
O galo
Do meu
Vizinho
Sofre
[Tem de
Entalhar
Sozinho
A madrugada]
Assim
Como eu
Que
Sozinha
Moldo
Os dias
Esculpo
A vida
Com falta
Quase
Absoluta
De
Matéria-prima
Lá está
O galo
Às quatro
E trinta
Cá estou eu
Labutando
Com a escassa
Argila
Com a rala
Tinta
Do pensamento
Na vã
Tentativa
De restaurar
A velha
E gasta
Rotina
Ah
Se eu
Contasse
Ao menos
Com uma
Ou outra
Sobra
De fantasia...
Zélia Guardiano
Cai ante meus olhos a culpa amarga de Aléctrion.
Marte, iracundo, ergue os olhos para o céu...
E, enquanto a deusa Noite cochila em seu trono,
Febe, num ato de malícia, exibe sua beldade branca
Capaz de adormecer os homens e atormentar os deuses.
RODRIGO DELLA SANTINA
Bom Dia
O galo cantou novamente
bem na manhãzinha
cocoricó
instigando
todos a acordar
já que o sol
insiste em demorar
ele cantou
cocoricó
galo inebriado,
bêbado,quem sabe de sono
o galo cantou.
para suas galinhas,
cantou?
quem sabe,dizendo;bom dia
quem sabe,ainda boa noite.Mateus Luciano
Trocou-a por um curioso mistério
Este irreal e intenso verde
Que inunda o olhar mais sério
Nesta ilha há um beijo na tua procura
Nesta ilha as pedras não têm idade
Nesta ilha as juras são lançadas à maresia
Nesta ilha o sonho é janela da verdade
O Profeta
Ó galinho sem vergonha,
porque cismas de cantar
no momento melhor do meu sono
só pra vires me acordar
Acordar pra ver sol
os pássaros a cantar
O perfume das flores
O mato cheirando forte
Não seria má ideia se tivesse aqui comigo
Alguém a quem amar
Acordaríamos juntos
Com carinhos para dar
Levantaríamos e daríamos bom dia ao sol
e sairíamos correndo pelos campos verdes
como duas crianças felizes
Tudo seria tão belo....
Mas foi um sonho que vivi
Então, não canta mais não
Não relembre a solidão
Por favor, deixe-me dormir.
Ianê Mello
Diálogo Poético: Colaboradores: Zélia Guardiano, Rodrigo Della Santina,Mateus Luciano, O Profeta,Ianê Mello