O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




Mostrando postagens com marcador Beto Palaio e Ianê Mello. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Beto Palaio e Ianê Mello. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

AFLORAÇÃO






Voam cores no arrebol
dilúvio de tons arredios
afogamentos de luzes ardentes
nuvens que pintam em artifícios.

Por onde vamos nós?
amantes de rumores vastos
pecadores em caminhos aflitos
Bacantes em desejos afins.

Fecha-se a porta da formosura
o tempo corre incógnito e ligeiro
sonhos abundantes já rareiam
momentos tão queridos se esvaecem.

Para onde vamos nós?
navegando afluentes do sagrado
redes de densos ocultamentos
desencantos em caminhos afortunados.

Floreiam nos jardins flores outonais
no tempo que corre sem favor
deixando vestígios nos rostos maduros
nos corpos vividos apenas cansaço.

Para onde vamos nós?
correndo contra o tempo
enganando nosso sentir
Iludidos por uma vida fugaz.


BETO PALAIO E IANÊ MELLO

*
Pintura: Aquarela de Emil Nolde

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A CIRANDA

                                                       Henri Matisse "A Dança"


O universo é o homem
O homem é uma árvore
A árvore é um gnomo
O gnomo é um leopardo
O leopardo é o bosque
O bosque é o universo

A pétala é a flor
A flor é o néctar
O néctar é a abelha
A abelha é o mel
O mel é o casulo
O casulo é o colibri
O colibri é a pétala

O mar é feito de caminhos
Os caminhos são feitos de pó
O pó é composto de diamantes
Os diamantes são feitos de sonhos
Os sonhos são feitos de nuvens
As nuvens são feitas de mar

O céu é feito de ametistas
As ametistas são feitas de amores
Os amores são feitos de constelações
As constelações são feitas de preces
As  preces são feiaos de desejos
Os desejos são feitos de céu


Os enganos são como a fúria
A fúria é como o redemoinho
O redemoinho é como as asas
As asas são como a ascensão
A ascensão é como os saltos
Os saltos são como os enganos

As verdades são como punhais
Os punhais são como a ferida
A ferida é como o sangue
O sangue é como dilúvio
O dilúvio é como o infinito
O infinito é como as verdades


Beto Palaio e Ianê Mello

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

ANJO EM PECADO
























Falta um anjo em minha ceia
Com asas de crepom e prata
Que não tenha quase fome
Ou um pouco de fome apenas
Mas da fome que me renda
A condição de ser devorado
Ao suave apetite deste anjo
Que ao amor é consagrado


Na minha ceia falta um anjo
Um anjo bom e de expressão suave 
Que me venha devagar e acalente
meus mais doces sonhos
Anjo com asas para voar
Anjo de luz que pouse
levemente suas mãos
em meus cabelos de fogo


Faço festas quando elevo-me
Em hora de render homenagens
Para um anjo em tudo esfaimado
Que sussurra notas de empenho
Faz abril se tornar setembro
Floresce meu jardim com rosas
Ao deitar-me em perfumes
Beija-me a boca sem pressa
Em propostas que não escuso


Anjo que exala ardores
de frutas e de flores silvestres
Anjo que vem de longe
nas asas de prata orvalhadas
pelas noites a vagar
Anjo de quimeras tantas
vindo de esferas estelares
para povoar minhas fantasias


Vem do silencio uma prece
Do amor mais terno e viril
Daquela voz que promete
Um oferecer em renúncia
Embates de romper laços
Do cetim de semi-carnes
Ao que fomos destinados
Desde que tempo é tempo
Ao amar sem embaraços


Anjo terreno, de pele morena
Anjo de pele branca de marfim
Dois anjos, unos, indivisíveis
Anjos com asas de crepom e prata
Anjos no amor conjugados
Anjos em humanos disfarçados
Querubins em sonhos tão sonhados
no encontro de almas reunidos



Beto Palaio e Ianê Mello

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A MENTIRA

Belmiro de Almeida" Arrufos"

Atrás dela, à distância
A única razoável
Mentira que contara
Se travestia de santa
E, menina que fosse,
Uma mentira jovem
Ainda que bastasse
Uma só verdade

Mentira, mentira, mentira
Três vezes vira verdade
Pura conjuração
Em seu versar a maldade
A fala da traição
Conspira com ouvidos
que lhe dão atenção
desconstrói a criação

Há tantos caminhos
Para Roma, mil deles
Para a verdade um só
Basta exprimir o verbo
De maneira didática
Falar o que deve enfim
A ser dito, em vogais
E consoantes, planas

A mentira tem meandros
Gira, gira e volta
no mesmo lugar
Sempre complexa
Palavras excessivas,
detalhes por demais
Tramas, tremores, trilhas
caminhos de enganar

O demasiado é geral?
Nem sempre se sabe
Das medidas seguras
Entre o mentir rindo
Ao confessar chorando
Em outras variantes
Inseguras, por certo,
Mas em correto agir


O mentir é habitual
dos que vivem da ilusão
das inverdades,
das meia-verdades,
das intrigas, do desamor
A verdade apavora,
assusta aos covardes
quando dita na cara
sem subterfúgios
A mentira apunha-la
A verdade liberta



Beto Palaio e Ianê Mello

terça-feira, 16 de novembro de 2010

EQUUS

NARCISO

Jean- Honoré Fragonard


Desalinhos, frutos da placidez, em descaso
dentro do relvado, um ninho, desnudo
sua imagem, até que venha, a sede
apenas miragem, em fortes muros, encerrada


Suas vestes algodoadas, brancas
natureza selvagem e sólida
mas dócil e contemplativa
Um belo rosto a refletir na límpida água
Serei eu ou será você nesse reflexo ?


Sitiada, sua cidadela, em corpo nu
avante, delicadamente, virá o vôo
de sua imaginação, o equilíbrio, narcisos
deitam à água, suavemente, em espelho


O lago, plácido e sereno
recebe essa imagem que se espelha
como fora sua própria e nela se deleita
em transparências e perfumes, brancas pétalas



Ídolo que seja, perante si mesmo, se encanta
deuses ao meio, para lá céu, para cá, água
afogados os pronomes, tu, sua, vossa, por ali
numa voracidade, que se esvai, em nunca jamais



Mitos e deuses que refletem a vida
e permeiam de fantasias e símbolos
ao apreciar simples dias mortais
Em reflexo no espelho do cotidiano
contemplo minha própria imagem
sou real e na minha condição me admiro


Beto Palaio e Ianê Mello

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

RUMO AO MAR

SoL nA LuA





explodE
cOrdão
miaSma
sábAdo
ArteFato
duvidOso

naS
Nati-morta 
basaL
Espectro
coRpo
iMovél

faZenda
bombA
dEsminta
hoRas
diminUtas
pLenilúnio

lobO
uivaNdo
pRá Lua
Anunciação
prenÚncio
cataClisma

boteCo
vira-Lata
cOcaleiro
marretA
mEia-lua
aluniZagem

terr
raR
azuLzinha
Infinito
viVente
Humano



Beto Palaio e Ianê Mello
Related Posts with Thumbnails