O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




sábado, 8 de janeiro de 2011

CADAVRE-EXQUIS (8)



Pétalas e conchas
Unidas pelo acaso
Das rosas caíram pétalas
Nas ondas rolavam conchas
Juntas afinal na úmida areia


Púrpura e rubra
Aveludadas pétalas
Perfume no ar
De beleza angélica
Despetalar de emoções


Momentos de amor
Dos amantes atentos
Da rosa o sentimento
Único e verdadeiro
Do existir em doação


No branco véu
A reluzir estrelas
De luz tênue e clara
Delicadeza que floresce
Num cântico de amor


Palavra ternura
Especialmente propícia
No desdobrar de pétalas
Macias e ocultas
Carinho em ofertas


Luminosidade do encontro
Corpos em conjunção
Almas que se harmonizam
Ao espocar fogos de artifício
Sons crescentes de murmúrios
Num instante de intensa magia



Beto Palaio e Ianê Mello

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

PRIMEIRO ATO

Pintura de Rene Magritte


Têmpora
            nua
          crua
          cruel
                fria

 
Tempo
  esquivo
     cativo
           volátil
                   ilimitado


Na têmpora desvanecida
Nua tez de emoções
Crua como estopa
Cruel ao envelhecer
Fria em impressões


No tempo que vaga
Esquivo que escapa
Volátil como o ar
Ilimitado em sua finitude


Seca o ar o suor
da tez fria e nua
No tempo que se faz
cativo em agoras
No ar que escapa
em profundos ais
em noites mal dormidas


Na crueza das horas
um grito atento
no delimitar as linhas
que no rosto se apegam


É chegada a hora
nos minutos sem perdão


Cai o pano


...


finda o ato





Ianê Mello

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

CADAVRE-EXQUIS (6)

Pintura de Leonora Carrington




Um novelo devoto
Ariadne em ocasos
Fio a destoar labirintos
Faz breve servir rumos
Ponta luz, ponta sombra

Estio de bravas águas
Nutrido por rijos semblantes
Obscenos gestos de despedida
O calvário de dores
Apenas mal começava

No meio do caminho ia
Andar de poesia em poesia
Iniciar em nova. Passagem
Rumos da iniciação. Onde
Anjos guiam passos incertos

Em completa arritmia
Descompassado e descadenciado
Ébrio coração pulsante
Agonizava em dor
E tremia em suores noturnos

Passos. Notívagos. Mariposas
Na luz. Destoa a rima
Cismas e credulidades
Afim. Mesmos lumes. Ar
Rarefeito. Poesia reencontrada

Traçado a ferro e fogo
Esse amor sem asas
Posse imperiosa do desejo
Escravo de insanas ilusões
Onde o humano se perde...
... à margem


Beto Palaio e Ianê Mello

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

FLORES DE AMORA


...flor de Amora

flor de fruta-pão
flor de São João
flor afago lunar
Rosa estelar
Explosão Solar.

Flor D'eus
apelos incandescentes
flor de outrora
arrepios chove
flor de espinhos
na coroa do Rei Nu
carpideiras testa esfola.

Flor de cortiça
anel de ametista
flor livre de canteiros
apara arestas
flor Fada paredes escala

O Artista com seu estilingue Mestre
lança Sementes de Amoras
-Sagrado feminino de Amor-
que hoje iluminam todo o Universo.


Para Vino Morais


Lou Albergaria
FELIZ 2011 A TODOS AMIGOS, LEITORES E SEGUIDORES!!!!
BEIJO GRANDE!!!!
Tela: Vino Morais

domingo, 2 de janeiro de 2011

CADAVRE-EXQUIS (5)

Pintura de Samy Charmine



Do pó, ao pó
O tudo que retorna
A faca que corta
A carne que sangra
Dissoluções em vazios

Em dispersos alvéolos
Sem dolo ou dor
Vespas ali deixaram
Marcas de que foram felizes
Ninhos hoje desabitados

Brancos mármores
Seculares perdas
Nos vazios olhos, frios como a neve
Em alma pálida que se esconde
No passar das horas

Passagem estreita
De um caminho esquecido
Pedras roladas de rio
Jogadas ali a esmo
Continuam suas viagens

Preâmbulo de uma saudade
Enriquecida no desejo
De ser um momento breve
Mares navegados
Mas não como dantes
Reflexos no escuro da noite

Beto Palaio

O pó é princípio e é fim
De todo o ser que nasce, afinal
A natureza, não tem dó, ai de mim
Porque todos têm um fim igual

E assim no vazio dissolvidos
A carne e o sangue animal
Já não vivem, já não soltam gemidos
Só a alma vive por seu mal

Mas sem o corpo a alma não pode
Resistir aos apelos da vida
E por isso já ninguém nos acode
Nem ajuda, pois findou nossa lida

Em dispersos alvéolos de dor
Ficaram marcas de vidas felizes
E as flores são hinos de amor
E dos humanos perfeitas raízes

Brancos mármores, são monumentos
Que marcam vidas que passaram
Mas não reportam os tormentos
Desses seres que tanto choraram

E nessa longa passagem tão estreita
De caminhos da longa viagem
Rola uma pedra, em pó já desfeita
Que do que era, já não mostra a imagem

Preâmbulo de uma justa saudade
Enriquecida por forte desejo
Mostra bem desta vida a verdade
Que há num sincero e num tão simples beijo

E nesse momento tão breve
Com reflexos no escuro da noite
As ondas e sua espuma tão leve
Saem do mar com a força do açoite


Joaquim Valle Cruz
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