
Hoje, apeteceu-me
Falar contigo
E de ti.
Hoje
Só quero olhar as estrelas,
Dormir ao relento
Da minha pele,
Desnudar-me
Do nada que sou
E voar!...
Voar como o condor
Em rodopios de azul
Perdido no vento que passa.
Voar…
Voar como quem voa
De paixão, embriagado.
Quero ser
Sol, lua e terra
Quero ser primavera
Flor na tua janela.
Hoje, apeteceu-me
Não ser eu
Quero ser
O outro, aquele, mais alguém
Quero ser todos e ninguém.
Quero ser
Ar, pó e nada
E voltar numa alvorada.
Hoje quero, somente,
Que me digas
Quem eu sou.
Bravo
Asas ecoam ao vento
Semente e flor
Pétalas bailam
Delírio infante
A canção do Condor.
Dos lábios, sou o riso
Da lágrima, a fonte
Sentimento diluído
No sabor do encanto.
Quem eu sou
Ainda flutua
Em placenta
E sonhos...
Lembranças de amor.
Lou Albergaria