O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




quinta-feira, 6 de maio de 2010

Meu mundo acabou.



 




















acabou
como num blues antigo
nota por nota se foi
só sobraram essas palavras
come back
ainda fui até o monte
saibam que o fim também
está próximo
então novamente você
se faz necessário
e mesmo que eu me for
ainda assim verei
as crianças brincando
como num conto
acabou simplesmente como começou
acabou.



Mateus Luciano 

O COIOTE E A LEOA


terça-feira, 4 de maio de 2010

Vento que passa



Vento que passa
Na falsa penumbra
Um olhar
Que espreita
Na noite soturna.


Uma gota de água
Que desliza sozinha
Numa imensidão
De águas profundas.


Solta-se o canto
Abre-se o sol
Liberta-se a luz.
Na ave
Que transporta a luz
O espírito renasce.


Cuidado
A todos aqueles
Que quebram os elos
Com o amor.




Bravo 



O amor...
Que une
Que conforta
Que abriga

Amor que engrandece a alma
Que cura  a ferida
Amor que nos deixa puros
Que nos traz a calma

Amor que cria laços
Que ilumina pontos escuros
Amor que se dá em abraços
Amor que transpõe os muros

Elo que une  os seres
e  nunca deve ser rompido
Acalentando viveres
Trazendo à vida o sentido




 Ianê Mello


Que Luz!



Tu és estrela de luz, cadente...
Refazes a alma, astro, com teu canto;
Encontrei-te nos céus, na hora santa.
— Zeus, abençoa minha estrela cadente!...

— Ei astro, como clareias minha mente!
Quero sentir o teu céu, o teu manto;
Uma estrela, um caminho, hora santa;
Assim, astro, vai vida, tão somente...

Teu céu, teu mar... eis meu suave mundo...
O meu ser segue teu rumo, profundo;
Reitero, astro: — És a real felicidade!

Zeus? Deus? Sei lá qual é o teu mito;
Enfim, vagueio no teu céu... no infinito!...
!... estrela... céu... nossa eternidade!...


Machado de Carlos


Publicado no Recanto das Letras
Código do texto: T1418690


"O amor e o vento
O amar e o tempo
Relógios e sentimentos.
A vida refém do tempo
O amor supera o momento
É barco que vai com o vento
Nos mares do sentimento".



Jairo Cerqueira


Diálogo Poético - Colaboradores: Bravo(desenho e poema), Machado de Carlos , Ianê Mello, Jairo Cerquiera








domingo, 2 de maio de 2010

Nada/ In-quarto/ Profusão de cores e sentimentos/ Abrigo


Inspire-se nessa pintura de Van Gogh. Deixe a mente fluir...
Conte-nos os sentimentos por ela provocados: em prosa, em poesia, como quiser... livremente

Vamos começar?...



















Pintura de Vincent Van Gogh




NADA




Meu ser era nada. Encheste meu coração!...
Como nada me deixaste assim, sem fala;
Examinei o nada, em vão procurei ala por ala;
Do nada e em tudo, não achei explicação.


Foste tudo. Hoje és nada. Por que cantá-la?
Neste mundo de nada, construí tua mansão
No endereço do nada, outra dimensão;
Nadei nas águas do nada, a voz se cala...


Tentei achar no nada, tua voz, teu tudo...
O nada fez sofrer, dele faço meu estudo;
Que valor tem o nada, se nada é perdê-la?


Busquei no nada a essência da matéria,
O nada gélido e a existência funérea...
Nada!... Nada!... Nada!... O nada é minha estrela!...


Machado de Carlos

Publicado no Recanto das Letras
Código do texto: T2062618






In-quarto

escuro, obscuro
colorido Neste Instante
Escrevi todas minhas memorias    
nunca estive PRESENTE NA cama sonolento

nunca estive em coma
NA cama nunca estive
Bebi vinho
Morri Na Lama

Minhas bobagens ouviam Olhos
Meu Ouvido Verdades viam

Meu Corpo esguio
Minha cama rodopia
declamando frases
Ninguém entendia Que

Ali viajei de submarino
cavalos MonteI
embriaguei-me de amor

Hoje Já Não Estou ali ...


Mateus Luciano






É o meu mundo
O mundo da solidão
Da alegria
Do prazer.
O mundo de tudo
E de nada.
Um castelo
Uma mansão
Uma prisão
De onde posso sair
Mas onde desejo voltar.
Bravo



Profusão de cores e sentimentos



De cores tantas
azuis e laranjas
mas sobretudo
a solidão é sombra
negra em meu peito.

Sou só e estou só
nesta cama neste quarto
só me resta abrir a janela

Dalva



ABRIGO

Neste quarto de vibrantes cores
há segredos escondidos
Há prantos ao anoitecer
na solidão da Lua
Em sua simplicidade abriga
a complexidade do ser
que nele se refugia
a cada anoitecer
Abriga lembranças, saudades,
noites mal dormidas
no vazio sem amor
Guardará em si também sorrisos
de momentos  bem vividos,
talvez em noites de amor
Povoado de sonhos
quando o dia adormece 
e na cama resguardado
esse corpo desfalece
e se entrega aos doces braços 
do sono acalentador
No merecido descanso
da labuta diária
Das dores e dos amores
Da vida que  lá fora deixou
quando cerrada a porta
e este ser que aqui encontra
o seu verdadeiro abrigo,
seu refúgio dos perigos
finalmente fecha os olhos
e tranquilo adormece.


Ianê Mello



Talvez o nada. Acima disso a vida.
O modo de existir esquizofrênico.
Entro em meu quarto como entrasse em mim.
E neste ser paradoxal encontro
A lógica que me sustém pregada
À parede da mudez altiva, que
Nada me diz do que fazer. O que sinto
É a solidão me cutucando o espírito
E me fazendo a voz duma existência.

RODRIGO DELLA SANTINA


É só o meu quarto, mas é o mundo que eu conheço...
Não me censura, não me ofende, não me insulta..
Está habituado à minha solidão, aos meus monólogos tristes, aos meus gritos de desespero...
Faz com que me sinta segura...


Marta




Diálogo Poético: Machado de Carlos, Mateus Luciano, Bravo, Dalva,Ianê Mello, Rodrigo Della Santina, Marta



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