O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




quarta-feira, 14 de março de 2012

Dialogo Poético - Ianê Mello e Joaquim Vale Cruz





VERSOS INVERSOS


Muitos acham que versos devem ter
a doçura de um favo de mel
mas quanto doce um poema pode ser
numa vida que também amarga feito fel


Poema arrumadinho, tão certinho
que agrada os olhos de quem ler
e na ilusão só reconhece o carinho
enquanto o mundo agoniza no sofrer


Hipocrisia, ironia, desdém da dor
cada qual sabe de si o seu limite
mas eu não faço versos sem ardor
eu faço versos para quem existe


verso na crueza dos amores
reconheço nas flores o espinho
não procuro esconder os dissabores
pois tudo faz parte do caminho



Ianê Mello


* Inspirado em Camille Claudel
Escultura: L'Âge Mûr - A Idade Madura (Bronze)

*
Postagem Original em:
Labirintos da Alma 

(http://labirintosdaalma.blogspot.com/2012/02/versos-inversos.html)

Os seus poemas Querida Ianê, fascinam-me de tal forma, que pegando nos seus motes, nas suas palavras, me forçam a dialogar: 



Versos, reversos, inversos
Podem ser perversos
Ou doces como o mel
Mas quando há padecer
Eles podem ter
só sabor a fel

Alguns versos são certos
mas se são incertos
e feitos sem calor
Só fazem sofrer
E em seu remoer
Fazem sentir dor

Cantam a ironia, a hipocrisia, o desdém, a dor
Não têm limite, quando algum emite o sentir do amor
Por vezes são espinhos, que de tão daninhos nos fazem sofrer
Mas se são belas flores, das mais lindas cores
Ou então frutos com os atributos dos melhores sabores
Me sinto disposto…com desgosto…ou gosto…a poemas fazer

JVC – FB - 2012-03-14

Diálogo Poético: Ianê Mello e Joaquim Vale Cruz




E viva a Poesia!
E salvem os poetas!

Retirando do fundo do baú....

CATARSE POÉTICA


A alma do poeta expressa
uma forma diferente de sentir
Longe do mundo e da pressa
Revelando algo que está por vir

Enternece tão somente
àqueles que por ela são tocados
Uma alegria para quem sente
os seus sentimentos revelados

Pois com sua palavra e voz
ele pode transpor muros
e ajuda a desatar os nós
aliviando os corações mais puros

Com sua alma exposta
e seu coração na mão
se entrega com paixão ao que gosta
e compõe notas da mais pura emoção

Com palavras ele desenha
como o pintor com seu pincel
Pois do cofre ele tem a senha
Colorindo o branco do papel

Revela sem medo suas dores
e expõe desejos contidos
Fala até mesmo de seus amores
e pensamentos proibidos

Numa catarse de emoções
sua alma aflora e se liberta
Florindo nas mais belas estações
lapidando sua dor mais secreta

Com a alma purificada
e o coração atento
Não busca da vida mais nada
do que a leveza do momento


Ianê Mello

postagem Original em:
Labirintos da Alma
(http://labirintosdaalma.blogspot.com/2009/10/alma-do-poeta-expressa-uma-forma.html)


Querida Amiga Ianê, também do meu baú, aqui vai um restinho de poesia.
E viva a poesia e todos os poetas !!!!!


A poesia caça a gente
sem apelo nem agravo
e por vezes deixa um travo
dificil de digerir...
E quando surge um poema
nós ficamos num dilema
para do problema sair...
Vem o mote, vem a ideia
mas não aparece a veia
por onde possa correr...
E quando achamos saída
começa a nossa lida
e as palavras vão fluindo
e um sentimento lindo
começa surgindo em nós
quando podemos dar voz
ao nosso melhor sentir...
E o poema que é som
tem necessidade ainda
de certa musicalidade
que lhe vai dar de verdade
o encanto que ele tem.
E tem que ter o seu ritmo
ora rápido, ora lento
para conseguir o intento
de poder ser entendido
seja escuro, seja florido
seja mudo, tenha som
e tem que mudar de tom
p'ra não haver distonia
e quando tudo consegue
o poeta fica alegre
quando depois do interim
lhe põe a palavra.... FIM

JVC – FB - 2010


terça-feira, 13 de março de 2012

Diálogo Poético : Ianê Mello , Leila Onofre e Joaquim Vale Cruz




DO CORPO APARTADA


Corpo
casa da alma
fluídica e etérica

agora jaz
imóvel e entregue
ao seu destino

fatalidade da vida
assim a morte é...

...

chega a hora da partida

o corpo cumpriu seu tempo
e agora descansa

coberto de flores cor de ouro
abraçado pelo sono eterno

mas a alma...
ah, a alma!...
essa permanece ...

eternamente.


Ianê Mello


 Outono escondido


A cada dia cai uma folha
Em silencio toca o chão
Enganando o calor do verão
Primeiro acenam no vento lento
Soando dentro da alma
De quem a acolhe no olhar
Olhar de outono
Ainda vazio
Ainda longínquo
Folhas perecidas, molhadas
Caem perdidas
Dentro de mim se abrigam
Aromatizando a dor do outono frio
Soltas dos galhos vencidos e secos
Arborizaram a esperança dos romanescos
Crenças, belezas, cores e flores...
Tudo aquilo que amo sentir


Leila Onofre 3/13/2012







Do corpo apartada, a alma cansada
Saiu libertada
E no que foi sua casa, já não há mais vida
que foi tão sofrida…
mas…missão cumprida…

Seu cruel destino
marcado em menino
assim terminou

Chegou o remanso
e na hora do descanso…
já coberto de flores, de ouro, de prece
o corpo arrefece
e a terra estremece…

Mas a alma liberta
saiu mais desperta
e bem consciente
vive eternamente….!!! 
Do corpo apartada, a alma cansada
Saiu libertada
E no que foi sua casa, já não há mais vida
que foi tão sofrida…
mas…missão cumprida…

Seu cruel destino
marcado em menino
assim terminou

Chegou o remanso
e na hora do descanso…
já coberto de flores, de ouro, de prece
o corpo arrefece
e a terra estremece…

Mas a alma liberta
saiu mais desperta
e bem consciente
vive eternamente….!!!


JVC – Fb - 2012-03-13





*
Crédito de Imagem: Pintura de Arik Brauer 


terça-feira, 6 de março de 2012

Dialogo poético: Ianê Mello, Paula Amaro e Luis Lima



DANÇA DA VIDA



Pétala leve
branca aveludada
voeja em rodopios
ao vento que embala
sob o azul do céu


sem nuvens


reflexos de sol doirados
rebrilha nos cabelos
cor de trigo


menina dança
a dança do sol


vida que se recria
que se renova
em luz


gira, gira, gira
menina dourada

...

rodopia sobre si mesma


um sorriso feliz nos lábios
o infinito no olhar...



Ianê Mello


Crédito de Imagem: Fotografia de Anka Zhuravleva.


Uma dança
no movimento,
no olhar, no desejo
aquela dança sorrateira
que sai avulsa do sentimento
que mergulha inteira
na dança gulosa do beijo.
E dança mais,
dança sempre
que o amor está presente.

No soltar dos ais,
na dança do ventre,
no corpo dormente.´

É a vida, é a esp´rança
que rasga o futuro
que em nós se fez dança.


Paula Amaro


 “””””””

voejo, voejo
nas penas
que dizes

com elas me calas
e asas
e nelas
voaremos ao lugar
das casas de amar
onde estaremos felizes

“””””””
“”””(luis lima)

Crédito de Imagem: Fotografia de Anka Zhuravleva.

Diálogo Poético : Ianê Mello e Joaquim Vale Cruz



FLUÍDICA

Ame o amor
que há em ti


enterneça sentires
enamore-se


construa pontes de luz
cintilantes caminhos
de encontros


aquiete tua alma
inspire todo o ar
lentamente
tomando teu ser


solte as amarras do querer
entregue-se
simplesmente


ao SER



Ianê Mello


Solta as amarras do querer
Pois que esse amor que há em ti
É o sentimento mais lindo de viver
E o que em teu íntimo mais sorri


Quando te enamoras, te enterneces
Constróis pontes de luz, doces caminhos
Neles procuras as coisa lindas que mereces
E no retorno vais recebendo ternos carinhos


Entrega-te simplesmente, sem temor
E sem quaisquer rodeios ao teu amor
Afasta de ti qualquer sofrer


Verás então que tua alma se aquieta
Pois já atingiste a tua meta
E plenamente completaste todo o teu SER


JVC – FB - 2012-03-05






Crédito de Imagem: Fotografia de autoria desconhecida.
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