O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




Mostrando postagens com marcador " Dialogo Poético - Colaboradores: Ianê Mello / Joaquim Vale Cruz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador " Dialogo Poético - Colaboradores: Ianê Mello / Joaquim Vale Cruz. Mostrar todas as postagens

sábado, 4 de junho de 2011

Pedaço de Céu


Tela de Miró


noite nua
clara lua
céu de estrelas


tua pele
meu desejo
constelação


pele nua
tua pele
céu da boca


fria lua
pele tua
noite nua


céu de estrelas
constelação
céu da boca
tua...


Ianê Mello

Essa boca tua
É toda paixão
Faz inveja à Lua
E nessa noite nua
É constelação

Nesse céu de estrelas
Tua pele já brilha
E a tua linda boca
Numa ânsia louca
Mil beijos partilha

E o claro luar
Aumenta o desejo
E quando me abraças
E meu corpo enlaças
Só te peço… um beijo

Joaquim Vale Cruz

Sonhei um poema fácil
estrutura livre, e de
ausente armadura

Senti seus lábios
vagueando entre versos
soltos e leves

Flutuei acima de nuvens

Molhada, a poesia escorre
juntando beijos e letras

E eu aprendo a amar
protegida de toda impostura


Lou Albergaria


sábado, 15 de janeiro de 2011

CAMINHO DO SER





Resvala.
Recorre. Retem.
Ressurge. Recozija. Recobra.
Recupera. Regenera. Reduz. Rechaça.
Recompõe. Retrata. Repõe. Retranca. Retórica.
O gozo. O gosto. O sal. O pelo. O solo. O soco. O caos.
O corpo. O vício. O início. O sim. O não. O talvez. O capricho.
A vida. A morte. A espera. A plenitude. A ânsia. A loucura. A virtude.
O dia. A noite. A foice. O abrigo. A casa. A estrada. O pão. A escada.
Na porta. Na cama. No quarto. No sono. Na vigília. No sonho.
No vazio. No abandono. Na prisão. Na casca. No ventre.
A semente. A fruta. O alimento. A fome. A sede.
A dor. O amor. A fera. A bela. O frio. O calor.
O ser. O nada. O tudo. O impróprio.
A chama. O sol. O farol.
A luz. A estrela.
O encontro.




Ianê Mello




A vida, a morte a espera
Resvalam para a quimera
Quando em si se regenera
E o dia recupera
E se enche enfim de Sol
Com a chama de um farol
Ou a noite, com sua luz
Que ao luar se reduz
Ou só à luz das estrelas
Que a plenitude retém
Ressurge, recorre, recobra
E se regozija na obra
Que rechaça quando sobra
A loucura e a virtude
Na ânsia, na plenitude
Que nos corta como a foice
Se repõe e se retrata
Quando o corte é só de faca
E na retranca, se arranca
Com o início do vício
Que ao abrigo da casa
Depois de sair da estrada
E subir aquela escada
Que ao capricho nos conduz
Talvez sim, ou talvez não
Quando o alimento,é o pão
E a fome nos consome
E o gosto a sal nos vem
E a retórica do gozo
Cai no solo como o caos
Do soco em pleno corpo
Sem pelo, ficando absorto
Abrindo a porta do quarto
E ao deitar-se na cama
Na vigília ou no sonho
Quando se acabou o sono
E se fica no abandono
do vazio da prisão
e na casca e na semente
surge um vazio no ventre
e nos vem então a sede
e da fruta o bom odor
Com o frio e o calor
E toda a dor do amor
Que ruge como uma fera
Que vai surgindo do nada
E do impróprio encontro
Que se embrulha neste estudo
Da bela, do ser…..do tudo...



Joaquim Vale Cruz

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

CRESCENTE

Pintura de Kasemir Malevich



Terra. Tremores.
Tempos que vão.
Terrores. Terrenos.
Percalços a mais. Vidas
a menos. Saídas. Escapes.
Desvãos. Portas. Fechaduras.
Escadas. Precipícios. Perdas sem
perdão. Desacato. Melindres. Senões.
Temporais. Desiguais. Contornos nulos.
Rotos. Brotos. Broncos. Deslizes no sentir.
Parada. Sacada. Trunfo. Trinca. Coringa. Pinga.
Sem conserto. Condenado. Fracasso. Inútil paisagem.
Secreto. Bruxo. Feitiço. Mandinga. Batuque. Pai de santo.
E vai e vem e vem e vai. Um dia. Dois dias. Três dias. A casa cai.

Ianê Mello

Por causa desses tremores
e dos tempos de terrores
E de percalços a mais
De constantes temporais
E deslizes de terrenos
Com tantas vidas a menos
Sem escapes, nem saídas
Com escadas, portas, desvãos
Fechaduras, pega mãos
Tantas perdas, sem perdão
Precipícios, sem razão
Melindres e desacatos
Contornos nulos exactos
Sem concerto, condenado
E feitiço fracassado
Motivando triste fado
Secreto, bruxo feitiço
Por causa de tudo isso
Mandinga e pai de santo
E de rezas de quebranto
Tudo na enxurrada vai
E um dia ….A casa cai…

Joaquim Vale Cruz

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O DESPERTAR




Com açúcar
e com afeto,
meu café
numa bandeja
com flores
e um bilhete
de amor


Sente-se aqui
comigo,
ao meu lado,
em nossa cama
que ainda guarda
o perfume
de nossos corpos


O dia amanhece
em cores
vibrantes
em sons e tons
e os pássaros
a entoar
seu canto


Na varanda,
as flores,
o beija-flor,
nossa rede,
nosso ninho
de amor


Pedir mais
é improvável
nessa paz
que nos invade

Eu, você, nós dois...
Sós... em nós.



Ianê Mello


A doçura dos afetos
Temperada com café
Mesmo sem açúcar é
Dos meus sabores prediletos…


E quando à beira da cama
O nosso coração se inflama
Com nosso amor, junto a nós
E nossos dois corpos sós
Na união do costume
Emanam aquele perfume
Que resulta do amor
E tem aquele fervor
Que nos eleva e encanta
Sinto um aperto na garganta
Sinto calor, sinto frio
E um arrepio até
E bebo …mais um café….


Joaquim Vale Cruz
Related Posts with Thumbnails