O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

MISTÉRIOS DO OLHAR



O olhar pode ser duro
como o aço
Pode ser claro
calmo e sereno
Pode ser
puro veneno
a castigar
Pode ser atento
ou indiferente
Pode tudo ver
ou nada enxergar
Quanto de amor
cabe num olhar
nos olhos do amado
a se derramar
Olhar que vê longe
Olhar que se esconde
Olhar que se entrega
Olhar fugidio
Olhar de tristeza
Olhar de alegria
Olhar perdido
Olhar que vagueia
Olhar objetivo
Olhar certeiro
Ah, o olhar...
quantos segredos
esconde
um simples
e singelo olhar.


Ianê Mello


Quantos segredos se escondem
Num singelo e simples olhar
Onde tudo se pode ver e nada se enxergar
Pode ser calmo e sereno
E quase nos pode cegar
Mas pode até ser veneno
Que acaba por nos matar

Se ele é como o aço, duro
Pode causar sofrimento
Mas se acaso é doce e puro
É esse olhar que eu procuro
P’ra acabar meu tormento

Pois é nesse olhar atento
Mas que eu não quero indiferente
Em que eu procuro o alento
Para que possa ser fermento
E em mim sinta latente

E quando couber nesse olhar
Da sua chama o ardor
Nele se vai encontrar
E se pode então achar
Toda a força do amor



Joaquim Vale Cruz

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

NÓDOA DO TEMPO

Pintura de Gustave Cailebotte



No chão
uma mancha
descorou o sinteco
numa nódoa
presente, constante,
a relembrar algo


O líquido
derramado
já não se faz lembrar,
da memória
já desvanecido


Mas a mancha persiste,
insiste em ser
uma marca
que não há mais jeito
de se extinguir


No tempo que transcorre
em leves ou pesados passos
ali ela sempre está
e a tudo vê passar




Ianê Mello


Quantas manchas, quantas nódoas
Deixamos em nossas vidas
E essas nódoas, que são feridas
...Quer na memória elas fiquem
Quer se desvaneçam no tempo
Dão sempre lugar ao lamento
E persistem como chagas
Que não se extinguem
São pragas
Que alguém por maldade rogou
E isso nos afectou
De tal forma, de tal jeito
Que em nós ficaram como um defeito
Que a nossa vida marcou !!!



Joaquim Vale Cuz


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