O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




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domingo, 4 de setembro de 2011

SÁBADO POÉTICO ( 03.09.11) - Livre criar é só criar


SÁBADO POÉTICO ( 03.09.11)



Essa tela de Vladimir Kush será a nossa inspiração para esse Sábado Poético.
Participem!
Bjs.

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Pérola

Pérola do fundo do mar
Para um mundo de ilusão
Pra teu peito adornar
E escutar teu coração

Sidney Santos


Soneto para ela, a pérola

Quando estou desconsertada
vou mundo adentro e me sento
num lugar lindo
melodioso, ouço muitas vozes, é no mar!

é lá que encontro seres abissais
objetos raros,delicados
falam coisas para mim
fico enfim..feliz

Remexo a areia não mais quente
deito e relaxo e de leve toco
a concha aberta, para mim.

Pego e sussurro...hum..tem cheiro de maresia-flor
me contento e invento amor
a concha aberta diz bem baixinho: Entre, mulher terrestre, te dou guarida.


Giselle Serejo


Fim de Tarde- Pérola da Natureza

O sol desce até aonde a onda pode atingir,as nuvens desenham a brincar nas telas do céu o fim da tarde chegar como uma pérola da natureza a se mostrar ....


Carlos Francisco Valverde


Trecho de um conto chamado SENTE-SE AQUI

Se puder. Eu vou até te contar. O segredo da concha de madrepérola que veio do mar. Ela é um peixe cristalizado. Nua concha de pele dura. Suas escadarias em espiral. Onde uma sereia é prisioneira de Netuno. Em que, nas noites de lua, a sereia vira pássaro e foge deste mar de ruídos que a concha esconde para ouvidos atentos. Eu vou me dedicar aos teus carinhos. Meu mundo está tão frio quanto um molusco marinho, tão vazio quanto uma promessa de voltar para casa. Na rede. Seu algodoal. A sereia do entendimento cria asas. Com desejos de voar para longe...

Beto Palaio


Grandes lições da pequena pérola

Lá está...
Com sua simples e magnífica
Fala silenciosa...
Aquela que por dizer tudo
Não precisa dizer nada...
Basta sua presença
Dizem que seu nome é pérola
E que sua casa é a ostra...
Como ela sendo tão magnífica
Pode morar em um lugar tão fechado
Sem possibilidades (talvez)
É bom que assim seja,
Porque assim aprendemos
Que as possibilidades
São feitas por nós!
Bonitos ou feios
Silenciosos ou escandalosos
Ricos ou pobres...
Somos nós os donos
Dos rumos de nossos destinos...
Basta que saibamos usar
As possibilidades nos dadas pela vida....
Se assim agirmos,
Coisas pequenas
sS tornam grandiosas
E tão, ou mais magníficas
Que a pequena grande
Pérola agora admiramos.

Vanessa Vieira

Como pérola na ostra
o amor em nós
se guarda


Ianê Mello


UM PEDAÇO DO CÉU

Dentro da ostra
Mostra a pérola 
O que em outra Era 
De areia era grão 
Do mar de então

E o nacarado céu 
De alvas nuvens
Resplandescentes
Lembranças de um sol
Que brilha só, por eras
Na luminescente pérola

Um lindo colar
Quimeras, no colo de 
Belas mulheres 
Que trazem no seio
No anseio de amar
O colar de pérola
Um pedaço do céu
No encontro com o mar

- Ricardo Daiha -


IMPRESSÕES

Na tela do autor vejo a pérola
Reluz na areia do mar
Sua obra é bela
Linda e surreal
Não é Marc Chagall
Menos ainda Salvador Dali
Nos encanta de forma ilustrada
A beleza da vida marinha
No interior da concha há luz
Símbolo do conhecimento
Virou vida e arte
Lembranças vivas fazem parte
Resta-nos somente a beleza
Do sonho à realidade
Profusão de sentimentos
Nas mãos de Vladimir Kush
Somente a luz da mulher bela
Encalhada na areia do mar
Deserta.

Jana Valentina


Todos cobiçam a pérola
pois fiquem com ela
que utilidade tem?
Eu quero a concha
para ouvir o barulho do mar...

Maria de Fátima Monteiro

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Palavras do Além-Mar

Pintura de Vladimir kush


Em homenagem a todos os queridos amigos que vivem do lado de lá do Atlântico.


Do lado de lá do Atlântico
palavras-poema
num barquinho de papel
doces encantamentos
vindos de além-mar
nos convidam
como o canto da sereia
ao eterno
sonhar.



Ianê Mello



Do lado de cá do Atlântico
Deste Portugal distante
Sente-se o doce encantamento
E o terno sentimento
Que nos vem desse Brasil

Desse Brasil que é um sonho
Com terras e gentes belas
De amizades singelas
Que nos enchem de carinho

E num barco de papel
Eu envio este poema
Que tem como simples tema
O amor e a saudade
Que em noite de luar
De tal forma nos enleia
Como o canto da sereia
Que nos convida a sonhar…


Joaquim Vale Cruz


[Cartas da Travessia]



É tanto tão só, aqui deste lado
do lado de dentro de nós
da parte de dentro, que vive
sonhando o tanto do dia acordado,
a parte inclinada da travessia, onde


Tem na água o sabor da vida
o tudo necessário para que o coração continue
o seu incessante trabalho de viver.
Tem na água
o espelho, o tanto tão só revistado
no espelho irmão,
feitor de página em branco, sonhador
do pássaro do fogo e da verdade, que
depois de enxaguado dos interesses do mundo, e
rosto renovado das universais ordens
do mar, acontece
brancas mãos, átomos e gotas
das cartas do mar rascunho e travessia,


a dança no vento ligeiro
que se eleva um pouco, toca a sua estrela
de cinco, de quatro, de três pontas,
remate dos longes do homem.
O átomo e gota
a dança do ar ligeiro,
o pulso da brisa que se voa e revoa
entre si,
e como se fora um sonho
de rei menino do tamanho do sol,
constroi um rouco apelo às margens, a
cornija atlante
que comprime as águas
apequenadas nas sombras matinais,
que se fundem nas noites tardias
dos nortes humanos.


[…]


Pouso um pouco a cabeça,
no corpo seco do vento ponteiro
do Sul,
ilha do meio do ar, corpo inteiro,
e procuro nas canções da vida,
cansadas de mundo,
o princípio do dia.
Parto à boleia por essa larga avenida,
que desemboca aqui, na casa de grande
de cá e de lá, da praia do mar,
sabor novo do tom breve do dia, carta de marear
e é aí que tudo começa em grande segredo,
essa grande travessia…


Leonardo B.



Gosto de a ver daqui...
Quando o comboio atravessa a ponte..
Sinto que ela me fala...
Que teve saudades minhas e os meus poemas são tão vazios quando não os escrevo aqui...
Ás vezes, esconde-se no manto grosso da chuva e parece triste, abandonada, cinzenta....
Contudo, nunca um abraço foi tão caloroso, tão sentido e tão desejado....
Por mim e pela cidade, a do néctar perfeito - o Vinho do Porto....

Marta


BARCAROLA 


Balança, balanço.
Onda vai, onda vem.
Esquerda, direita
sem decidir-se,
sem pensar,
num exercício aeróbico sem sentido
silencioso como a vida.
Só um rangido de costas rígidas.
Vai e vem.
Como os caranguejos,
os pontos de costura,
um erro de postura,
Um claudicante pensamento
de indecisão lateral.
Vai, vem.
Vou, não vou.
O vento, onde está?


Jane Chiese




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