O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




segunda-feira, 26 de abril de 2010

O primeiro desenho





Tema do diálogo: 
desenhos da natureza














O céu é de tão alto para muito mais
O sol é de tão intenso para mais luz
O céu gasta vãos com aviões e fumaça
O sol brinca de apagando-e-acendendo
O céu apanhou todos os azuis para ser
O sol engoliu luminárias e ficou aceso
O céu é pai das nuvens e das distâncias
O sol alimenta as manhãs e as estradas
O céu tem as paredes e os corredores
O sol está no abajur em cima do alto
O céu vai a todo lugar sem mexer o pé
O sol aquece tudo cá sem adormecer

O céu sobrevoa os desenhos do mundo
O sol vai mais baixo para pintar os dias
O céu gasta todo tempo sendo um vazio
O sol junta tudo e transforma em cores
O céu é de subir cada vez mais assim
O sol é de descer para encontrar chão
O céu tem tanta idade que nunca anda
O sol só vale o tempo de sua claridade
O céu não faz por esperar que aconteça
O sol descreve compromissos e horários
O céu é um arco por cima das cabeças
O sol é um fogo por dentro de tudo

O céu só há por haver sol
O sol por vagar nesse céu
O céu vai mais fora que as estrelas
O sol vem mais dentro que as células
Céu que por fora corpo
Sol que por dentro alma


Ricardo Fabião



Febo, após a Aurora, mancha o céu de um 
                                                               [amarelo-ouro.
Passa orgulhoso, queixo erguido, peito austero,
Como um escudo espartano.

Embaixo, na terra dos prometeus,
Uma criança humana brinca,
Feliz de sua mortalidade.



RODRIGO DELLA SANTINA



E senhor do 'ceu' sucesso
O Sol, galopante e soberano
Contemplando as regiões cerúleas
Segue em busca das montanhas
Para anunciar que está perto
O chegar das estrelas.


Jairo de Salinas




Sonha-se com o céu....
Inveja-se a tranquilidade do azul, 
com que podemos escrever o nosso nome...


Marta



Deito-me
Nas nuvens brancas
Que acariciam o sol
E deixo-me levar
Em rodopios de azul.

Lá em baixo
Deixo a escuridão.

Bravo





Diálogo Poético - Colaboradores: Ricardo Fabião, Rodrigo Della Santina, Jairo de Salinas, Marta, Bravo

 

sábado, 24 de abril de 2010

Alfazema / Ser - Estar







Que nada, just for one day!
esquinas se multiplicam
conquistam(nothing cold fall)
as luzes que iluminam o poste
ola luzes do céu
imaturo eu ainda me pergunto
quem sois eu
há,há,há
sois ninguém ,alguém
te respondeu
impostor de marca maior
condutor do ônibus
avesso as contradições
This chaos is killing me
e o céu me causa rancor
o amor me causa rancor
as memorias são o próprio rancor.



Mateus Luciano



Ser - Estar



E essa pergunta não se cala
enquanto vida existir
- Quem sou eu?
Eu hoje sou alguém
que na verdade se modifica,
se amolda, cria formas
a cada passo dessa estrada
Então não sou
Estou ...
Ser mutável, adaptável, flexível
Busco a cada dia algo novo em mim
Algo que possa aprender, sentir, aprimorar
Em minha essência encontro caracteres
que são meus, que me acompanham
Esses são imutáveis
Por mais que tenha tentado eliminá-los
para evitar o sofrer
eles persistem e me mostram
que algo em mim está além
Além do que possa querer
e contra mim praticaria
um ato de violência,
de castração, tentando extirpá-los
Assim, os aceito como parte de mim
mas não meu todo
e procuro sê-los da melhor maneira que posso.



Ianê Mello



Ouvi perguntarem quem eu era
De longe avistei um movimento
faces a rodopiar contraditórias
opostas e ao mesmo tempo lados
da mesmíssima moeda de pagamento

Falavam o mesmo idioma a contento
e me cumprimentavam queixosas
de suas virtudes que só eu invento
Dei-lhes versões mais carinhosas

para qualificarem essa nossa prosa
disse-lhes que sou este momento
um grande diálogo poético

entre e o que agora sinto e sou
e o que me traz o tempo
o resto é apenas o que passou
no mais,uma soma deliciosamente incompleta




Leila




P e d a ç o s


Pedaços partidos de mim

Dispersaram-se pelo mundo
Foram aos poucos divididos
Carregados por outros seres
N´uma lamúria sem fim
Tal náufrago moribundo
Ocupei espaços diminuídos
Cerco de números ímpares
Pedaços repartidos de mim
São só um refúgio profundo
Na biografia dos possuídos
Onde se mostram vulgares
Na penúria de um outrossim
No tempo fugaz d´um segundo
Invocando o minuto dos traídos
Vejo-os vivos em seus lugares


OBS: Infelizmente o autor do poema não se identificou.

OPS : Falha minha !!! - "Soy yo " ... sou eu o autor, IVAN CEZAR !!!!
tss - tss ....

......................................................................

Rsrsrs... Ficou engraçado,
vou até deixar aqui postado.
Ih...rimou (risos)

Como é que eu não adivinhei ?

Perdoado, meu querido amigo.

Ianê Mello



Diálogo Poético - Colaboradores: Mateus Luciano, Ianê Mello, Leila, Ivan Cezar



sexta-feira, 23 de abril de 2010

O que enfim, chamamos de amor? / Mão dupla




O que enfim, chamamos de amor?

O que enfim chamamos de amor?
O beijo perfumado do amado
O abraço ofegante e apertado
A esmola ofertada ao pedinte
Ou o retorno a cada ato de bondade?

Se o amor existe mesmo
Não deve ser perfumado
Caridoso, bondoso ou compreensivo.

Se o amor existe mesmo
Não está na estética, na cútis
Nos cabelos, no bem, ou mal sucedido.

Se o amor existe mesmo...
Ah! Se ele realmente existe...
É invisível aos olhos dos tolos
Dos arrogantes, dos rancorosos
É o mais belo entre os “horrorosos”.

Está mais na fome que no saciar
Pois, com o estômago cheio é bem mais fácil amar.

O amor dos corações flechados por cupidos
Dos casais casando e cansando apaixonados
Esse sentimento não chega a ser desprezível
Mas não faz sentido chamá-lo de amor

O amor está acima de todas as patologias cerebrais
Portanto, como a maioria da humanidade vive em estado terminal...
Esse “amor patológico” nada mais é que uma embriagues ofegante
É um conjunto de emoções que o transmuta para o ódio

Só se pode amar nu

E o mundo está cheio de amantes ultrajadamente trajados
Para os sensatos, o amor verdadeiro é inalcançável.
O que se pode é evoluir e aproximar-se cada vez mais do ideal.
Ainda assim, por mais que se evolua nunca se chegará ao ápice.
Pois, na sociedade em que vivemos, toda nudez será castigada.



 Jairo Cerqueira




Mão dupla


Se queres que eu sangre,
que eu doa,
que eu agonize,
que eu me lance,
que eu levite,
dê gargalhadas,
que eu me encontre,
alcance as alturas,
que eu siga para saber,
e volte sabendo menos,
que me perca em cálculos,
e seja feliz por mim apenas,
que eu dance,
e sufoque,
que eu exploda,
e insista,
que me assuste,
sem chão,
sem norte,
tudo isso sobre um vivendo-e-morrendo intensamente,
dê-me um só segundo de mundo a dois... 





O amor é sinônimo de sentimento.
Quem ama chora. Sorri.
É solidário.
O amor contraria o egoísmo.
Aquele que ama se doa.
Sofre por alguém que se foi.
Sente Saudade.
Imagine aquele que não tem amor;
O que ele faz neste mundo?



Machado de Carlos



Diálogo poético - Colaboradores : Jairo Cerqueira, Ricardo Fabião, Machado de Carlos


Corpo: Expressão da Arte



Olhem só que interessante!
O corpo utilizado como tela para expressar a arte "Body Art". 
Uma boa  fonte de inspiração, não?
Então, vamos dialogar? ...


 
 
Body Art - Craig Tracy



A tela é seu corpo
onde a arte se expressa
O pincel livre 
a escorregar pela pele nua
distribuindo cores
criando formas
A pintura como veste
a cobrir-lhe o corpo desnudo
Sensualidade e beleza
em perfeita harmonia






E o corpo ainda será corpo
Enquanto a tela, num esforço
Seja fiel aos teus traços
E nesta tela me desfaço,
Amenizando o cansaço
Vislumbrando o corpo seu
Pois nessa hora singela
Estou na sua aquarela
Artista que apareceu
 


Jairo Cerqueira
 
 

Pintura


Tinta que te desenha
No corpo e alma inteira
Nos teus seios, pincel vagueia
E o artista deslumbrado
Nas formas da musa
Cobre os próprios desejos
Com cores e vibração
O nu continua vivo
Mas agora mais colorido
Tinta que se derrama em cores que a vida exclama!
Tinta que pinta a vida,
que faz dos sonhos a despedida.
Tinta que escorre em pele
que nos cabelos a cor insere.
Que clareia ou escurece, a tinta da cor do dia que amanhece.
Que faz dos sonhos mais bonitos, deixando os olhos teus mais infinitos!




Sandra Botelho



Vestiu-se de cores e simbolos
fechou as pernas e os caminhos
dobrou-se e a coluna com arte
convida que se decifre seus pergaminhos
A pena do poeta a viu em branco
nem homem,nem mulher:um manto
muito menos dia e noite: tempo
sabedoria ou ingenuidade:idade
conhecimento nem verdade; gente
viu uma porta e uma chave
viu apenas o amor num canto
a esperar a eternidade de frente




Leila Brasil



Minha alma é jovem como um poeta inato:
Guarda em seu íntimo a necessidade
Austera de contemplar-se a si, fazendo
O todo não ser mais que a própria parte.

RODRIGO DELLA SANTINA



art



esguio corpo
desejo o corpo
as cores do corpo
os cheiros ,o corpo
as mentes do corpo
o cigarro apagado
o corpo
inocente flor,do corpo
alfazema de cheiro do corpo
a arte que imita a tela
o corpo
definhando amargo gosto
do corpo
pintado ,amado ,inflado
o corpo



Mateus Luciano


Estou quieta...
O meu corpo conta uma história, mas eu não sei de nada...
Ouço apenas...
Exclamações de surpresa,
elogios ao pintor,
sugestões para novas pinturas...
Não sugiro nada...
É só o meu corpo
que está pintado...
Será que ninguém olha para dentro de mim e me vê realmente?

Marta




Diálogo Poético- Colaboradores: Ianê Mello, Jairo Cerqueira, Ulisses Reis, Sandra Botelho, Leila Brasil, Rodrigo Della Santina, Marta


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