O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Diálogo Poético: Ianê Mello e Joaquim Vale Cruz

   
ENCONTRO CASUAL

- Olá, tudo bem?
- Você vem sempre aqui?

Um encontro casual
Uma atração que impulsiona os corpos
O que se diz não importa
A intenção é aproximar-se de alguma forma
Não perder a oportunidade de não ficar só
E então, rola um beijo, um abraço
À princípio um pouco tímido
e pouco a pouco esquentando
A língua mais invasiva
A mão mais atrevida
No corpo o brotar do desejo
Sensação boa de sentir-se vivo
O prazer sobe à cabeça
Perde-se a razão frente ao tesão
Não importa mais quem é aquele(a) desconhecido(a)
Só o prazer importa e fala mais alto o desejo
Pra que esperar mais?

- Podemos sair um pouco daqui? Ir para um lugar mais tranquilo?
- Porque não?

E dois estranhos se vão, se deixam levar
A noite vai ser boa
É o que promete a casualidade
Um alento para a solidão
O tempo dura um instante
Talvez numa curta reflexão
Dele...dela?
Mais provável lque dela
Mas ela a faz calar com um suspiro
Aquieta a culpa
Diz para si mesma: sou adulta
Chegam ao motel de destino
Abraçam-se freneticamente
Beijam-se, lambem-se, tocam-se
O calor a subir pelas entranhas
O desejo a gritar
Jogam as roupas pelo chão
Mal se olham
Será para evitar uma sensação de estranheza?
Se atiram na cama e as carícias cada vez mais quentes
As mãos cada vez mais audazes
Os corpos suados, enxarcados de desejo
Ela sente ele a penetrá-la com força
Meio que displicentemente
Nem todo homem se preocupa com essas coisas...
De repente, ela tem uma estranha sensação
Falta algo e essa incompletude é tudo
Fica indiferente e torce pra que tudo acabe rápido
Pronto... ele se satisfaz e nem repara que ela finge
um gozo que gostaria de realmente sentir
Ele se levanta e ela escuta a água do chuveiro
Ela contem uma lágrima que teima em querer escorrer
Espera ele voltar e se levanta devagar
Abre a torneira e deixa a água escorrer pelo seu corpo
lavando-lhe a alma e misturando-se as lágrimas
que teimam em rolar-lhe pela face
A sensação d evazio lhe preenche
Tudo o que quer é ir para casa
ficar em paz com sua solidão


Ianê Mello


Querida Ianê, depois de ler mais um extraordinário poema seu, mais um diálogo:



Amor de ocasião
Semeia desilusão
E é um completo engano.
Aparece o desejo
Uma relação sem pejo
E logo se fecha o pano

O tesão é já tanto
E o momento um encanto
Só não houve cuidado
De ver o que se sentia
Se era só simpatia
Ou só resta o pecado

Houve amassos, houve ais
E outras coisas tais
Que sucedem enfim
E nesta ocasião
A que faz o ladrão
O ganho foi mirim

O gozo começou
Mas pronto acabou
Sem sombra de paixão
É a vida banal
Que no seu lado animal
Só traz desilusão

E nestes momentos
Sem quaisquer sentimentos
Porque só havia tesão
Mas o amor não havia
E era só simpatia…
Só restou…decepção…


Joaquim Vale Cruz

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Diálogo Poético: Ricardo Daiha, Ianê Mello e Joaquim Vale Cruz





NADA MAIS IMPORTA


Nada mais importa,
Na simbiose das almas,
Da sincronia das palmas,
No pulsar do peito o mito;

E nos fluidos que segregas,
Desse jeito explosivo,
A imobilizar o Tempo,
Aprisionar o grito;

Nada mais importa,
Que este hiato no espírito,
Entre o Céu,
E o vazio do Infinito;

Que as mãos entrelaçadas,
No rezar contrito,
De nossos corpos unidos,
Nesse beijo aflito;

Nada mais importa.


 Ricardo Daiha



NO SILÊNCIO DOS CORPOS



e o que mais
nesse momento pode importar?
o mundo para
o relógio se cala
tudo é silêncio nos corpos nus
entrelaçados
ungidos no amor
abre-se a porta
o Paraíso invade
em cores, brilhos, delícias
mundo novo
eu e você
nós dois
almas que se abraçam
bocas que se beijam
mãos que se doam
entrega
sem medidas
num vôo ao infinito


Ianê Mello




Nada mais importa
Quando o amor se vai
Quando a amizade cai
Quando há tristeza nas almas
Se não há sincronia nas palmas

Nada mais importa
Se o querer é um mito
Se calamos o grito
Quando fluidos segregas
Quando a mim te entregas

Nada mais importa
Se com teu jeito explosivo
Tu encontras motivo
Para o tempo imobilizar
Quando é tempo de amar

Nada mais importa
Se com as mãos entrelaçadas
Com nossas bocas encostadas
Nossos corpos unidos
E nossos beijos atrevidos
Temos refregas… calculadas


Joaquim Vale Cruz


domingo, 26 de dezembro de 2010

TEMPO EM ETERNIDADE





(Para você , meu amor)



Tic-tac, tic-tac, tic- tac
o relógio sem cesar
segundos, minutos, horas
não há como o tempo parar


Para agora, tempo,
nesse átimo de instante
torna esse momento constante
eterniza-o em mim


Tempo, tempo, tempo
nas asas do vento
num voar sem fim
quero te perder


Tempo, tempo, tempo
idealiza o sonho
nessa notas que componho
em suave melodia


Tempo, tempo, tempo
torna infinito esse dia.


Ianê Mello




O tempo fecha
O tempo abre
O tempo muda
O tempo voa
O tempo leva
O tempo rouba
O tempo dá
O tempo tira
O tempo traz
O tempo vai
O tempo vem
O tempo mantém
O tempo aquece
O tempo arrefece
O tempo trata
O tempo empata
O tempo impõe
O tempo dispõe
O tempo repõe
O tempo compõe
O tempo é perverso
O tempo é inverso
O tempo foge
O tempo sobra
O tempo falta
O tempo assalta
O tempo passa
O tempo lassa
O tempo urge
O tempo come
O tempo consome
O tempo inerva
O tempo enerva
O tempo resolve
O tempo reserva
O tempo preserva
O tempo envelhece
O tempo acabou
E acabei o meu intento
Pois não tenho mais TEMPO
E vou terminar
Que já me falta o ar…


Joaquim Vale Cruz

domingo, 19 de dezembro de 2010

A PARTIDA



você se foi...
e com você a luz do dia
deixou seu rastro
seu lastro
caminho de luz
na casa
um cheiro de hortelã
ainda perfuma o ar
com sua presença doce
você se foi, assim...
como se fosse
um barqueiro em alto mar
jurando não me deixar

Ianê Mello
 
 
 
E a dor da despedida
É a coisa pior da vida
Que nos pode acontecer


...Com ela vai a luz do dia
Vai-se embora a alegria
Vai-se embora o bom-viver


E ela deixa um tal rastro
Que é pesado como o lastro
E difícil de esquecer…

Mas quando pela telha vã
Sai um cheiro a hortelã
Que vai perfumando o ar
Da tua doce presença


Eu sinto que vem do mar
No seu eterno ondular
Aquela linda sentença

Que proferiste ao abalar:
-Eu juro não te deixar!


Joaquim Vale Cruz




sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O Humano III


“Reclining nude” de Luis Ricardo Falero

E eu transmuto a dor
num espasmo
Da sombra faz-se a luz
O corpo a gemer prazeres
Amarras soltas
aberta a prisão
Prisioneiro corpo
fragmentado pelos anos
pelos amores vãos
A alma flutua leve
no corpo liquefeito
Suores e fluidos
num rio caudaloso
prazeres de amar
cantares do amor
Num dedilhar de toques
sutis e intensos
Em sussurros inaudíveis
em gritos de gozo
ressurge a mulher
Alva e pura
como a água
que em seu corpo brota
Fonte fecunda
multifacetada... 
em virgens escondida
Esplendor de anunciação.

Ianê Mello


Eis aqui o corpo liberto
de todo o pudor
de toda a maldade
em nudez perfeita
mas que não enjeita
...servir para amar...
Um corpo tão belo
que faz o apelo
a pureza plena
tão linda e serena
que encanta e seduz
e que emite a luz
do farol do amor
em que o pescador
se confunde e enleia
ao ver tal sereia
que enfim, o seduz...

Joaquim Vale Cruz

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