O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Acorde D'Alma!



Em semibreves busco caminho,
em mínimos versos, carinhos
Em algumas colcheias, flutuo
semicolcheteando no ar
nas fusas
reencontro semifusas
dos acordes musicais
E componho nos semitons
onde a alma devaneia!
Enice 05/05/2011


Em semifusa demência
descomponho o que não compreendo

Minh'alma canta em braille
acordes de vento
asas confusas arrefecem o gelo
em brancas nuvens

Somente o céu azul me protege
do mau uso que faço da chuva...

menos hoje:
que deixei negro até o sol


Lou Albergaria



Acordes que vibram
em descompassos da alma

inquietudes no bailar
puro ou profano
um ato de amor
profundo e insano

em clave de sol ou fá
posso ser mi sustenido
posso ser dó menor

o que encanta 
é o canto difuso
em espirais no ar


cria asas doce- mel
enleva o corpo
num terno abraço
até o azul do céu


Ianê Mello



sexta-feira, 17 de junho de 2011

DE COMO CAEM (NASCEM) OS ANJOS...


Descolo o rosto da máscara
E não me acho

Concha vazia
Reverbera o eco do silêncio
Tombos macabros

Engraçados,
Trapezistas e palhaços

Os sobreviventes da lâmpada!

Gênios e fadas
Esfolo o joelho nas asas do corvo
No eclipse, a sombra me cega

Eu escureço e viro anjo...

Lou Albergaria




Máscaras que encobrem a face
pelo tempo calcificadas no rosto que as abriga


Existirá ainda o mesmo rosto por detrás das máscaras?
Ainda existirá sequer um rosto humano
ou será uma mera junção de todas as máscaras sobrepostas?


Em que momento deixamos de sermos nós
e nos tornamos esse outro, esse estranho ser
que por vezes sequer reconhecemos?




Ianê Mello









quarta-feira, 8 de junho de 2011

A FENDA E O ECLIPSE




A vida irrompe
Fendas cansadas

Melodias que ardem
Pétalas úmidas

O canto da cotovia anuncia: Amantes
com tanto medo da Lua

O amor que não ama
esquece o rumo do ninho.

Mas,
o pássaro insiste... viver
Suas asas

Assim como a poesia não desiste
pousar os seios
sobre o seu peito

em uma noite tão fria
de eclipse.

Lou Albergaria

sexta-feira, 27 de maio de 2011

NINHOS EM PERGAMINHOS...



Cada pessoa, uma sina.
Eu, só caminhos que
Correm pro útero

Ninho. Colo de Mãe.
Semente. Lã.

Teço suspiros no algodão doce
O fim da estrela é o começo da manhã.

Lou Albergaria

sexta-feira, 1 de abril de 2011

AhCORDA!



Acorda! o sonho poesia

Abraço
Teu peito, meu abrigo
Enlaço
Na pele, o pecado absolvido

Lábios molhados

Enxugam a música, que
goteja de teus beijos.

Vem, e me cobre de ninho

Preciso amanhecer em tuas asas
Logo bem cedo

Lou Albergaria

quinta-feira, 31 de março de 2011

domingo, 28 de novembro de 2010

A BOSTA É POP!


Minha poesia não é pra ser recitada em
Saraus ou Academias de Letras.
É pra ser lida, sentida
No fundo do estômago
No útero, no saco escrotal.
Minha poesia vem das ruas
Avenidas encardidas
Lamacentas
Limo, excrementos
Vômitos esverdeados
De quem tem sede de vida.
Minha poesia não é de métrica
Nem rima rica
A pobreza define e alimenta os versos
Tão indigestos que
Dão azia, caganeira
Larica.
Minha poesia é kirsh
Sem cores de Almodóvar
Tudo em preto e branco
Cadelas e cachorros não enxergam colorido.
Minha poesia é pop.
A Bosta é pop!
Todo mundo faz e
Cada qual a sua maneira.
Mais dura ou mais mole
Depende do que se comeu na véspera.
Minha poesia pode ser diluída
Na cerveja, na cachaça
Na garapa vendida na feira e
Mais dois pastéis
bem grandes
que possam caber perplexidade
e espanto.
Minha poesia está sempre indignada
Aterrorizada
Por tanta genialidade óbvia
Que só vive de conceito
Na pia batismal
Sacramentando o egoísmo e a sordidez;
O olhar míngua ao dar nome
ao próprio umbigo.
Minha poesia está sempre de olhos arregalados
Sem dormir a canção de Drummond
Que Me fez acordar para sempre.
Só a criança em Mim dorme
Porque há mais de um século está morta.
Minha poesia é feita do lixo!
Faz desmoronar o planeta insustentável
Empobrecido pelo ser humano
E seu medo de amar.

Meu poema é o dejeto que não se recicla!


Lou Albergaria
in O Cogumelo que Nasce na bosta da Vaca Profana

OUÇAM NA VOZ DE SAULO TAVEIRA:

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O LOBO É O HOMEM DO LOBO


Vida esponjosa
manancial úmida
goteja sólida
selvagem natureza.
O lobo engole o homem
sentida angústia
digere aos gritos o que o sofrimento cala;
no vômito, encontro poucas certezas
quem sou diluiu-se no estômago ácido.

O radar avisa:
Limite de velocidade na próxima curva.

-Não posso! Preciso continuar fugindo...
Acabei de atropelar a criança que um dia fui.

O melhor de mim hoje morreu.
Lou Albergaria
in O Cogumelo que Nasce na bosta da Vaca Profana

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

QUE GOSTO TEM O AMOR?



O poema se veste de Negro
Pois Negra é a Noite
Te sonho o beijo roubado
A hora da chegada
Você em Mim
Eu sem Ti
Morte anunciada
A história de Amor
Sem enredo, nem fim
diluída em Suor e Lágrima.
Se me perguntam:
que gosto tem o Amor?
Eu digo: É salgado.
O Amor é muito salgado.

Lou Albergaria
Tela: Vino Morais

terça-feira, 21 de setembro de 2010

HAIKAI DAS CORES NUAS


SINTO SEU BEIJO


AS ALMAS FICAM NUAS


CORES ACORDAM


Lou Albergaria



Em completo êxtase

Nossos corpos em união

Tornam-se unos num beijo


Ianê Mello




Um beijo, é um desejo

Que nos vem do coração


E o êxtase, o ensejo


que provoca a união





Joaquim Vale Cruz






Um beijo de adeus

tangido nas cordas 

Sons e sanções, melodia e dor.
 
 
Jairo Cerqueira





(Tela: Vino Morais - www.vinoartes.blogspot.com)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O SOMBRERO


Dispo-Me
desta tua Pele
que Me arruína
Faz o indulgente
indigente
A Morte anuncia
Promessa de Vida não Cumprida
A Fantasia se rasga
em Milhões de rodopios
Cadafalso
esmaga o Verso
Morre de Asfixia
Hoje não te Mereço
Entrego-te sem colocar preço
O Delírio
tornou-se por demais Sombrio
Restou-me pouco Sol
para o largo Sombrero.


Lou Albergaria



Escondi os olhos, mas não o corpo.
Provoco-te o corpo, mas não deixo que me vejas a alma.
Se te desprezo, se te odeio....
terás que me tirar o Sombrero e olhar-me na alma....
A pergunta é simples, é banal, pode ser mesmo um cliché:
saberá a tua alma reconhecer a minha???
 
 
 
Marta

sábado, 4 de setembro de 2010

Casal conectado

O que essa imagem lhe revela?







O desejo antecede o momento
Qualquer diálogo
Estagna o pensamento
O desejo marcou em traços
a alvura da vidraça
olhares se entre-cruzam
faz-se tão presente o amor neste par
neste clima, neste olhar
talvez sequer precisem se tocar.


Mirze Souza




Como se eletrodos em nós tivéssemos
interligando nossos pensamentos
telepaticamente nos comunicamos
como almas gêmeas no reencontro
Sentimentos, emoções, palavras
em uníssomo expressamos
Somos dois e somos um.




Ianê Mello

***

AMOR EM SILÊNCIO
O Olhar grita
o Amor que se faz
Sem nem uma palavra derramar.


Lou Albergaria



Hesito...
E, no entanto, tenho tanto para te dizer....
Fascinam-me as tuas mãos, invejo-te
o riso solto e leve, perturba-me a clareza do teu olhar...
Quero desviar o meu, mas não consigo....
Continuo sem palavras, mas sinto que já sabes tudo o que te quero dizer....
Estendo-te a mão e quando a seguras, confio-te todos os meus segredos.....



Marta





Diálogo poético - Colaboradores: Ianê Mello(imagem), Mirze Souza, Ianê Mello, Lou Albergaria, Marta

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

VERSO PARA AMAR...






Penso em você
rabisco inebriada
um sonho

Lou Albergaria


Utopia

A estrela brilhou: - era o sinal;
superam-se mil marcas da afasia!
No vídeo palpitava a luz do dia,
e, fora reinava um vendaval!...

Acordei de um sonho magistral:
meu nome na pedra era fantasia.
A pedra viajou com a ventania;
só resta solidão e sem final.

Houve gritos: mistura de prazer!...
A rubrica selava um viver...
Eles morriam: - vã felicidade!

Ó Lua! Senhora dos aflitos;
escuta os rumores destes gritos
e mata o desvelo desta saudade!...

Machado de Carlos

Publicado no Recanto das Letras
Código do texto: T1175671




você se foi...

e com você a luz do dia

deixou seu rastro

seu lastro

caminho de luz

na casa

um cheiro de hortelã

ainda perfuma o ar

com sua presença doce

você se foi, assim...

como se fosse

um barqueiro em alto mar

jurando não me deixar



Ianê  Mello

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O COIOTE


Não sinto você uma pessoa.

Sinto você um sentimento
soprado pela maresia
de algum final de tarde
céu alaranjado de alegria
e quente...
ou, simplesmente,
soprado por algum arcanjo.

Derrama seu orgasmo sobre o mundo
e no escuro impenetrável
da minha alma...

Lou Albergaria



Medroso

Hoje sinto que me conhece
Melhor e com esperança
Deixa que eu avance
Pois tenho meu tempo
Sei que é difícil
Mas não sou impossível
Só lobo perdido
Isso já lhe disse é audível
Quase gritante lobo carente
Medo sempre habita
Mas você mostra que
Tudo pode e deve mudar
Mesmo desgarrado e fugitivo
Pode na montanha estacionar
E nos teus cabelos embrenhar
Mas tudo muito sereno
Neste instante percebe
Que eu espreito devagar
Sinta nas poesias como
Soa meu querer estar
Pois sou meio ou muito
Cauteloso, você diria medroso
De você aceito este adjetivo
Contundente e não muito precioso
Mas sei que teu afeto é
Para poucos afortunados
E que teu poder é pura sedução
E tem aqui neste valoroso ardor
Nunca deixei a construção
Só mudei o arquiteto
Do chão ao teto


Ulisses Reis®


Delírio

Ah, e se meus portões forem abertos,
E se essa ânsia estender-se ao máximo,
E se depois ele sair do seu esconderijo,
E se me tomar onde separo meus vãos,
E se me subir à cabeça e eu mais descer,
E se assim eu mais permitir de me perder,
E se não houver tempo de mais respirar,
E se explodir o chão perto de mim,
E se todas as palavras caírem para dentro,
E se tudo que guardo for embora junto,
E se nessa aventura de juntarmos um,
E se for tão rapidamente que se apague,
E se minhas frases não tiverem força,
E se depois um nada me tomar a mão...
E se você não aparece eu invento tudo
E se há não matéria nesse meu delírio
Há somente noite, dedos e segredos,
E silêncio.



Ricardo Fabião


Dialogo Poético - Colaboradores: Lou Albergaria, Ulissses Reis, Ricardo Fabião
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