O VESTIDO
No armário do meu quarto
escondo de tempo e traça meu vestido
No armário do meu quarto
escondo de tempo e traça meu vestido
estampado em fundo preto.
É de seda macia desenhada em campânulas
vermelhas à ponta de longas hastes delicadas.
Eu o quis com paixão e o vesti como um rito,
meu vestido de amante.
Ficou meu cheiro nele, meu sonho, meu corpo ido.
É só tocá-lo, volatiza-se a memória guardada:
eu estou no cinema e deixo que segurem minha mão.
De tempo e traça meu vestido me guarda.
ADÉLIA PRADO
É de seda macia desenhada em campânulas
vermelhas à ponta de longas hastes delicadas.
Eu o quis com paixão e o vesti como um rito,
meu vestido de amante.
Ficou meu cheiro nele, meu sonho, meu corpo ido.
É só tocá-lo, volatiza-se a memória guardada:
eu estou no cinema e deixo que segurem minha mão.
De tempo e traça meu vestido me guarda.
ADÉLIA PRADO
VESTIDO EM TRANSPARENTE
Em meu vestido rendado
de seda e de paixão
escondo um amor guardado
um amor em erupção
Amor vermelho encarnado
formosa rosa em botão
ao toque tão delicado
da maciez de tua mão
Nele meu corpo e desejo
escondem-se do tempo passado
e ao vesti-lo, num lampejo
mantenho o sonho acordado
Ainda guarda a transparência
que na fina seda se aninha
do perfume sua essência
delicadeza inteirinha minha.
IANÊ MELLO
*
Pintura de Michael Austin
