
Conta-nos em prosa ou verso o que essa pintura lhe sugere, instiga, revela...ou esconde...
Tela: Olaf Hajek
Marta
Dialogo Poético - Colaboradores: Lou Albergaria (pintura, poesia), Machado de Carlos, Otelice Soares, Marta (poesias)
Tristeza
— Bom dia, senhora tristeza!
Tu que me acompanhas todos os dias,
Onde andará a tua amiga alegria?
— Quem sabe está no riso da princesa!
Acostumei com o frio da ventania!
O teu olhar inspira-me certa beleza!
Espero a noite, e, tenho certeza.
Será noite longa e cheia de agonia!...
O tempo com seu manto vagaroso,
Delirá este mundo penoso,
Levando-me a uma glória sem igual.
Deste orbe miserável direi adeus,
Estarei entre as estátuas do Eliseu;
Será o meu Brado Universal!
Machado de Carlos
Publicado no Recanto das Letras
Código do texto: T1618945
Quem disse que se foi
o pássaro?
Quem disse que prostrado
poderá, um dia,estar?
Se há, dentro do seu coração,
Natureza eterna, a flutuar?
Quem pode tombar a vida,
Quando ainda há cores, nela,
a cantar,
E, ao redor dos passarinhos,
Ainda o canto, em flores a perfumar?
Otelice Soares
Morri de cansaço...
Voei por entre o nevoeiro denso da floresta e encontrei-lhe o coração..
Apaixonei-me pela serenidade que ali vivia e deixei de voar....
Derrubaram a floresta um dia, mataram-me também...
Quem sobreviveu e me encontrou....
lembrou-se do meu voo infinito pelos céus...
Voltei a voar, não com as
minhas asas, mas alimentando o amor e a beleza das flores....
Quem disse que se foi
o pássaro?
Quem disse que prostrado
poderá, um dia,estar?
Se há, dentro do seu coração,
Natureza eterna, a flutuar?
Quem pode tombar a vida,
Quando ainda há cores, nela,
a cantar,
E, ao redor dos passarinhos,
Ainda o canto, em flores a perfumar?
Otelice Soares
Morri de cansaço...
Voei por entre o nevoeiro denso da floresta e encontrei-lhe o coração..
Apaixonei-me pela serenidade que ali vivia e deixei de voar....
Derrubaram a floresta um dia, mataram-me também...
Quem sobreviveu e me encontrou....
lembrou-se do meu voo infinito pelos céus...
Voltei a voar, não com as
minhas asas, mas alimentando o amor e a beleza das flores....
Marta
***
Se pensas ver Morte
Como se enganas...
Os olhos nos enganam
ainda mais
quando só sabemos olhar
com a Razão.
O real muitas vezes é apenas ficção
uma realidade criada
por algum espelho
côncavo ou convexo
na retina da alma
em que a imagem se faz trocada
invertida,
por isso
transfigura e assombra.
Tantas cores vivas
não ornamentam a Morte.
É só vida que pulsa
vibra, agita
Nutre de seiva
flores, insetos
Beijos...
Um jardim de delícias!
Cismaram, entretanto, colocar um espelho
bem a nossa frente
e estamos vendo ao contrário...
Só isso.
Não se exaspere, amável amigo,
vou retirar o espelho
para que possas me ver melhor.
Lou Albergaria