O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




Mostrando postagens com marcador Herman Hesse (O lobo da estepe). Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Herman Hesse (O lobo da estepe). Mostrar todas as postagens

sábado, 27 de agosto de 2011

SÁBADO POÉTICO ( 27.08.11) - Livre criar é só criar (facebook)






HOMEM-LOBO

O homem maduro agoniza.

Em suas descobertas arrepiantes, 
Pensamentos angustiantes. 
Simbologias da solidão. 
Solilóquio e ruminação.

E o caos domina, eterniza. 
Guerra e redenções de eus,
Fantasia do real,
Signos seus e meus.

Mergulho fatal:
Cego, surdo, mudo
Teatro do absurdo.
Raro e feito para loucos

Anti-herói triste de poucos.
Jogo de espelhos de si
Só nos resta a fantasia:
Viver e aprender a rir.

Andrea Lizarb

Eu queria
Dançar-te a dança dos loucos.
Uivar o som dos lobos em lua cheia.
Levar-te na garupa de meus sonhos
Eu queria

Andrea Lizarb



Um homem solitário caminha no vazio mergulhado na letargia das páginas em branco. Entre vales e montes perde-se o seu destino. Não há nada escrito nas folhas do tempo perdido; e num vôo enlouquecido atravessa as suas dores e pousa no seu caos. Despe a sua loucura e continua só dentro da sua insanidade.

Ydeo Oga



O LOBO DA ESTEPE

Para Herman Hessse

Não faça barulhos surdos
ele dorme o sono dos covardes
não poderá lhe ouvir
enquanto  o vento sibila
acalentado nos sonhos
ele aquieta o lobo
que uiva dentro de si
fechados os olhos
animal contido
o pelo já acizentado
por anos vividos
o faro já enfraquecido
para odores mais suaves
os dentes não tão afiados
acostumado ao cativeiro
lá o lobo se esconde
pernas enfraquecidas
 para  as estepes íngremes
permanece solitário
num mundo que não é o seu
e quando a lua alta  no céu brilha
escuta-se, como um lamento, 
o seu profundo uivo de dor.

Ianê Mello



O Misantropo (Herman Hesse)



Lobo solitário viajante das estepes frias e longínquas
Misantropo endurecido pelo pós da guerra
Cantor de versos tristes e frementes
Lúgubres são teus dias enfadonhos
Mas que por algum motivo
E que motivo foi envolvido
Dormes com a noite
E sob o sol da manhã renova tuas veias
Vida in cauta
Envolvente literatura romanceada.

Giselle Serejo




Lobo Solitário da Estepe ( Herman Hesse )

Romanceiro da tua própria vida
estranha, solitária, profunda
caucasiano literato feito sangue pulsante
inebriante literatura a tua
queima como o sol da Naníbia
a tua prosa cautelosa
nada fria
Constantino, Rei
nunca me cansei de te ler.

Giselle Serejo





AOS NOSSOS LOBOS

seu martírio
é nossa prisão
o medo do selvagem
ato intuito
impulso livre e natural

na esperança de o deter
o colocamos atrás de uma jaula
escura
mas seu cárcere não nos sacia
do gosto de sangue
da sua carne viva

“a fera está contida
tudo sob controle
não há o que temer!”
gritamos a todo instante
sem convencimento
pois sentimos a força de um olhar
silencioso e manso à nossa espreita

humanidade morta
seu animal vive
atrás da porta
do pensamento

Gustavo Gomes de Matos



Profano e Sagrado

Se ele fosse movido só pelos sentimentos,
Viveria a vida boêmia, amante e sublime,
Se sua não fosse a face aguda da burguesia,
Se a santa vida não fizesse o descrime...

Se ele pudesse trevas e luz misturar,
A dualidade do profano e o sagrado,
A unidade de personas pudesse encontrar,
Se houvesse mil espectros em um unificado...

Seria como os coesos amantes 
Sentiria a voragem oculta, transcendente
Que se cala em maridos e fala aos amantes.

Integraria santo e libertino 
Esqueceria as razões circunstantes
Seguiria o pólo magnético do destino.


Andrea Lizarb








O LOBO É O HOMEM DO LOBO



Vida esponjosa
manancial úmida
goteja sólida
selvagem natureza.
O lobo engole o homem
sentida angústia


digere aos gritos o que o sofrimento cala;


no vômito, encontro poucas certezas


quem sou diluiu-se no estômago ácido.


O radar avisa:

Limite de velocidade na próxima curva.


-Não posso! Preciso continuar fugindo...

Acabei de atropelar a criança que um dia fui.

O melhor de mim hoje morreu.





Lou Albergaria





Imagem: William Blake







LOBO, LUPUS, LUPO

Lobo, Lupus, Lupo
Caçador e caçado
Sou vários de um todo
Uno e divisível
Solitário e terrível

Lobo, Lupus, Lupo
Do astuto e temível
Restou o arruinado, o carcomido
Da matilha escurraçado
Quase que um morto-vivo

Lobo, Lupus, Lupo
Antes dono da floresta
Líder e andarilho
Percorro agora
A trilha que me resta
Só e maltrapilho

Lobo, Lupus, Lupo
E assim, por essa sina
Uivo à noite para a lua
Prucuro resposta do luar
Para o que fui
O que sou
E o que será
De mim

- Ricardo Daiha -



Related Posts with Thumbnails