O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




quinta-feira, 28 de abril de 2011

Visão do Tempo

Pintura de Toulouse Lautrec





O medo que perpassa
cabelos em desalinho
arqueadas costas
em súplicas contidas
na espera desmedida
o tempo que se esconde
minutos, horas, dias
o mormaço provocante
com sabor de saudade
na janela a penumbra
revela tão só presença
no vazio do recinto
a falta que ela faz


Ianê Mello






segunda-feira, 25 de abril de 2011

Em Silêncio...



Sabe, já não sinto mais
o gosto amargo em minha boca
como não sinto o sal das lágrimas
que escorriam do meu rosto
Já não há lágrimas...
Dentro, apenas dentro
há sempre um vulcão pronto
para explodir, mas não...
tudo o que sinto é o peito
a queimar em lavas...
inevitável implosão
Dentro, apenas dentro
me sinto viva
ou o que de mim ainda resta
do que fui um dia
num passado
que hoje é apenas névoa
na escuridão
Deveria dizer palavras amenas,
palavras de encantamento,
palavras de esperança
Me desculpem, não agora...
minha alma dentro apenas chora
um choro contido e em silêncio
...........

Apenas peço que respeitem
minha dor...


Ianê Mello


É sim!

                                                                          

  É, sim...
É o meu coração,
outra vez, em tempo de espera.
É o meu coração,
a cantar uma nova era,
a ver despontar,
por entre os madrigais,
uma nova canção,
a espalhar-se como oração.


É sim!
É o meu cantar,
neste tempo,
a dissipar os desalentos,
a fincar a esperança,
por entre as solidões.


É sim!
mais um tempo,
a debulhar a minha fé,
a ordenar-me a ficar de pé
e encarar esta certeza
de que, ainda, há, por estes espaços,
-a cantar-
e de que permanecerá,
eternamente,
a beleza do amor canção.


É sim,
pura canção,
a levantar a fraternidade,
a firmar a solidariedade,
a solidificar o respeito e a amizade,
a fincar Amor e Justiça,
nos corações.
É SIM!

                                                                                           Otelice Soares

sexta-feira, 22 de abril de 2011

De corpo e Alma



No limite do desejo
mergulhando no escuro
desarmada
entregue
de alma e corpo
desabrochando para o amor

Não diga nada
apenas venha comigo
mergulhe nesse infinito
não tenha medo
amar é o segredo
ajude-me a desvendá-lo

Sem controle
sem medidas
sem razão
Deixe-se dominar
pela emoção que aflora
No pulsar das veias
no bater do coração
escute o som
da vida que grita
Liberte-se...


Ianê Mello

Envolta em silêncio




Eu sinto...
pela palavra não dita
e pela dita ao acaso
pela que não foi ouvida
pela palavra inexata
pela falta de sentido
pela falta de tato
pela pressa
pelo cansaço
pela presença...
ausente

Eu sinto...
pelo tempo perdido
pelo esforço
pela noite mal-dormida
pela insônia
pela falta de espaço
pelo pouco caso
pelo embaraço
pela escassez...
do abraço

Eu sinto...
por perder sem querer
por lutar em vão
por tentar entender
por não encontrar a razão
pelo desperdício
pela escassez
pela humildade
pela embriaguez
pela covardia

Eu sinto...
sinto muito
por sentir tanto


Ianê Mello
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