Dêem asas à imaginação...
Dentro de mim sempre algo renasce
como se em mim uma planta se criasse,
de raízes bem firmes e profundas
e seus galhos verdejantes,
pouco a pouco,
se revelassem,
saindo de meu corpo
saindo de meu corpo
e da natureza, mais e mais,
eu fizesse parte
eu fizesse parte
Nessa junção mulher - natureza,
em perfeita harmonia e beleza,
do solo tiro meu sustento,
dele me alimento
e nele me revigoro
Os galhos são como braços
com que posso tocar a terra
Dela sentir seu calor, sua umidade
Mas a ele não me prendo,
não me fixo, pois sou móvel
Afinal não sou árvore,
sou humana e tenho pés para me locomover
As raízes estão em mim
e as desenvolvo com meu crescimento
e assim, em perfeita comunhão com a natureza,
dia a dia, com sua força e sabedoria eu aprendo
Ianê Mello
esparge a terra
que em vida, morro
vísceras do pó, encerra
brado árido
a pedir socorro
verme transpasso
cabeleira moita
átrio devasso
onde o barro
açoita
cálida planície
que provê de vento
olhar lânguido
de usura mesmice
ubre flácido
lento lamento
lento
vento, sopro
sem provimento...
que em vida, morro
vísceras do pó, encerra
brado árido
a pedir socorro
verme transpasso
cabeleira moita
átrio devasso
onde o barro
açoita
cálida planície
que provê de vento
olhar lânguido
de usura mesmice
ubre flácido
lento lamento
lento
vento, sopro
sem provimento...
Joe Brazuca
Diálogo poético - Colaboradores: Ianê Mello, JoeBrazuca
