O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




sábado, 8 de maio de 2010

UM DRAGÃO VIAJA EM MIM




EU TENHO UM DRAGÃO TATUADO
DA CINTURA ATÉ O UMBIGO
NO LADO AVESSO DE MIM
NO INVERSO SENTIDO DOS MEUS PASSOS
NA DISLEXIA DO MEU PUDOR.

UM DRAGÃO FAMINTO VIAJA
EM MINHAS ENTRANHAS
FAZENDO-ME DEGLUTIR
O QUE NÃO SEI EXPELIR EM PALAVRAS.

ME VIRA AO AVESSO!

PEGA ESSE DRAGÃO À UNHA
TRANSFORMA MINHA PELE EM TELA
DEIXA O PECADO TRANSGREDIR O ESTILO.

PRECISO ME DESPIR DESSA PELE
IMACULADA
E MARCÁ-LA A FERRO
COMO UMA CALCOGRAVURA.

Lou Albergaria

Este é um dos poemas que compõem o meu livro: PESSOAS E ESQUINAS.
Entrem no link do título e assistam a um clip do ZECA BALEIRO e ouçam uma música que eu adoro: LENHA. 

Comunhão de Corpos / Somos Um

















Desnudos
Desprotegidos
Transparentes
Na vertigem do momento
Entregues a beleza desse instante
Fugaz, porém intenso
Mãos, pele, lábios
Ouvidos, nucas, pernas
Odores, suores, química
Gestos, toques, abraços
Corpos embebidos em fluídos,
seus, meus, nossos
Sólidos, liquefeitos, etéreos
Encontro visceral
Sentidos aguçados
Enquanto lá fora
a lua branca brilha
iluminando nossos corpos nus
E quando pela cansaço vencidos
nos espamos do gozo que estremece,
deitamos, lado a lado, enternecidos
e o dia lá fora já amanhece.



Ianê Mello



Somos Um




Estava preso na noite sombria;
Vieste com toda sede de quem ama...
Afloraram-se ardentes, loucas chamas!
Juntos, absorvemos a melodia!...

Testei teu sexo no ponto que ardia;
Beijei... Beijei, teu corpo de cigana;
Nos deleitamos na doce cama!
Fomos um só corpo em plena harmonia.

Embeveci e viajei no teu sorriso!...
Avancei, inteiro, num sonho colorido!
Lentamente, suguei tua anca fêmea.

Depois do amor, a paz não teve fim...
De mãos dadas passeamos no jardim
Descobrimos que somos almas gêmeas!...




Machado de Carlos



E descobrindo, assim
Tanta loucura
Me embriaguei em ver
Tanta doçura
Te amando antes, durante
E depois
E caí de vez, embriagado
E ao acordar te vi linda
Ao meu lado
É... um mais um é sempre mais que dois!




Jairo Cerqueira 



Estou suada,
estou ofegante...
Amei-te ardentemente...
Eu, envergonhada
da minha nudez, com medo
do meu corpo...
Abraçada agora a ti,
ao teu olhar,
à tua alma,
à tua nudez.
Num suspiro lento,
num novo desejo de amar...
Ardentemente, novamente...



Marta



Diálogo Poético - Colaboradores: Ianê Mello( ilustração e poema)/ Machado de Carlos/Jairo Cerqueira / Marta 

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Vento, Alma Alada

|imagem L.B., 2009, trabalhada em CPT|

(á minha “petite margueritte”)


Este corpo poeta e tudo
construído na fragilidade diurna do papel
arquivado na castidade das folhas das árvores
destruído pelas eternidades dos amores e dos cálculos
pede descanso, sonho e sono

Esta alma cega pela poesia das cores
não vive – inútil leviandade do querer
mais vaga que as pequenas pétalas do mar
mas menos risível que as preciosidades do mundo

Este corpo
não pede nem ouros nem pratas
não possui nem campos nem eras
nem universos.

Não! Nada mais peço.
Só preciso de ar e
da composta asa dum anjo.


Quarteira, Abril 1993
Leonardo B.




Tsuru


Correntes nos tornozelos feitas de papel
lápis entortam-se para prender meus pulsos em algemas
não fossem palavras gastas e insistentes
em aparecer e rabiscar minha alma
eu sorriria por tentar desenhar inconsciências
Não fosse o peso nos ombros
de não viver sem escrever, eu voaria
[de barquinhos de papel, passaria aos origamis de aves.
eu me alçaria, não fosse o tanto que a terra
me obriga a me plantar em letras
disformes em papéis-pard(o)ais


Lara Amaral



Nada me prende quando as mãos se agitam
e a caneta escorrrega no papel
palavras fluídas, profundas, viscerais
de uma alma que persiste em mostrar-se
em sua integridade, em suas dores e perdas
Em suas alegrias, esperanças e amores
Palavras que por vezes se repetem
sem encontrar ressonância
Palavras densas, palavras intensas,
repletas de significados, significantes
de uma vida vivida com paixão
Palavras em códigos cifrados,
Para alguns, talvez, indecifráveis
Mas elas vem, vem e vem ...
e enchem o papel de tinta
de um tudo vivido
de um nada almejado
Palavras vivas...
Palavras mortas...


Ianê Mello



Diálogo Poético - Colaboradores: Leonardo B., Lara Amaral, Ianê Mello

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Amor Etéreo

 


















Amor sublime em acordes musicais.
Harmonias vindas do coração.
Vozes da alma.
Amor que transcende,
que se eleva e se espalha no ar...
... etéreo.



Ianê Mello


Imenso Amor

Bebo do cálice do teu amor...
Em ti encontro o refúgio, amada lua.
Ignóbil eu sou, e, vejo-te toda nua...
E no sábado, vislumbro o teu amor.

Oferto-te um título com amor...
Nos minutos a ilusão flutua,
Teus pés audíveis enfeitam a rua,
Busco nos céus o nectário do amor.

No teu rosto há o eflúvio que perfuma,
Conto pétalas d´ouro, uma a uma...
Tua expressão soa como um hino!...

Tímido...beijo os teus cabelos, meu astro!
Tenho o teu cheiro... teu canto... teu rastro...
Eterno será teu corpo divino!...

Machado de Carlos


O Amor


Entre um sonho e outro
Desperta o amor.
E vagueia por verdes prados,
passeando por entre flores
e borboletas, a circundar-lhe.

O amor é uma onda misteriosa
Formada por substância desconhecia e poderosa
Que emana do mais sensível do nosso ser.

E se espalha pelos campos verdejantes do
nosso coração,
Fertiliza a terra,
reproduzindo frutos e
Alimentando a alma.

E, em silêncio, se alimenta
Fertilizando solos,
Aparando arestas,
Podando galhos, criando mudas,
Cultivando, ao seu redor...
Campos sem fim.

Falei sobre o amor
E cantei-lhe em canções.
Mas, quando o conheci,
Fez-se , em mim, silêncio profundo,
Calei-me.
Busquei-o, sondei-o
E nele encontrei-me,
ao senti-lo.


Lice Soares


O amor....grita o violino.
O amor...suspira a Lua.
O vento nada diz....
Mas eu sinto-o na pele...
Tão suave, tão doce o toque....
Fecho os olhos e é para ele que toco....
O vento....

Marta


As cordas fêmeas
e sutis do violino
clamam sedentas
de paixão ao violão Celo.
Surge uma voz doce
carregada de mistério
e a platéia atenciosa
entra em êxtase.
Nessa hora, delirante e satisfeita
Sorri a música
com a junção entre três timbres.
 
 
Jairo Cerqueira 
 
 

Diálogo Poético - Colaboradores: Ianê Mello (ilustração e poema), Machado de Carlos, Lice Soares, Marta,Jairo Cerqueira 


  

Escorre tinta


Escorre tinta
Como sangue
Catapultado
De uma máquina de guerra.

Na tela
Corpos putrefactos
Olham-nos
Numa sensação de alívio
De uma morte
Violenta e bela.

Escorre tinta
Numa paleta
De cores negras
Que outrora
Ornamentavam o arco-íris.



Bravo
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