez mais sedento
pela sua doçura.


Teu amor me envolve
como pura seda
toca minha pele
suavemente...
como uma língua macia
a acariciar meu corpo.


Nas torrentes
De tuas delícias
Me darás de beber
Farturas de manjares
O amor que se faz
Sem fronteiras
Num afeto assim
Desprovido de limites.


Como um rio caudaloso
nos banhamos em fluídos
de nossos corpos sedentos
no amor enlouquecidos
em prazeres e desejos
terno e quente
num mergulhar profundo.


Lindo é ter você
de braços abertos
esperando por mim
onde eu adentro
e me entrego
à tua dança especial
ao teu carisma
carinhos infindos
amor sem pejo


Amor que provêm
que retêm anseios
de partidas e chegadas
que adentra a madrugada
no calor do edredon
em nossos corpos nus
no ar de perfumes místicos
que do amor exalam.


Andamos pelo mundo
Das palavras todas
Que nos promovem
À menestréis e poetas
Atrevendo-nos a viver
Sagas de reis ciganos
Habitando doces tendas
Irmã do vento você
Irmão das estrelas eu
Unidos pela ternura.


Num mundo mágico vivemos
somos todos
e somos um 
Mestres na arte da palavra
com elas cobrimos
nosso leito
e  em pétalas de rosa
nos deitamos em amores 
perfumados e febris.


Bruma em rosto eterno
Mármores brancos adiam
Por mais mil anos
A saga do nosso amor
Somos Taj Mahal ao longe
Brilhos de incontida beleza
Amor de anunciação.




Beto Palaio e Ianê Mello


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