O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




domingo, 24 de janeiro de 2010

Uma carta ao tempo


Pintura de Salvador Dali " The persistence of memorie"


Caro tempo,

que estás sentado no alto de tua glória
perambulando séculos após séculos
terra a dentro, sem descanso
onde tuas mãos já calejadas
afagam este ser chamado eu
e a aspereza de teu toque
revela-me cada vez mais a calva
escondida em meio ao branco dos dias

nos encontramos apenas uma vez
onde me compraste teu escravo
servo de teus desejos rancorosos
e desde então em teu capacho durmo
recolhendo as migalhas que escapam
dos teus pés pequenos e atarantados
peço-te que por favor pare
e me dê um pouco de atenção


___________________


Bom, desta vez eu proponho o desafio.

Continuem esta carta com seus conceitos sobre o tempo.

____________

Quero te falar de tudo que não vivi
por tua pressa contínua em me arrastar pra longe
Em cada momento passado a ti ancorado
como escravo sem opção, sem escolha
Teria te pedido em alguns momentos
que parasses de passar
e me deixasse ficar nesse contentamento
No entanto, noutros te pediria
que voasses à outro dia
me tirando a aflição da espera
Tempo...tempo...tempo...
Quem me dera
Ter tido mais tempo do que tivera
quando contemplava as estrelas,
a calmaria do mar,
os bosques em flor
Te pediria, que sem pressa
me entregasses ao amor
e me deixasses ficar
nos braços do amado
E passas sem piedade,
sem se importar
Tempo, por favor, te peço,
me dê mais tempo para amar
Para correr atrás do tempo perdido,
gasto inultimente, seu juízo
Tempo para recuperar as perdas
Tempo para me reencontrar
Tempo...tempo...tempo...
liberte-me do meu penar.


Ianê Mello



Sim, precisas escutar-me.
Há no meu desejo,
que tu indiferente açoitas,
desconhece e ignora,
o querer ser e estar.
E em tua direção caminha
tudo aquilo que traço,
à espera do teu chegar.
.
Mas, pois, no meu tempo de
espera por ti,
Não estou eu a ti mesmo
a esperar?
Não estou eu, sempre, a te
rogar?
Escuta-me, portanto, e vem.
.
Contudo... vem
com mãos dispostas a afagar.
A plantar rosas, não somente
os espinhos.
A cantar canções, não semear
solidão.
Vem, afetuosamente vem
dá-me chance de sorrir e cantar!
.
Espera-te as minhas mãos a acenar,
Busca-te os meus olhos cansados de chorar.
Em ti está a minha esperança de alcançar
além de ti, o meu sonhar.
Refrigera-me, pois,,
ameniza o meu caminhar.

 
Lice Soares



Diálogo Poético - Colaboradores: Felipe Carriço, Ianê Mello, Lice Soares

Vício de Amar





Vício de amar o amor
e a ele me entregar
faz de mim um sonhador


o preço de sonhar, o torpor
que de me deixar levar
passo a ser um mero ator

e sentindo assim o amor
busco nele encontrar
o seu real valor


no amor representar
um único papel que for
me permite em mim guardar
o eterno sonho de amar
e preserva-me da dor





Poesia Interativa - Colaboradores: Ianê Mello, Felipe Carriço, Ianê Mello(2)

sábado, 23 de janeiro de 2010

Vida





A vida...
Sonha a vida em nossos descansos
E, quando cansados, nos silenciamos.
Vem a vida a cantar, em nossos silêncios,
A nos falar de sonhos, esperanças,
Pondo-nos, de novo, a caminhar.
E, quando em prantos calamos os nossos corações,
Vem-nos a vida, sorrindo, nas manhãs, acenando-nos, pelo ar.
Arrastando-nos, então, a respondemos e pomo-nos a caminhar.
E, quando o sol se põe por detrás das nossas esperanças,
E a noite nos traz, em procissão, todas as lembranças,
Vem a vida, outra vez, nos dizer que um novo dia está para raiar.
E alada vem, asas gigantes, beleza infinda, sobre nós pousar.
Vida... antes da Verdade, antes da Beleza, constituída.
A mais bela das existências antigas,
A vida sobre nós... a vida. 

Lice Soares







Diálogo Poético - Colaboradores: Machado de Carlos, Lice Soares

Por que canto?



Eu canto,
porque não quero chorar.
Não sou, como Cecília, poeta
Não sei o instante cantar
nem perpetuar.
.
Mas, eu canto,
Porque o meu canto
me ajuda a esquecer
Quão triste vive o mundo
Que não sabe mais cantar.
.
Eu canto, porque não sou alegre,
Mas, triste também não sei ficar.
Eu canto porque já passou
O meu instante de chorar.
.
Então, eu canto.
Para mim, para ti,
Eu canto,
Enquanto ainda possso cantar.


Lice Soares
..



Eu faço versos como quem chora
de desalento… de desencanto,
de nostalgia… alguma dor.
Mas, se como agora,
não há motivo nenhum de pranto,
em cada sílaba eu canto amor…
.
Também meus versos são emoção,
riso, ventura, volúpia ardente,
saudade ausente, esparsa paixão;
Deixo então no verso o meu calor,
desejo insano, sempre presente
e em cada sílaba eu canto amor…
.
Mas nos meus versos de rima louca,
há um estranho gosto que me excita.
De verso em verso a vida corre.
Mas se o destino se engana, ou se dormita,
e colhe antes do tempo uma flor,
eu sinto um acre sabor na boca
e faço versos como quem morre

em cada sílaba eu canto a dor!


Albino Santos


Profundas nossas palavras
que gotejam emoção
como se fossem lavas
de um vulcão em erupção

Viscerais e pungentes
arrancadas de nossa alma
Sentimentos tão urgentes
que necessitam de expressão
e não ponderam a calma

O papel é o veículo
para nossa exortação
O instrumento precípuo
à nossa liberação

Súplicas podem ser
e urgem serem ouvidas
a quem as quiser ler
para que sejam sentidas

Gritam eloquentemente
saltando aos olhos de quem lê
Não há de ser mansamente
que expressaremos o sofrer

Seremos por isso dementes
estando sempre a mercê
de críticas incoerentes?

Nos sabemos loucos
como bem disse Quintana
Nos importarmos pra quê?
Se nossa mente é insana,
a lucidez ... é pra poucos



Ianê Mello



Diálogo Poético - Colaboradores: Lice Soares, Albino Santos, Ianê Mello





Ah, o amor...




















O amor é inusitado
em sua forma de expressão
Às vezes exagerado,
às vezes mansidão

Nos deixa, às vezes, assim
como fossêmos lesados
parecendo estar tomados
por algo que não tem fim

Se apossa de tal forma
que nos toma por inteiro
e não existe uma norma
pra livrarmos do cativeiro

Entregar-nos é a solução
única e plausível
e vivermos a emoção
tornando tudo possível.



Ianê Mello


.
O amor é um puro acontecer
É um misto de prazer e de ciúme
É querer-te loucamente e não te ter
(o amor é feito de água e lume)

O amor não se aprende, não se ensina
É resistir à saudade sem queixume
É não saber onde começa, onde termina
(o amor é feito de água e lume)

É procurar um desejo insatisfeito
Como quem se busca e não se encontra
É sentir quebrar dentro do peito

As amarras, as regras, o costume
É ousar a coragem de ser contra
(o amor é feito de água e lume)



Albino Santos



Diálogo Poético - Colaboradores: Ianê Mello, Albino Santos
Related Posts with Thumbnails