O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




sábado, 25 de setembro de 2010

Amor de Perdição



Rene Magritte



Nuvens de folhagens       
copos de céu
em claras nuvens brancas
a paz transborda liquefeita


Pousa nas nuvens andorinhas
mensageiras de ternos verões
a vida se derrete
chove em sonhos.


No verde a esperança
que habita em nosso coração
Promessas de felicidade eterna
doces deleites do amor


A cama feita de aragens
lençóis de algodão translúcido
beijos de sol
clarividentes.


Perfumes de rosas silvestres
dos campos em flor
embelezam nosso encontro
transbordando em amor


Dentro da pétala da rosa
Descem círculos de escadas
Rumo coração, se tanto
Nosso amor revisitado.


No perfume inebriante do amor
que resvala de nossos poros
misturam-se odores de rosas
na mística sensual da paixão






Ianê Mello e Beto Palaio



Amor sem razão

Gustav Klimt


O amor quando chega
deixa sua marca
na alma
na carne...

O amor quando chega
leva embora a dor
traz murmúrios secretos
é tudo que nos resta

O amor quando chega
traz consigo
as chaves perdidas...
dum raio de luz...
alento ao viver...

Secreta morada da alma
ao coração traz a calma,
o desejo , o bem querer
o resgate, o renascer

O amor quando chega
faz-me voltar
ao interior do olhar
apertado...
nos reflexos da tua íris
redobradas cores angélicas

Há o amor traz mistérios...
fonte fecunda de descobertas
nos olhos nos olhos
o encontro...
nos lábios o silêncio
nas bocas entreabertas
onde em vez de uma voz...
sinto um beijo...
acelerando o sangue
para fora deste dia...
tornando-me louco...
no caminho
em direcção a lado nenhum...

O amor quando chega
nos deixa atônitos
sem reação imediata
mas de que vale esse amor
sem o deixar fluir da emoção
No amor não cabe razão



Ianê Mello/ José Carlos Patrão



Quando chega o amor
vai-se logo a dor,
vai-se a solidão...

A alma enobrece,
o coração aquece
em doce ilusão...
As marcas que deixa
na alma e na carne,
são feridas abertas,
nas horas incertas,
de dúvida e anseio
deixando um receio
que fica pelo meio,
que nos marca a alma,
faz perder a calma
deixa dores na carne,
na alma e no peito,
e ficamos sem jeito,
nestas nossas vidas...
E as chaves perdidas,
na doce ilusão,
da grande paixão,
que a todos devora,
marca essa hora
de encontro e prazer,
em que o renascer
de tal bem-querer,
nos deixa felizes,
pelos doces matizes
da côr desses olhos
que não são escolhos,
nesse teu olhar,
cheio de mistérios e
de descobertas,
de beijos e desejos,
que aquecem o sangue,
dão mais força à vida,
destes nossos dias,
que nos enlouquecem,
deixando sem rumo e
sem direcção
a nossa emoção
e por isso então
o Amor é a razão
que nos faz viver...






sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A Tua Espera / Vida e Arte




Esse amor me domina
penetra em todos os meus poros
me desgoverna...
Me sinto criança
feliz na descoberta dos sentidos
Adolescente apaixonada
Pernas trêmulas, friozinho na barriga
a espera do primeiro namorado
Ansiosa pelo encontro
por olhá-lo nos olhos,
sentir tua pele,
teu toque em meu rosto
Já sou tua,
como num juramento cigano
Somos unos, em perfeita comunhão
Sonhamos os mesmos sonhos,
partilhamos os mesmos desejos
Te ver é só o que quero
Sentir-me em seus fortes braços
desmanchar-me num abraço
Ser sua sem medidas...
toda, inteira e completamente
Tua Flor
Teu amor
Teu bem-querer
Tua fonte de prazer
Onde desaguará suas águas
como um rio caudaloso
ao encontro do mar
Te espero ao contar das horas
Ao seguir dos dias que se passam
Vivo meus dias para esperar-te

Ianê Mello


Vida e Arte

...tinha-me saturado da poesia
do mar: vive de espumas, de nuvens
e de estrelas ao relento, de sonhos
dourados e risonhas esperanças;

Sentia enfim a sede da vida
flor que desabrocha aos toques
duma imaginação de anos
sob o céu azul da mídia múltipla.

— Que linda menina de olhos claros,
Como deve ser pura a sua alma
Que mora naquele rosto mimoso!

Sem provocação e sem vaidade
Ela sorri nos lábios e na alma
O homem que a ama deve ser feliz!


Machado de Carlos

DEIXA EU SER SUA MENINA


Faça-me hoje tua
Menina Nua
Sem medo, culpa, drama
As peças da Dama
deixe-as no fundo falso
daquela gaveta
em que guarda os velhos traumas
de infância.
Deixa eu ser tua Menina...
Cubra-me de sonhos
Eu guardo teus segredos
no meu mistério mais íntimo.
De ti não escondo nenhum desejo
Tu és meu Maior Anseio
protelado ao infinito.
A tua dor
essa tempestade sombria e negra
atrás da Montanha
está a cura: o arco-íris
que vou te entregar
junto com meus beijos
enlameados de amor
e enlouquecidos por ti.


Lou Albergaria

DIÁLOGOS POÉTICOS: IANÊ MELLO, MACHADO DE CARLOS, LOU ALBERGARIA

Desafio Poético : Pintura do amigo Adolfo Payés

Novo Desafio Poético a partir da belíssima tela do amigo Adolfo Payés.



Corpo desnudo em abandono
Qualquer face de mulher poderia reprepresentá-lo
No afã da eterna espera
por um amor que lhe afague a alma


Ianê Mello

Encanta, Mulher,
com tua pele doce
um sonho de Paz.




Lou Albergaria




Quando, todo dia, a lua vem banhar o céu de Deus e o sol parece amiudar-se triste atrás dos montes... Quando, de mansinho, a chuva vem acarinhar meu sono e este parece encalistrado e gordo... Quando, já dormindo, ela me vem cobrir o corpo em abandono, que o vento lhe parece por demais severo... Mercúrio, todo dia, a mando de Deus, vem fazer cócegas em meu coração. E, como a rosa deixada à cama do amante, ele me deixa as asas de seus pés.





RODRIGO DELLA SANTINA






Diálogo poético - Colaboradores: Adolfo Payés(pintura), Ianê Mello, Lou Albergaria, RODRIGO DELLA SANTINA

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Desafio poético

Desafio poético a partir da tela do amigo Vino Morais.




Corpos femininos que se mesclam
em contornos sensuais das encostas
Olhos perdidos no horizonte à espera
em total entrega e abandono

Ianê Mello



Ao longo da planície-mulher
Rios e montanhas de feminilidade extremas
Um corpo se desnuda e se entrega
A felicidade é uma paisagem de amor.


Beto Palaio




Na areia anoiteço
Mais uma promessa de Sonho.
O frio devora
coração e prece;
Preciso voltar pro útero.

Lou Albergaria




Terra contornada por mim.
Energizada, dissipo-me.
O equilíbrio é térmico,
o corpo é adornado,
a mente, centelha que resta.
.
Lara Amaral


Na brancura macia da nudez que visto
A oliveira e a maçã fazem-se deuses da imaginação...

Rodrigo Della Santina



Ansiedade, saudade.
Antes e depois.
Fome, sede.
Agora e sempre.
Macho - Fémea
Luta, apunhala,
(En)terra.
Semeia
Mãe


João Miguel

Não sei verdadeiramente o que penso...
Deixo fluir...
A alma, os sentimentos, o desejo pela nudez aparente do meu corpo...
Aparente, porque ainda te sinto a amar-me...
Forte, poderoso como o Sol que me namora, mas que ignoro...
Porque só me entrego a ti, ao teu cheiro, ao teu desejo na minha paixão desencadeada....


Marta


Na tela uma Arte
No corpo a Geografia
Na vida... História
Vã filosofia
Mera Psicologia
Talvez psicografia
Na escola da vida
Interdisciplinar
É o teu ser... MULHER.


Jairo Cerqueira
 


Diálogo Poético - Colaboradores: Vino Morais(tela), Ianê Mello, Beto Palaio, Lou Albergaria, Lara Amaral, Rodrigo Della Santina, João Miguel, Marta, Jairo Cerqueira
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