O excesso de luz cega a vista.
O excesso de som ensurdece o ouvido.
Condimentos em demais estragam o gosto.
O ímpeto das paixões perturba o coração.
A cobiça do impossível destrói a ética.
Por isso, o sábio em sua alma
Determina a medida de cada coisa.
Todas as coisas visíveis lhe são apenas
Setas que apontam para o Invisível.
(Tao-Te King, Lao-Tsé)
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Complexidade...
Não deveria estar triste,
Mas de fato estou
Queria não ter ansiedade,
Mas estou ansiosa.
Desprezo a autopiedade,
Mas sinto-me fraca para abandoná-la.
Quero mover-me rapidamente,
Mas meus passos estão inertes.
Tinha o ideal de muito construir,
E a realidade só fez destruir.
Almejei tantas coisas
que se esvairam ao vento
Revolto-me contra a indiferença
que eu sinto ao meu redor
Uma chuva suave está caindo
Mas meu coração quer tempestade
Rejeito o mundo externo
E mergulho na minha intimidade.
Um jogo de realidade e ilusão,
A verdade lutando com a mentira.
E quem pode dizer
o que é certo ou errado?
e nessa confusão
de meus pensamentos
sinto-me extenuada
Por saber que somos medidos
pelo que temos
não por quem somos
essa é a moral do mundo
Maria Bonfá
Palavras...

Perguntaram-me sobre a palavra.
Tão complexa e poderosa
A palavra...
Não soube decifrar a palavra.
De todas as palavras
A Palavra, a que tudo diz,
A que expressa até mesmo o nada...
A Palavra.
.
Canso-me, às vezes, das palavras.
Vejo-as, diante de mim,
Em cada boca, em cada escrita,
nas manchetes de jornais.
Palavras...
Apenas palavras.
Estendem-se, por entre lábios,
A emergir
Palavras, palavras.
.
Às vezes, aconselham-me,
Enfim,
Às vezes, zombam , riem de mim,
Sussurram, tumultuam,
Palavras, só palavras, assim...
E, quando silenciosas, quietas,
Sinto-as, vindo a me agredir,
Saltitantes, irônicas, rancorosas,
Aqui, ali...
.
Mil e uma palavras
Mentirosas, enganosas,
Esvoaçam à nossa volta,
Sem sentido, sem rumo,
Apenas palavras a nos seguir.
.
No barulho de línguas incansáveis,
Em festas, a pularem... vendidas ou compradas,
Dadas ou tomadas... Palavras, sim.
E há os "donos" da palavra
E há os ouvintes das palavras,
A engoli-las,
E há palavras como mosquitos,
Sem finalidade, sem beleza,
Com beleza!
Palavras...
.
Porém, quando, nas trevas da noite,
Fugindo de tantas palavras,
Busco consolo, guarida, em quietude profunda,
Só a palavra Poesia
Fala de Amor, por fim.
Traz para minh'alma acalento,
Fazendo canção, em mim.
Lice Soares
Palavras expressam momentos,
podem expressar sentimentos
e até mesmo crenças e ideais
Palavras boas, palavras más
Boas quando bem ditas, sem ofensas
Más quando usadas somente para a discórdia
Palavras que muito exprimem
Palavras que nada dizem
Palavras cheias de interpretações,
que levam `a grandes discussões
Palavras vazias e vãs...
Mas o que são as palavras?
São mais um dos instrumentos que temos
para procuar um entendimento,
das idéias, da vida, do ser humano,
para nos comunicarmos
Palavras só são um engano
quando usadas para ferir,
como ponta de faca afiada
para ao outro atingir
Movidas por forte ego
Mas há momentos em que as palavras
não nos valem muito não
Mas vale um forte abraço
dado com amor e compaixão.
Ianê Mello
Diálogos Poéticos - Colaboradores: Lice Soares, Ianê Mello
SOBRE TENDENCIOSIDADE
SOBRE TENDENCIOSIDADE
Quanto a este ponto, antes mesmo de explanar coisa qualquer, eu pergunto: quantos livros, revistas, artigos de jornal, opiniões e teorias vocês já leram em que o objetivo não tenha sido convencer daquilo que ali se professava?! NENHUM! Quantas leituras já encontraram na vida que não precisassem passar pelo crivo de sua crítica pessoal, sob o risco de engolir equívocos e meias-verdades como se de algo de senso se tratasse?! NENHUMA! Quantas obras tiveram acesso a que se vissem obrigados, pela força da evidência, a aceitar e abraçar como verdade inconteste tudo o que nela continha?! NENHUMA! Ou será que não houve porção de TODAS AS QUE JÁ LERAM NA VIDA INTEIRA que julgassem pouco atinente ao senso ou que não parecesse a vocês de total solidez a ponto de abraçarem-na na íntegra?! – eu respondo: TODAS!
Difícil é haver concordância plena entre as idéias de dois seres humanos, que se dirá de não primarem pelo convencimento um do outro, quanto àquilo que sinceramente cada um julga estar certo.
Certa vez, encontrei com um amigo muito religioso (no sentido institucional do termo, de abraçar a uma religião institucionalizada e de forma total), o qual, percebendo "os rumos que andei tomando", tentava "conseguir-me a salvação". No começo fiquei irado. Discutimos muito. Mas o que pude perceber pouco depois, à medida que a conversa prosseguia, foi que aquilo era motivado por um desejo sincero de, segundo a sua visão e perspectiva, querer o bem de um amigo, de alguém a quem se prezava e a quem se queria o melhor – ainda que o melhor segundo sua concepção de melhor.
O que pergunto de verdade (sim, porque às demais perguntas acima pus respostas prontas talvez para atiçar) é o seguinte:
É POSSÍVEL ENCONTRAR SINCERIDADE E DESPRENDIMENTO NUM LIVRO, NUMA OBRA QUALQUER, NUM ARTIGO (AINDA QUE CIENTÍFICO), NUM DIÁLOGO ENTRE DUAS PESSOAS, OU HÁ SEMPRE NISSO UMA TENTATIVA DE CONVENCIMENTO VELADA - AINDA QUE MOVIDA PELO SINCERO DESEJO DE DESPERTAR O OUTRO PARA UMA VISÃO QUE JULGA BOA, PROMISSORA, MAIS AMPLA, MAIS ABERTA, MELHOR – MESMO QUE SEGUNDO O JULGAMENTO DE QUEM A FAÇA? E AINDA SE – NESTE CONTEXTO – PODEMOS CONDENAR LIVRO, OBRA OU AMIGO QUE NOS QUEIRA CONVENCER, QUANDO DAQUILO QUE NOS QUER CONVENCER É – SEGUNDO VEJA – PARA O NOSSO BEM?
Como diria um amigo meu, os livros de matemática são os mais tendenciosos do mundo, a simples discordância já faz pressupor daquele que discorda – de antemão – esteja errado, equivocado.
Pensemos.
FRANCISCO DE SOUSA VIEIRA FILHO
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Lembranças
Remexendo
em meus guardados
Encontrei lembranças
de nós dois
Memórias de um passado
intensamente vividos
Senti que por um instante
Minha alma saiu de mim
Tamanho o vazio que senti
Estou sem voce!...
São tantas recordações!...
Tantos sonhos
que não se realizaram
Em qual caminho nos perdemos?
Onde nos desencontramos?
A saudade é imensa
do amor que vivemos
e do que poderiamos ter vivido...
Ah! Meu amor!...
Eu queria ter bebido a vida contigo
até me embriagar..
Ter me perdido no seu amor
e o caminho de volta
não encontrar.
Voce meu cantinho
de ternura de acalanto
Meu beija-flor da minha flor
Amor meu que perdi pelo caminho
Maktub...
Maria Bonfá
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