Visitem-me no blog Labirintos da Alma.
O excesso de luz cega a vista.
O excesso de som ensurdece o ouvido.
Condimentos em demais estragam o gosto.
O ímpeto das paixões perturba o coração.
A cobiça do impossível destrói a ética.
Por isso, o sábio em sua alma
Determina a medida de cada coisa.
Todas as coisas visíveis lhe são apenas
Setas que apontam para o Invisível.
(Tao-Te King, Lao-Tsé)
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terça-feira, 3 de maio de 2011
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
A MATURIDADE
Pintura de Francine Van Hove
Essa imagem que meus olhos fitam refletida no espelho,serei eu?
Pareço diferente aos meus próprios olhos. Algo mudou mas não identifico exatamente o que.
É certo que o tempo passou. Lá se foram alguns anos de minha vida. A pele já não tem o mesmo viço e frescor. Os olhos, ligeiramente inchados nas pápebras, já não possuem o brilho de outrora. Há linhas de expressão, ainda que leves, a se formar em meu rosto. Já posso vê-las. Meu corpo, ah, meu corpo... já não possui as curvas tão definidas e o desenho dos músculos já se perdeu. Mas também, o que eu poderia esperar, já não sou mais uma jovenzinha.
Sim, a vida passa e deixa suas marcas, umas visíveis, outras não. As que vejo no espelho e me impressionam (preferia não tê-las) são, de certa forma, as de menos importância. Em meu coração abrigo cicatrizes, que por vezes ainda sangram como feridas abertas. Dores de amores mal vividos, de significativas perdas, de sonhos naufragados, de desejos inconfessos. Essas, sim, são as marcas, que embora não expostas, incomodam mais. Mas é claro que também, a vida já vivida me transmitiu um legado positivo. Até mesmo o sofrimento e, principalmente ele, nos faz evoluir. Posso dizer, então, que meu maior ganho nesses anos tem sido a cada dia, me descobrir, me conhecer, me aceitar e sentir amor, verdadeiramente, por esse ser que enfrenta o próprio medo e se faz a cada passo mais inteira.
Ianê Mello
terça-feira, 30 de novembro de 2010
REVELAÇÃO
Pintura de Francine Van Hove
Ao contemplar-me
em traçados diversos
sinto meu corpo
a desnudar-se
na pureza dessa tela
e bela me imagino
no tempo que perpassa
e cada momento
único e sólido
em meus traços se revela
Em mim mesma
me refaço.
Ianê Mello
Faces conflitantes
Ao contemplar-me
Frente ao espelho
Rejeito o mais velho
Que olha pra mim.
Ele é enrugado
Tem um rosto cínico
Já não é mais começo
Está perto do fim.
Quem é esse cara
Que me olha na cara
E depois cabisbaixo
Resolve voltar?
É só um qualquer
Que esquece de si
E passa a vida inteira
A me procurar.
Quem é esse cara
Que agora me encara?
Jairo Cerqueira
Ao contemplar-me no espelho
tenho que ter generosidade
pois as marcas que aqui estão
são simples marcas da idade
que me passam despercebidas
pois com elas me acostumei
são longos dias de vida
reflexo de desencontros
de encontros e despedidas
de chegadas e muitas voltas
de algumas idas e vindas
E a revelação maior
não é no espelho refletida
são nas marcas que vão na alma
pelo que fiz da minha vida!
Nalva Araújo
Diálogo Poético Ianê Mello/ Jairo Cerqueira/ Nalva Araújo
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