|imagem L.B., 2009, trabalhada em CPT|
(á minha “petite margueritte”)
Este corpo poeta e tudo
construído na fragilidade diurna do papel
arquivado na castidade das folhas das árvores
destruído pelas eternidades dos amores e dos cálculos
pede descanso, sonho e sono
Esta alma cega pela poesia das cores
não vive – inútil leviandade do querer
mais vaga que as pequenas pétalas do mar
mas menos risível que as preciosidades do mundo
Este corpo
não pede nem ouros nem pratas
não possui nem campos nem eras
nem universos.
Não! Nada mais peço.
Só preciso de ar e
da composta asa dum anjo.
Quarteira, Abril 1993
Leonardo B.
Tsuru
Correntes nos tornozelos feitas de papel
lápis entortam-se para prender meus pulsos em algemas
não fossem palavras gastas e insistentes
em aparecer e rabiscar minha alma
eu sorriria por tentar desenhar inconsciências
Não fosse o peso nos ombros
de não viver sem escrever, eu voaria
[de barquinhos de papel, passaria aos origamis de aves.
eu me alçaria, não fosse o tanto que a terra
me obriga a me plantar em letras
disformes em papéis-pard(o)ais
Lara Amaral
Nada me prende quando as mãos se agitam
e a caneta escorrrega no papel
palavras fluídas, profundas, viscerais
de uma alma que persiste em mostrar-se
em sua integridade, em suas dores e perdas
Em suas alegrias, esperanças e amores
Palavras que por vezes se repetem
sem encontrar ressonância
Palavras densas, palavras intensas,
repletas de significados, significantes
de uma vida vivida com paixão
Palavras em códigos cifrados,
Para alguns, talvez, indecifráveis
Mas elas vem, vem e vem ...
e enchem o papel de tinta
de um tudo vivido
de um nada almejado
Palavras vivas...
Palavras mortas...
Ianê Mello
Diálogo Poético - Colaboradores: Leonardo B., Lara Amaral, Ianê Mello