O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Diálogo Poético - Carmen Silvia Presotto e Ianê Mello






Sujo a mão no tempo
e juntos seguimos 
completando vazios 

juntos somos, 
dias a mais poesia



compondo sentires
nossas vozes contidas
em silêncios vazios
se façam ouvir
em madrugadas insones


em versos
que conversam.



Carmen Silvia Presotto e Ianê Mello




Diálogo Poético - Amy Chauvin Mil-Homens e Ianê Mello







Por minhas ladeiras abaixo...

Se no meu interior fosse verão
não me importaria com essa tempestade
que desagua hoje em mim
Porém, ela vem densa, vem tensa…
A umedecer minhas planícies,
meus solos férteis,
a desbravar meus mistérios contraditórios
e verbos in(vertidos)…
Precipita-se tal qual uma avalanche
ousada e urgente
a sorrir da moldura que faz em minha anatomia...
Então, deixo-me decifrar
em arrepios de cala(frio) dessa gélida e inexplicável
úmida sublimidade…


Amy Chauvin Mil-Homens


Sem molduras


Palavras da alma
lavam o corpo
em águas profundas...
mergulho no ser...
pulsar de emoções
que desaguam
em mares
em turvas águas
para renascer mais pura
mais limpa
nua...
liberta de amarras
sem molduras
sem limites

...

inteira.



Ianê Mello

Sem cessar



Venta lá fora vento sereno
(Eu gosto do vento no meu rosto...).
O silêncio dos grilos o cavalo.

As árvores dançam as acerolas caem.

Aqui dentro um calor abafado
― Todo mundo fala ao mesmo tempo
Todos comem
Todos pulam
Todos gritam


Será que eu vou morrer...?
Ou serei eterno
                                            como a fênix?

RODRIGO DELLA SANTINA

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Diálogo Poético - José Sá e Ianê Mello





Não faz mal...


Dizias-me...
Tantas vontades tuas
Parecias-me...
Em tantas vaidades nuas
Falavas-me da luz solar
Falavas-me do teu luar
Parecias ressuscitar
Parecias o meu cantar
...
Pensei ser verdade
Dizias que tudo era eu
Dizias que nada mais existia
Parecias a luz do céu
Parecias um anjo, assim eu sentia
Pensei que te tinha
Dizias ser eu, o teu perfume
Dizias ser o teu amor
Parecias a voz do meu queixume
Parecias uma linda flor
...
Pensei que eras minha
Dizias ser a felicidade
Dizias que me davas teu coração
Parecias a mão da bondade
Parecias a minha paixão
Pensei... E afinal...
Não passou daí
Palavras que dizias no meu areal
Desabafos teus que eu li
Parecias, somente parecias
Não faz mal...


José Alberto Sá



No amor renascida


Ah, se eu pudesse
voaria ao infinito
com minhas asas de seda
Ah,se eu pudesse
descortinava os medos
e no abismo me lançava
Ah, se eu pudesse
ao amor me renderia
e dentro dele seria um nada
Ah, se eu pudesse
me enlaçaria em braços,
me perderia em abraços,
me perfumaria em rosas,
alecrim e cravo
Ah, se eu pudesse
seria doce como mel
sedosamente floresceria
no jardim encantado
e no amor me reencontraria

Ah, se eu pudesse...
em teu amor renasceria.




Ianê Mello



domingo, 4 de dezembro de 2011

Dialogo Poético - Ianê Mello e Andrea Lizard







Não demora, vem!


Eu ainda te espero chegar...
vai demorar???
o amor não sabe esperar...
o amor é urgente
ele chama, ele clama
ele grita por você
não me deixe só...
solidão deixa feridas
que não cicatrizam mais
nem mesmo o tempo
nem mesmo a distância
nada importa
nada me impede
de tê-lo comigo
sempre
dentro de mim.


Ianê Mello, inspirado na música O amor não sabe esperar de Hebert Vianna. 




SEM HORA


Venha que te quero o tempo todo
Por segundos, por minutos
Assim por mim trocada em miúdos
Venha

Eu te quero aos poucos
Sem relógio no compasso
Em tresvario, clamo devasso
E rouco

Venha agora, sem demora
Eu te quero nove tempos fora
Dias, semanas, meses afora
Agora
Quem sabe compensa o tempo
Das eras ante tempo tão severas
Que não contava os segundos
Nem quimeras

A espera é eternidade
Venha safada ou senhora
Cause toda amenidade
Que melhora

O ponteiro já ecoa a badalada
Paixão que é paixão
Não se atende com hora
Marcada...


Andrea Lizard
Related Posts with Thumbnails